O NASCIMENTO DO REY – Por Wagner Coronado


O PROTÓTIPO

Devido às baixas vendas da linha Maverick, que apesar de ser sucesso como carro antigo não atingiu o resultado esperado em vendas em sua época, a Ford preparava o que seria seu médio de luxo. Este seria posicionado acima da linha Corcel e seria conhecido internamente como Projeto Omega.

Primeira fotografia do projeto Omega, registrada em agosto de 1978 pela revista Quatro Rodas, que futuramente viria a ser tornar o Ford Del Rey.

Pois é, por algum tempo o Del Rey recebeu o nome que anos mais tarde seria dado ao excelente carro projetado pela Opel e fabricado aqui no Brasil pela Chevrolet. Em contrapartida, em meados dos anos 1960 existiu nos EUA um Chevrolet chamado Del Ray (com “a” mesmo), este um derivado da linha Impala.

A estrutura básica do novo carro seria baseada na do Corcel II, porém o que o diferenciaria deste, seria a coluna “C” mais reta, uma tendência estética na Europa e EUA que aumentava seu espaço interno e o tornaria muito semelhante aos Granada, Taunus e Cortina, veículos de prestígio que a marca lançara na época no Velho Continente.

FORD CORTINA

A apresentação de seu primeiro protótipo foi em maio de 1978 em uma “clínica” (pesquisa feita entre potenciais compradores) realizada no salão de uma (acredite) igreja e se mostrava como um veículo de luxo muito bem acabado, como era tradicional nos veículos da marca na época. Sua frente era idêntica à do Corcel II, aproveitando sua grade de elementos horizontais, posteriormente substituída pela conhecida, de elementos verticais da primeira geração. Os cromados, também sinônimo de luxo da época, encontravam-se por boa parte da carroceria, inclusive contornando as caixas de rodas que podem ser observados na foto do protótipo abaixo, mas foram eliminados no modelo definitivo.

No protótipo mais adiantado acima, já com a grade vertical, mas ainda com detalhes que seriam eliminados, como frisos no contorno dos para-lamas, rodas, mira no capô e retrovisores pintados

A opção de câmbio automático era prevista desde o início assim como uma injeção indireta de combustível, desenvolvida em parceria com a empresa Bosch, o que tornaria o Del Rey o primeiro veículo nacional com esse tipo de alimentação, infelizmente também dispensado no modelo definitivo. Sua suspensão seria um pouco enrijecida, devido ao sucesso que a marca havia atingido perante tal modificação no Corcel Hobby.

Os nomes sugeridos para o carro seriam: Torino, Capri, Tiara (horrível), Continental, Marck e Del Rey. Acabou prevalecendo o último que foi idealizado pelo famoso publicitário Mauro Salles.

UM CARRO ALÉM DE SEU TEMPO

Não, não dá para começar uma descrição deste modelo da Ford dos anos 1980 assim. Aliás, isso não é nenhum demérito, já que todos os carros cuja descrição inicia-se com essa frase, acabaram virando verdadeiros fracassos comerciais e isso definitivamente não foi o caso do Del Rey, já que para permanecer uma década no mercado, onde foram vendidas 350.000 unidades, ainda que protegido de concorrentes internacionais, não era tarefa para qualquer um.

O que fez, portanto o sucesso deste produto?

A resposta pode ser simplicidade e sofisticação ao mesmo tempo.

Simplicidade devido ao aproveitamento de toda a estrutura mecânica do Corcel II, do qual herdou a plataforma e power-train, barateando o projeto, apesar de uma relação peso/potência desfavorável em relação ao primeiro, uma vez que o mesmo motor de 69 cavalos tinha que puxar (a tração era dianteira) 74 Kg a mais. Com a evolução deste motor em 1984, chamado de CHT pela Ford a situação melhorou e em 1989 com a adoção dos motores AP 1800, a morosidade foi embora de vez.

Sofisticação devido ao alto padrão de acabamento e qualidade dos materiais empregados, muitos deles melhores até do que os da linha Galaxie, um veículo de categoria bem superior, produzido pela própria marca.

Quando comparado a veículos da concorrência da mesma época, essa característica era evidente e muitas vezes cativava o consumidor e o convencia pela compra.

Seu estilo era atual para seu tempo, haja vista que foi baseado em veículos contemporâneos da fábrica para o mercado europeu, como dito anteriormente.

Sua primeira aparição em público foi em 1978 em uma “clínica”, mas desde 1976 estudos de atualização da linha Corcel II já eram feitos visando abocanhar o mercado de veículos de maior prestígio. Seu alvo principal eram os clientes da dupla Comodoro / Diplomata, mas já em 1982 veio o Monza e em 1985 o Santana, mas mesmo assim o bravo Del Rey permaneceu no mercado com ínfimas alterações, nunca mudando seu estilo clássico que o transformou em um dos maiores ícones nacionais de veículos de luxo dos anos 1980.

 

Até a próxima coluna.

Wagner Coronado

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