White Triplex-triunfo e fim trágico do “monstro” dos anos 20


 O inicio de tudo

Jim White foi um Philadelphiano rico – dono da White Motor Company que sonhava em quebrar o recorde e conquistar o título de  “mais veloz”  nas corridas,  enfim,  queria devolver o título para seu país –  Estados Unidos, já que o último recorde conquistado pelo americano,  Ralph De Palma  foi em 1919. Este título estava nas mãos dos  pilotos britânicos: Henry Segrave e Malcolm Campbell.

Foi desta forma que a idéia de criar um carro chamado,  “White Tripex”  Special ou “Spirit of Elkdom” nasceu. O excêntrico Jim White que decidiu  apostar todas as fichas neste carro com o objetivo de desafiar o ” Napier Lion” – o motor mais potente da época e bater o recorde de velocidade  em sua década…

 Ao contrario dos carros britânicos,que tinham um só motor, o “White Triplex Special” vinha equipado com três motores aeronauticos Liberty L-12,dos V12 de 27.027 cm³ cada. Um deles  posto na frente e dois na parte traseira do carro. Pesava 4 toneladas.  A cilindrada era de 81.188 cm3, a potencia de cerca em 1500 cv.

Napier Lion” – o motor mais potente da época - O objetivo do "White triplex" era superar este motor
Napier Lion 1928 – o motor mais potente da época - O objetivo do "White triplex" era superar este motor

O design do Triplex não tinha embreagem ou caixa de velocidades. O carro não tinha conforto, apenas os motores, o aço dos chassis, carroceria e enfim, o espaço precário do piloto corajoso (ou será louco?)..

a mecânica do White Triplex Special era simples, os três motores eram ligados diretamente ao eixo, não tinha fricção e nem cambio. O chassi do design linear e forte,  foi projetado especialmente para sustentar o peso dos motores.

White Triplex em busca do recorde de velocidade  - na foto  os três motore do carro. Imagem da Florida Photographic Collection.
White Triplex em busca do recorde de velocidade - na foto os três motore do carro. Imagem da Florida Photographic Collection.

Como já mencionado, o design era simples com a carroceria de linhas quadradas que cobriam somente metade do carro deixando completamente à vista os dois motores traseiros. 

Triplex Especial em 1929, dirigido por Lee Bible
Triplex Especial em 1929, dirigido por Lee Bible

Problemas de homologação

Os carros que queriam tentar conquistar o recorde de velocidade deviam respeitar uma determinada regulamentação para obter a homologação. No especifico, o carro deveria ter a possibilidade de andar também com a ré, coisa que o  “White Triplex Special” (não tendo cambio) não podia fazer.

Para resolver o problema,  Jim  White  –  proprietário do White Triplex pediu ao seu mecânico uma solução e este teve a idéia de montar um motor elétrico, que ligado à uma roda, teria a única finalidade de manobrar o carro para trás, não tendo fricção,os três motores não podiam ser desligados das rodas, nem por um momento, assim o motor elétrico além de direcionar o carro para trás ainda servia para o freio motor dos três grandes Liberty.

Ray Keech no  White Triplex ,  tri-motorizada - em Daytona Beach, Florida. Imagem da  -  Florida Photographic  Collection
Ray Keech no White Triplex , tri-motorizada - em Daytona Beach, Florida. Imagem da - Florida Photographic Collection

Por final  decidiram ligar o motor elétrico à um eixo provisório, montando em desnível atrás e que podia ser rebaixado garantindo assim a marcha ré. Esta solução era provisória e após a homologação, todo o sistema foi desmontado para tentar alcançar o recorde. 

Ray Keech o piloto escolhido

Ray Keech
Ray Keech

Durante vinte anos , o recorde de velocidade  foi conquistado por três pilotos do Reino Unido:, Malcolm Campbell , Henry Segrave e JG Parry-Thomas .  Jim White com o projeto de conquistar o título contratou o experiente – Ray Keech – 01 de maio 1900 , vencedor das  500 Milhas de Indianápolis e detentor de recordes de velocidade.

Jim White achou que Keech seria perfeito para pilotar o “Spirit of Elkdom”, devido a imposição da altura, entre outros  requisitos básicos para controlar um automóvel pesado e poderoso como este.   Keech ganhou uma bom dinheiro…

Sobre o recorde de velocidade

Em 22 de abril 1928 , em Daytona Beach , Keech havia registrado uma média de 207,55 mph (334,95 kmh ), superando ligeiramento recorde anterior registrado pelo britânico Malcolm Campbell.  O recorde ficou nas mãos de Keech mais de um ano, até ‘ 11 de marco 1929 , quando foi quebrado por Henry Segrave  com seu Sunbeam 1000 HP, que foi capaz de superar 200 mph, atingindo 203,98 mph (327,98 kmh ).

 Henry Segrave  com seu Sunbeam 1000 HP, que foi capaz de superar 200 mph, atingindo 203,98 mph (327,98 kmh ).
Henry Segrave com seu Sunbeam 1000 HP, que foi capaz de superar 200 mph, atingindo 203,98 mph (327,98 kmh ).

A ocasião era para vencer a 26 ª Meeting Anual de Daytona Beach , que começou em fevereiro de 1928 . Naquela época haviam três candidatos a ganhar o record, o Blue Bird III de Napier-Campbell, o Stutz Black Hawk Special de Frank Lockhart e o White Triplex.

O primeiro lugar foi de Campbell, que a 19 de fevereiro recuperou o recorde, marcando uma velocidade de 206,95 mph (333,05 kmh). Este  recorde foi  quebrado em 22 de abril de 1928, quando Keech registrou uma média de 207,55 mph (334,95 kmh).

Três dias depois, no dia 25 de abril de 1928 em Ormond Beach, Florida – Frank Lockhart tentou novo record, mas morreu nesta tentativa . O record  ficou com  Keech por mais de um ano, até ” 11 março de 1929 , quando o britanico – Henry Segrave venceu a bordo do KLG Golden Arrow .

Diante da situação, Jim White, proprietário do “Whte Triplex Special”, queria o título de volta e convidou novamente Ray Keech para a fazer uma segunda tentativa para recuperar o recorde e  pilotar o carro, mas este recusou, considerando o carro muito perigoso. 

Lee Bible X White Triplex Special

9 de março de 1929, Daytona, FL orida- O famoso Rei da Velocidade : Jim White, de pé ao lado de sua monstruosa máquina – White Triplex Special – Tentativa  de quebrar o recorde mundial de velocidade .
9 de março de 1929, Daytona, FL orida- O famoso Rei da Velocidade : Jim White, de pé ao lado de sua monstruosa máquina – White Triplex Special – Tentativa de quebrar o recorde mundial de velocidade .

Jim White,  Na ausência de um piloto profissional, mesmo sabendo da pouca experiência ofereceu o lugar de Ray Keech para o mecânico: Lee-Bible, que viu isto como uma grande oportunidade de sua vida, apesar da pouquíssima experiência em pista de velocidade.

Em 13 de março , em Ormond Beach , a nova tentativa de quebrar o  recorde ocorreu. De acordo com o regulamento, Lee Bible foi capaz de fazer duas corridas.  A média de velocidade registrada teria sido válido para o record. Durante a primeira volta, Lee-Bible atingiu uma velocidade de 186 mph (299,274 kmh), bem abaixo do  recorde  de Henry Segrave.

Na segunda corrida e também sua última, Lee-Bible conseguiu fazer com que  o Wite Triplex Special atingisse até 202 mph (325,018 kmh)… Após a linha de marcação, Lee Bible perdeu o controle do carro (talvez por ter acelerado demais) foi para fora da pista e o “ White Triplex Special” rodou cerca de 300 metros colidindo contra as dunas…  acabando desta forma com a tentativa de recorde e de sua vida .

Circa 1929, Daytona Beach, FL - Lee Bible,  morto quando  tentava definir novo recorde de velocidade.  A foto mostra os destroços do veículo White  Triplex depois de derrapar numa velocidade de 202,70 milhas por hora ao longo das areias. Um cinegrafista que estava filmando o teste de velocidade também foi morto
Circa 1929, Daytona Beach, Flórida - Lee Bible, morto quando tentava definir novo recorde de velocidade. A foto mostra os destroços do veículo White Triplex depois de derrapar numa velocidade de 202,70 milhas por hora ao longo das areias. Um cinegrafista que estava filmando o teste de velocidade também foi morto

Lee Bible morreu instantaneamente ao ser jogado fora do carro. Após a colisão, o carro continuou a rolar por mais 600 metros, atingindo –  Charles Traub, um cinegrafista que também morreu no local .  Uma tragédia!

Circa 1929, Daytona Beach, Flórida - Lee Bible foi morto instantaneamente quando o auto de repente, derrapou e foi arremessado pelo ar matando Bible e um cinegrafista de  que estava filmando a corrida.
Circa 1929, Daytona Beach, Flórida - Lee Bible foi morto instantaneamente quando o auto de repente, derrapou e foi arremessado pelo ar matando Bible e um cinegrafista de que estava filmando a corrida.

Triunfo e morte de Ray Keech

A corrida

Também em 1928 , Keech também ganhou a sua primeira vitória em Michigan State Fairgrounds , em seguida, terminar a temporada em segundo lugar no Aamerican Automobil Association National Championship. Dia 30 de maio do mesmo ano,  RayKeech participou da 500 milhas de Indianapolis.

Partiu na decima posição e chegou em 4º lugar absoluto. Ele participou também no ano seguinte com uma, Miller Simplex Pisto Ring. O piloto americano chegou em 6º lugar e a prova foi liderada por – Louis Meyer pilotando a Miller 91 até a 157ª volta, quando foi obrigado a se retirar por causa de perda de pressão do circuito do óleo.

Keech então conquistou sua vitoria tendo como platéia 160.000 pessoas. Seu triunfo, porém,foi diminuido pelo fato que o corredor William Spence de 24 anos sofreu um acidente mortal.

A Indianapolis 500 era uma etapa do campeonato Champ Car , onde Keech conseguiu 4 vitorias sobre 11.

A morte

Após duas semanas da vitoria de Indianapolis, Keech participou de uma competição em Altoona. No percurso, seu carro bateu num pedaço de guard rail, que tinha se deslocado após um acidente com outro carro.

A Miller Simplex virou varias vezes, pegando fogo. O corpo de Keech foi tirado já sem vida do carro.

Abaixo um vídeo  com uma coletânea das corridas de Indianapolis 500 dos anos de: 1928, 1929, 1932, 1933, 1934, 1935, 1936 – Divirtam-se! 

Fontes de pesquisas:
Wikipédia (italiano)
1928: White Triplex driven by Ray Keech
[e-Library OPAC] State Library and Archives of Florida
Motorsport Memorial – Lee Bible
White Triplex – Wikipedia, the free encyclopedia

Tradução do italiano: Flavia Mea Pola (Scuderia Pola)
Tradução do Ingles e Edição: Teresa Gago – Autoclassic Portal
Fotos: Divulgação

 

Um forte abraço,

Teresa Gago
AutoClassic Portal
Rio de Janeiro – Brasil

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  1. DIOGENES
    6 de junho de 2012

    QUE CORAGEM E PERSISTENCIA DESTAS PESSOAS,
    PARABENS PELA MATERIA.

  2. Zé Rodrigo Octavio
    4 de janeiro de 2013

    Ótima história Teresa!!!
    Outros tempos onde a noção de segurança era suplantada pelo romantismo entusiasmado dos automobilistas.

    • 4 de janeiro de 2013

      E coloca romantismo nisso, Zé… Sinceramente não sei se esses pilotos eram heróis ou loucos… Pilotar um carro desses nessa época era morte na certa…. Paixão meio doida essa…

      Saudações,
      Teresa Gago
      AutoClassic Portal
      Rio de Janeiro – Brasil

  3. Jesus Forgan
    4 de janeiro de 2013

    Quem pilota um carro de corrida tem que ter paixão e loucura, só de esse jeito desfruta a sensação que oferece a corrida mesma.
    Boa materia Teresa, parabens

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