O Clássico do Mês – GT Malzoni 1966 de Carlos Eduardo Zavataro


Todos os meses para esta seção, escolhemos um veículo raro, ou que tenha sido premiado em eventos brasileiros, para que você conheça um pouco a história. É uma forma de homenagear nossos amigos antigomobilistas que tanto se esforçam para restaurar e deixar seus clássicos impecáveis enriquecendo desta forma ainda mais o acervo automobilístico brasileiro.

Carlos Eduardo Zavataro em seu impecável GT Malzoni de 1966

O  mês de janeiro  de 2015 foi reservado especialmente para o belíssimo clássico GT Malzoni de 1966 restaurado primorosamente e pertence a  Carlos Eduardo Zavataro.

Um pouco sobre o colecionador:

Zavataro, como é carinhosamente chamado no meio antigomoiblista, é carioca da Zona Sul. Foi criado no bairro da Gávea, próximo ao tradicional circuito de rua, conhecido como Trampolim do Diabo… é Engenheiro, sempre gostou de automóveis, mas desde seus 17 anos, se encantou pelo GT Malzoni – automóvel esportivo brasileiro produzido entre 1964 e 1966.

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É muito conhecido no meio antigomobilista do Rio de janeiro, por ser um grande estudioso, e grande conhecedor do GT Malzoni, Puma DKW – motor V6 2T.,, Hoje participa de Encontros antigomobilistas no Rio de Janeiro e em vários outras cidades pelo Brasil afora.

Uma das coisas que mais gosta de fazer  é passear  com seu  GT Malzoni pela Avenida Das Américas na Barra da Tijuca, num dia de sol…

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Não tem coisa melhor… É  uma alegria! Comenta com um bonito sorriso no rosto.

Quando tinha 20 anos comprou  um Candango – um automóvel brasileiro produzido pela Vemag, sob licença da fábrica alemã DKW, entre 1958 e 1963, mas nunca desistiu de seu maior sonho – ter um GT Malzoni.

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 Anos Dourados

Zavataro é de uma época onde as Fábricas de automóveis, (no início da indústria automobilística) investiam nas corridas para poder vender carros e se consagrar no país.

Com isso naturalmente criaram-se grupos, onde uns eram aficionados da equipe -Willys, outros da Vemag, Simca, JK, etc. As discussões eram intermináveis, os grupos viravam madrugadas conversando sobre carros, corridas, etc.. .

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 A década de 60 foi muito interessante neste aspecto … era muito bacana todo este convívio. Comenta Zavataro.

Nesta época, sua  paixão era  pela equipe Vemag. E  para completar, adivinha quem era  seu vizinho? Nada mais nada menos que Bob Sharp,  ex-piloto,  (Contemporâneo  na pista de interlagos de Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet) . 

Vale ressaltar que nesta época o Bob Sharp era funcionário da Vemag… apesar de participar de inúmeras corridas da Vemag, não pertencia ao departamento de competições da Fabrica.

Zavataro comenta que Bob Sharp o ajudou muito na perfeita restauração do seu GT Malzoni.

Com o passar dos tempos, saudosista, Zavataro comenta e confessa que a chegada dos campeonatos monomarcas o desanimou em relação as corridas.

Hoje está tudo muito parecido a carroceria é diferente, mas a mecânica é a mesma… Isso não tem a mínima graça. Comenta

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A história do  Carro do Mês  – GT Malzoni de 1966

O carro pertencia ao seu amigo, Paulo Melo que tinha um Galpão na Praça da Bandeira. Apesar da carroceria estar muito acabada, Paulo pensou em restaurar o veículo, mas entrou e saiu ano e ele não conseguiu restaurar a tal carroceria que já estava virando um “escombro”…

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Até que um dia, Paulo Melo precisou entregar o galpão… Acabou que não restaurou a carroceria do Malzoni, e, já sabendo da paixão de Zavataro pelo carro, o chamou e perguntou se queria de presente aquela carroceria bem prejudicada

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 Zavataro pensou direitinho e resolveu não só ficar como restaurá-la. (Definitivamente este meu amigo é um corajoso!)

Daí, inicialmente levou o carro para São Paulo, pois nesta cidade havia uma empresa que aceitou fazer toda restauração da carroceria. Foi aí que os problemas apenas começaram…

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O carro estava com as colunas dianteiras cortadas, possivelmente alguém queria transforma-lo num conversível. E como restaurar uma carroceira onde ninguém tinha as medidas???!!! Enfim, a restauração passou a ser uma grande dor de cabeça, realmente estava sendo muito complicado restaurar um carro naquelas condições…

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Perseverante, Zavataro não desistiu… Pesquisou, perguntou e acabou que deu tudo certo. A restauração da carroceria em fibra foi toda feita da forma soberba.

Carroceria terminada, o veículo foi enviado para Petrópolis, (região serrana do Rio) para fazer a parte mecânica e pintura.

Vale ressaltar que o carro ficou sendo restaurado de 2004 até 2008.

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Novas descobertas sobre o GT Malzoni:

Ano passado, 2014, no Encontro Paulista de Autos Antigos que aconteceu em Campos do Jordão, numa simples conversa com o James, (colecionador de BH, que ganhou premio com seu GT Malzoni, verde clarinho e que tem  a mecânica e carroceria idênticas),  Zavataro concluiu que o radiador do seu veículo não estava correto.

GT Malzoni de 1966 que foi premiado no Encontro Paulista de Autos Antigos em 2014.

 “Por algum motivo o radiador do meu carro estava diferente, era menor. Só havia visto radiadores mais largos em Malzonis de corrida… No meu conceito estes radiadores seriam para os carros com esta finalidade.” Comenta. 

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Como Zavataro é detalhista e perfeccionista quando o assunto é restauração de Malzonis, após 10 anos do seu veículo estar completamente restaurado, uma novidade: o GT Malzoni, foi atualizado, ou seja, está mais original ainda com o radiador correto.

GT Malzoni de Zavataro com o novo radiador

 Dica Preciosa de Zavataro:

Em relação  a peças, Zavataro comenta que foi outra novela… Mas aí vai uma pérola.

Não é fácil, para quem tem Puma, Malzoni e DKW, então anotem: O Fernando Jaeger de São Leopoldo RS, está exportando peças de DKW para o mundo inteiro… Tem as mais variadas peças: desde pistão, rolamento do virabrequim até…. ah, ele também faz motores. Conclui, Zavataro

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História do GT Malzoni

O GT Malzoni é um automóvel esportivo brasileiro produzido entre 1964 e 1966, em uma fazenda chamada CHIMBÓ em Matão-SP, idealizado inicialmente apenas para competições, utilizando chassis e mecânica DKW (representada no Brasil pela Vemag) e carroceria em fiberglass.

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Este veículo foi produzido em duas versões: uma espartana, para as pistas de corrida, e outra de passeio, que deu origem ao Puma GT (conhecido também como “Puma DKW”) e à marca Puma. Estima-se que tenham sido produzidos aproximadamente 43 exemplares.

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Usualmente, a denominação GT, que significa “grã turismo” ou “grand touring”, aparece após o nome do automóvel, mas o Malzoni GT foi tratado como “GT Malzoni” (ou simplesmente como “DKW Malzoni”) em algumas reportagens de revistas especializadas de sua época. Além disso, o emblema que apresenta seu nome, na dianteira do veículo, tem forma triangular e nele aparece o “GT” acima do nome “Malzoni”.

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Os exemplares da versão de passeio assim como os da versão espartana foram produzidos em fiberglass. Os primeiros modelos e as carrocerias que serviram de molde entretanto foram produzidos com carroceria metálica.

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Quando seu projetista, Rino Malzoni, ofereceu um dos primeiros exemplares, ainda metálico, para teste por uma revista especializada, ele foi designado como “DKW Vemag GT”. 

Histórico

Durante a década de 1960 os fabricantes de automóveis do Brasil utilizavam como parte de sua estratégia de marketing as corridas. A DKW-Vemag dispunha para estes eventos o Belcar modificado, que apresentava um bom desempenho a pesar de seu elevado peso. 

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A partir deste cenário, Genaro “Rino” Malzoni (que tinha experiência em carrocerias próprias utilizando chassises existentes), criou um pequeno protótipo esportivo de chapa que passou a ser conhecido como Malzoni II  com desenho de inspiração italiana. 

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Em 1964 o Malzoni II estréia nas competições e ganha uma das quatro provas que participou.

Em 1965, o novo modelo de fiberglass (Malzoni IV) ganha cinco provas e seu principal concorrente é o Interlagos (versão brasileira do Renault Alpine A-108) produzido pela Willys.

Em 1967, é substituido pelo Puma DKW. A empresa Lumimari, posteriormente renomeada para Puma Veículos e Motores Ltda., foi criada para produzir o veículo.

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A partir deste insucesso Rino Malzoni decidiu construir mais uma carroceria de chapa, que acabou servindo de molde para as fôrmas do novo modelo em fiberglass, que ficou conhecido como Malzoni IV.

Inicialmente destinado a competições, com o tempo acabou sendo comercializado para o público de um modo geral, graças as suas belas linhas e ao sucesso obtido nas pistas.

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Características técnicas (Por Carlos Zavataro)

“As especificações do GT Malzoni são exatamente iguais as do Puma, com excessão da relação do diferencial (coroa e pinhão).

No caso do Malzoni a relação era a mesma utilizada nos carros de rua 7 x 33 (relação final 4,71:1). O carro ficava um pouco curto para um esportivo. A velocidade máximo não passava de 135 km/h.

Já para o Puma a Lumimari resolver adotar a relação mais longa que existia na época (e que eu uso normalmente no meu carro) que é a 8 x 35 (relação final 4,37:1).

O resto é absolutamente igual, embora eu desconfie (tenho certeza) que o peso indicado na ficha técnica eram os dos GT Malzoni. Até porque não havia Puma espartano”…

Essas relações são tradicionais das caixas da Vemag, com a segunda “curta”. Opcionalmente, eram fornecidas caixas adequadas ao motor instalado. Não havia a roda livre por se tratar de veículo esportivo.

Ficha

Amigo Zavataro, primeiramente gostaria de te desejar um ano de 2015, doce, feliz e  cheio de alegrias!

Gostaria de te agradecer também pela oportunidade de poder falar do seu lindo GT Malzoni  – como O Clássico do Mês e também te parabenizar pelo que representa na História do antigomobilismo e automobilismo brasileiro.

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Um forte abraço,

Teresa Gago
Portal AutoClassic
Rio de Janeiro – Brasil

 

15 Comentários

  1. 11 de janeiro de 2015

    teresa, zava,
    parabéns aos dois. ao zava pela perseguição à originalidade, e a teresa por elege-lo clássico do mês. começamos bem o ano por veículo e proprietário. r nasser

    • Carlos Zavataro
      13 de janeiro de 2015

      Obrigado caro amigo. Lembro bem daquele evento em Brasília, se não me engano em 2001 (?), quando o nosso querido amigo Jorge Lettry não queria falar de DKW e vc acabou pedindo que ele passasse a falar dos carros da Vemag e da experiência dele na preparação daqueles motores fantásticos. A partir daí a palestra foi um verdadeiro sucesso. Lembra? Não queríamos que terminasse nunca! Abraços

  2. Roberto Fróes
    11 de janeiro de 2015

    Teresa

    Meus sinceros parabéns pela escolha do “Clássico do mês”.
    Para nós, apaixonados pelo DKW, nada supera o Malzoni.
    E esse do Zavataro é algo de espetacular!
    E parabéns também ao Zavataro, claro, pelo bom gosto na escolha do carro de seus sonhos, bem como pelo carinho, persistência e aplicação com que restaurou a maravilha!
    (E meu Belcar pegou uma caroninha numa das fotos)

    • Carlos Zavataro
      13 de janeiro de 2015

      O Fróes hoje é o grande representante da marca DKW no Rio de Janeiro. De início meio que divido entre outras marcas descartáveis, assumiu a paixão pela fumaça e pelo barulho inconfundível do motor a 2 tempos e, sem dúvida alguma, tornou-se o grande incentivador para que a gente não deixe a peteca cair e continuemos a expor nossas pequenas maravilhas. Obrigado Fróes.

  3. 12 de janeiro de 2015

    Regina,
    Comecamos o ano em 2 tempos e com pe’ direito: o Malzoni merece mesmo todas as homenagens, pelo que representa na historia do automobilismo brasileiro. E o carro do Zavataro, por sua quase insanidade para deixa’-lo neste estado…
    Zavataro: pena que seu carro esteja longe de ser original. Voce acha mesmo que os Malzonis sai’am caprichados e bonitos deste jeito la’ da Lumimari? …..
    Boris Feldman

    • Carlos Zavataro
      13 de janeiro de 2015

      O Malzoni do Bóris fez parte dos meus devaneios de adolescente. Isso porque foi exposto e vendido através de rifas na Feira da Providencia de 1966, que naquela época acontecia na Lagoa próximo à Hípica. Eu ia diariamente no local onde o carro estava exposto e cada dia comprava o que eu podia de rifas. Obviamente não fui o sorteado. Mas o cara da barraca parece que ficou com pena e acabou que, no ultimo dia da Feira, tirou a fotografia do carro que se encontrava fixada na lateral da barraca e me deu. Tenho até hoje essa foto comigo! Outro dia me deram umas fotos desse carro de 1982, quando ainda era do Paulo Scali.

  4. Kiko Malzoni
    12 de janeiro de 2015

    Teresa a materia ficou otima um feliz 2015 para vc., e ao amigo Zavataro o maior especialista de Malzoni’s do Brasil parabens pela restauração o carro esta lindo.

    abs.
    Kiko Malzoni

    • Carlos Zavataro
      13 de janeiro de 2015

      O Malzoni é uma daquelas amizades inesquecíveis. Veio devagar e foi construindo um acervo espetacular. Hoje são três Malzonis: sendo um o exemplar único do tipo II, um do tipo IV e outro uma espécie de pré-serie do tipo IV, mas com formato hardtop. Além de um Puma DKW absolutamente original. Tenho muito orgulho e satisfação de considera-lo um grande amigo e ter colaborado no incremento de pelo menos dois exemplares daquele maravilhoso acervo.

  5. Renato Malcotti
    12 de janeiro de 2015

    Prezada Tereza
    Maravilhosa a escolha do tema e a qualidade da reportagem.Parabéns!
    Aproveito para parabenizar também ao companheiro Zavataro pela belíssima restauração que realizou no seu Malzoni.
    Orgulha a todos nos admiradores da marca.
    Renato Malcotti

    • Carlos Zavataro
      13 de janeiro de 2015

      Obrigado Malcotti. Estivemos conversando a uns anos atrás em São Lourenço lembra? A minha mais antiga lembrança do Malcotti refere-se a época que ele corria com um Belcar (bege?) ostentando o nº 19 nas portas. Acho que ele foi um dos que conseguiram comprar um motor remanescente do departamento de competições da Vemag. Aquele carrinho era o capeta! Obrigado pelas palavras Malcotti.

  6. Eduardo Pessoa de Mello
    14 de janeiro de 2015

    Parabens Zavataro! Belissima reportagem, nao conhecia seu carro, epero que agora voce venha participar do nosso clube.

    • Carlos Zavataro
      27 de janeiro de 2015

      Obrigado Eduardo. Continuam as provas de subida de montanha no Pico do Jaraguá?

  7. James Mendonça
    22 de janeiro de 2015

    Zavataro,Parabéns! Ao tomar conhecimento do projeto da restauração meticulosa do seu Malzoni, da para imaginar a sua integração na história do automobilismo brasileiro . Para mim voce é um dos maiores conhecedores da marca.A matéria muito atrativa com reportagem e fotos exelentes da Tereza.

    • Carlos Zavataro
      27 de janeiro de 2015

      Caro James,
      Vc e o Rodrigo são exemplos de dedicação e capricho na restauração de seus carros. O Malzoni de vcs, que conheci em Campos do Jordão ano passado, ficou magnífico! Mais uma vez agradeço todo o trabalho que vcs tiveram na questão do radiador. Conte comigo no que precisar. Abraços

  8. Raphael Marquez
    27 de março de 2015

    🙂 Meu avô comprou a GT Malzoni depois, e meu pai e os irmãos fizeram o modelo com faróis escamoteáveis, abração!!!

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