O vírus da estrada – Por Wagner Coronado


Virou, mexeu ele se manifesta. E a enfermidade, com seus sintomas reaparecem. Não tem jeito, remédio ou tratamento.

Os sintomas são notórios:

Quando o assunto surge, a pessoa treme, os olhos brilham, a vontade de contar seus causos é compulsiva e alguns, tem até vontade de escrever sobre eles.

O pior de tudo é que esses sintomas podem surgir na presença de amigos, familiares ou o pior, na presença de estranhos, aí o caso realmente é grave.

Infelizmente a possibilidade de contágio não é tão comum como em outras doenças, como o desânimo, o pessimismo ou o comodismo, mas ela existe. Alguns a manifestam por origem congênita, popularmente conhecida como “mal de família”, como aconteceu com a minha. Esposa, filhos, todos. Outros já nascem mais resistentes, apesar de pais e parentes próximos sofrerem com a doença.

Alguns podem se contagiar ao acaso, simplesmente por se aproximarem de infectados, lerem seus livros ou viajarem com eles. Logo começam a se comportar da mesma maneira.

Outros indivíduos, por terem um sistema imunológico extremamente forte, jamais são contaminados pelo vírus da estrada, apesar de ocasionalmente viajarem, porém se importando mais com o destino do que com o percurso. Já as vítimas do vírus da estrada, tem o estranho hábito de se encantar mais com o percurso do que com o destino.

Loucura, mesmo!

Caso sem solução.

Como em toda doença, ela apresenta variantes (nossa, esta palavra lembrou uma station, que lembrou estrada) e suas denominações.

Em minha família, por exemplo, já tivemos a Aos Pés da Cordilheira e a Entre Dois Oceanos, que nos fizeram percorrer milhares de quilômetros pela América do Sul em um carro com mais de trinta anos de idade e geraram alguns artigos para a AutoClassic.

Recentemente fomos infectados pela Rota do Asfalto, que também contagiou outras vítimas que periodicamente se reúnem para discutir sobre este estranho vírus, novos percursos e suas máquinas.

O contágio do vírus Rota do Asfalto costuma deixar um sintoma característico em algumas pessoas: Manchas pela pele, provocadas pelo contato com a graxa de um dos grandes causadores da doença, seus próprios automóveis, muitas vezes antigos que insistentemente são utilizados pelo grupo contagiado.

Se você sentiu algum dos sintomas citados ao ler esta coluna, já é tarde, você está irremediavelmente contagiado.

Ou pior, se deseja se contagiar voluntariamente pelo atual vírus Rota do Asfalto, é só entrar em contato com o incurável autor desta coluna.

 

Até a próxima enferma e infectada coluna

Wagner Coronado

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