Bom dia amigos!

Nos anos 50 e 60 era comum se ver nos classificados dos jornais anúncios de carros como sendo de médicos, até hoje não sei por que? Será que eles tinham alguma virtude a mais que os demais motoristas, de sorte a seus automóveis serem melhores que os demais.

Mas vamos a história… Em 1965, nos mudamos para uma pequena rua tranquila, com movimento basicamente local, pois é uma rua que liga nada a lugar nenhum!!

Minha mãe ainda mora lá, meu pai resolveu construir ali pela tranquilidade do lugar, que de fato era o paraíso para a criançada brincar. Em formato da letra “C” em ligeiro declive, ela começa e termina na rua da frente, se tiver , tem uns 200 metros de extensão ,não mais.
Na extremidade superior da rua morava um já falecido médico, que tinha por hábito nas manhãs, retirar sua “Olds 88” da garagem e deixa-la esquentando junto ao meio fio, defronte à sua casa , enquanto ele ia tomar o seu café.

Mas numa manhã de inverno ele fez o mesmo procedimento, só que com sua filha de uns 5 anos dentro do carro , repetiu toda a operação , só que deixou a menina brincando no banco traseiro , e como toda criança com saúde ela teve a sua atenção despertada pela ausência do pai e passou para o banco da frente .

Na coluna de direção seu pai deixava como era costume uma , flanela para tirar o pó do painel, e ela num ato repetitivo imitou o pai passando a flanela no painel.

O doutor que devia estar preocupado com outras coisas, além de deixar sua filha no interior do veículo , deixou ele também  “desbrecado” , só com a alavanca do câmbio em “parking” ,  foi o que bastou , para a menina se pendurar na alavanca trazendo para o posição” Drive” , por causa do frio que fazia o botão do afogador tinha sido acionado, e o motorzão estava com uns giros a mais.

E o “88” partiu rua a baixo, rapidamente pegou velocidade depois de uns 50 metros encontrou um Furgão Fordson do padeiro que fazia entrega em domicilio, arremessando-o para o meio da rua… E seguiu desgovernado.

 Foi nesse momento que minha mãe e eu estávamos saindo no portão… Nem chegamos a por os pés na calçada quando ele passou desgovernado raspando a sarjeta , acredito que já estivesse a mais de 50 km/h , foi quando ele descreveu um semi-círculo e se embrenhou portão a dentro de uma casa do outro lado da rua.

Naquele estouro, ele entrou na diagonal e foi levando tudo que encontrou pela frente, suas vítimas foram um portão (uns 7 metros de muro), um gira-gira, uma gangorra, um balanço e mais um Belcar Rio que estava tinindo de novo.

Um estrago de fazer inveja, com o barulho médico saiu desesperado pela rua, por obra de DEUS a menina não teve nenhum arranhão sequer, só o susto.

Com todas as vítimas indenizadas, o “Olds” partiu lá para o Angelin, numa operação milagre.

O médico comprou um “Impala” 1960 e colocou o seguinte  anúncio no jornal:

VENDE-SE OLDSMOBILE 51 “CARRO DE MÉDICO ” tratar…

Um abraço a todos!
Guarany Ricci 

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