Meu nome é, Sérgio Alexandre Lourenço Capella, 54 anos - Oficial R/2 do Exército Brasileiro, Asp Oficial de Cavalaria - 1974. Estágio de Manutenção Orgânica de Viaturas na Escola de Material Bélico, 1977. Oficial de Manutenção e Transportes do 15° Regimento de Cavalaria Mecanizado, 1977 à 1980. Coordenador de Transportes da Rede Globo de Televisão, 1987 à 1996. Sócio fundador, e Vice-Presidente do Ilha Jeep Clube, em 3 mandatos. Diretor de Relações Públicas do CVMARJ - Clube de Veículos Militares Antigos do Rio de Janeiro.
A convite do Portal AutoClassic, estarei apresentando um especialista em viaturas militares antigas a cada mês . Cada especialista fará um relato sobre sua viatura e sua apresentação através de fotos.
No mês de maio o convidado é o vice presidente do CVMARJ - Alexandre Leite para falar de sobre a história do jeep nacional.
A história do Jeep Nacional
O Objetivo desta matéria é fazer o resgate mesmo que parcial da história da produção do Jeep nacional. Com informações obtidas em fontes idôneas, como por exemplo, o Manual de Peças da Willys Overland do Brasil, abordaremos o cronograma de fabricação, desse apaixonante veículo. Explicaremos o modo como identificar o ano e o modelo do Jeep, dentro do período de produção da Willys. Também abordaremos a identificação FORD, ressalvando não se encontrar completa a decodificação alfa-numérica empregada nesse período. Abordaremos também as diferenças entre os jipes civis e militares.
Todos os leitores interessados em auxiliar podem enviar suas colaborações para o endereço eletrônico als.leite@ig.com.br, que serão de grande valia.
1- 1955 - Começa a ser importado e montado no Brasil pela Willys Overland, em São Bernardo do Campo, SP, com o motor 4 cilindros, de 2150 cilindradas,modelo F-134 Hurricane de 73 HP a 4000 rpm e torque aproximado de 15,8Kgfm a 2000rpm; Câmbio de três velocidades com 1a marcha seca (não sincronizada) além de diferencial dianteiro Dana 25 e traseiro Dana 44 com coroa de 43 dentes e pinhão de 8 dentes, resultando numa relação de diferencial 5.38:1.
2 – 1957 - Inicio de fabricação no Brasil contando com 65% de nacionalização.
3 - 1958-Sai da linha de montagem com novo propulsor de 6 cilindros em linha, 2600 cc , modelo BF-161 de 90 HP a 4.400 rpm e torque aproximado de 18,6 kgfm a 2000 rpm. O grande destaque desta versão foi o fato do Jeep sair da linha de produção com o primeiro motor totalmente fabricado no Brasil, desde sua fundição! Era fabricado na planta da Willys de Taubaté, e vinha com as inscrições no cabeçote "FUNDIDO EM TAUBATÉ". O índice de nacionalização cresceu para 80%.
4 - 1959- O diferencial dianteiro passa a ser também o Dana 44, e o Jeep permanece sem alterações estéticas.
5 - 1960- Carroceria passa a ser fabricada no Brasil e tem uma alteração no formato do recorte da caixa de rodas traseira, que passa de redonda para trapezoidal. Corre uma versão que a estilização deu-se em homenagens às linhas retas adotadas na arquitetura de Brasília, recém inaugurada. O vocábulo "JEEP" nas laterais passa a ter um formato mais arredondado. Estas mudanças acompanharam o Jeep até o final de sua produção em 1983.
6 - 1961-Nesse ano o Jeep atinge a marca de 100% de nacionalização, outro marco para nossa jovem indústria automotiva.
7 -1962-Surge o Jeep Modelo 6224, popularmente conhecido como Bernardão,com chassi de 101" de entre eixos produzido nas versões de 2 e 4 Portas.
8 - 1965 -Passa a sair de fábrica com cambio totalmente sincronizado, permanecendo com 3 marchas + Ré.
9 -1966- Sai de fábrica com rodas livres automáticas no eixo dianteiro,alternador no lugar do dínamo e novo desenho do volante de dois raios. Saem também uma nova versão, denominada “Praia” com tração 4x2 suspensão mais macia, com calotas cromadas; ou seja, um pouco mais de luxo ao veículo nascido para trabalhar. É inaugurada também a nova planta fabril em Jaboatão, PE.
10 - 1967-É lançada uma versão denominada de "Jovem", com bancos individuais e capota conversível. Ganhou lanterna traseira do lado direito e comando de seta, além de novo desenho do pára-choque traseiro. A Willys Overland do Brasil é comprada pela Ford Motors do Brasil. Sai com coluna de direção semelhante a da Rural com chave na coluna além de trava de volante.
11 -1968- Passa a sair com o nome da marca (Ford) estampado em sua porta traseira ao invés de Willys como nas versões anteriores. Na documentação passa a ser Ford/Willys. A plaqueta de identificação nos
modelos até 1968 está localizada na parede corta-fogo a esquerda da bateria e ainda segue o modelo Willys.
Os Maiores usuários dos utilitários Jeeps, foram os seguintes, por ordem quantitativa:
Exército Brasileiro.
Polícias Civil e Militar.
DNER – Departamento Nacional de Estradas e Rodagem.
Ministério da Saúde.
Marinha do Brasil.
Jeep modelo 5224, ainda em uso em algum quartel do Exército.
Jeep modelo 5224 , preservada pela polícia Militar do Rio de Janeiro.
Jeep Modelo 5224, ano 1972 – Preservado Pelo CVMARJ – Clube de Veículos Militares Antigos do Rio de Janeiro.