Toni Bianco, da imaginação à realidade


Fazer carros à mão é uma arte quase extinta. Mais raro ainda é criá-los como se fossem esculturas. Numa pequena garagem, nos fundos de uma casa, em São Paulo, Toni Bianco, lenda viva do automobilismo nacional, constrói peças de arte sobre rodas.
Da imaginação à realidade

Nem todo mundo sabe, mais ainda existe quem faça carros totalmente a mão. Peças únicas, sem cópias, assinadas pelo autor.

Os moradores de uma pequena rua no bairro de Perdizes, em São Paulo, já se acostumaram a ver, de tempos em tempos, uma dessas obras de arte saindo da garagem de uma casa. O último carro feito por lá é uma berlineta, inspirada nas Cisitálias da década de 1950.

O autor – dá para chamar assim – desse carro é Toni Bianco, um senhor italiano, de cabelos brancos e 76 anos de idade. O Cisitália é o quarto carro de uma série que ainda não acabou. Antes desses quatro, Toni construiu centenas de outros automóveis.

Quantos, nem ele sabe direito. Provavelmente, mais de mil. Carros de rua, entre eles alguns dos mais bonitos já feitos no Brasil.

E carros de corrida, carros para ganhar corridas. Entre eles, o que mais provas ganhou na história do nosso automobilismo – talvez um recordista mundial de vitórias, o Bino.

É difícil de acreditar, mas Toni nunca desenhou um carro. Suas idéias não cabem no papel: seu cérebro trabalha em três dimensões.

Ele sempre começa seus projetos fazendo uma maquete de arame soldado, com as linhas básicas do carro, inspirado por fotos antigas. Do modelo, parte para uma armação de ferro, em tamanho real. O passo seguinte é “vestir” o carro, moldando suas curvas a mão, em chapa de alumínio.

O nome real de Toni é Ottorino Bianco. Ele nasceu em Concordia Sagittaria, uma pequena cidade perto de Veneza, em 1931.

Praticamente sem ter estudado, chegou ao Brasil em 1952, com 21 anos de idade, em busca de uma profissão. “Meu pai me mandou para cá para eu não passar fome”, recorda.

  • Jorge Meditsch é jornalista da área automobilística e editor executivo da “Época” e “O km”.
  • Outros fantásticos artigos de Jorge você poderá encontrar no site: www.autoestrada.com.br

fotos: Claudio Larangeira

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  1. LARRI GOMES LIMA
    1 de março de 2009

    Não conheço o sr. Toni Bianco pessoalmente, mas o seu trabalho é realmente de um artesão de muita qualidade. O veículo citado na reportagem, bem como outros veículos feito por este Mestre, encontram-se no Museu do Automobilismo Brasileiro aqui na cidade de Passo Fundo-RS e são jóias sobre rodas. Parabéns TONI.

  2. rodson machado
    30 de janeiro de 2012

    posso chamar de vovo do automobilismo? com todo respeito parabens sr.toni bianco sou fan do carro bianco desde a minha infancia quando tinha doze anos. sempre.quando viajava para capital aracaju via um carro bianco .sempre sonhei ter um. hoje 49 anos nao consegui um exemplar desta joia rara.mas espero um dia que sabe. parabens Sr. toni pra voçe eu tiro chapel

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