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Lindas e Insinuantes

Elas inverteram os padrões de beleza e mexeram com a cabeça dos homens graças ao erotismo pouco explícito. Hoje, garotas ultra-modernas revivem o legado de atitude e sedução deixado por mulheres que nasceram do papel.

Coxas grossas, seios fartos e cinturinha de pilão. Longe das pressões de magreza sugeridas pelo mundo da moda, elas exibem formas generosas. São elegantes, embora costumem trajar apenas meias-calça e corpetes com decotes bastante sugestivos. São as pin-ups, por vezes chamadas de garotas de calendário. Cheias de charme e sensualidade, essas mulheres elevaram os conceitos de erotismo e têm influenciado uma nova geração feminina que deseja trazer o mistério de volta à sensualidade.

 

Falar sobre as pin-ups é voltar ao fim do século 19, época em que o teatro de revista transformava dançarinas em estrelas, fotografadas para revistas, anúncios, cartões e maços de cigarros. Em Paris, dois artistas, Alphonso Mucha e Jules Cheret, criaram as primeiras imagens de mulheres em poses sensuais para pôsteres, com trabalhos marcados pela presença de contornos e detalhes.



A arte dos pôsteres virou escola e influenciou artistas até as primeiras décadas do início do século 20, quando os calendários também passaram a trazer desenhos de mulheres com silhuetas idealizadas pela imaginação masculina da época. E é justamente a partir do ato de pendurar ilustrações nas paredes que o nome pin-up surgiu.




Foi na década de 40, contudo, que as pin-up girls (ou "garotas penduradas") viveram o auge do sucesso. Numa época em que mostrar as pernas era atitude subversiva e ser fotografada nua, atentado ao pudor, lápis e tinta davam forma a essas mulheres, carinhosamente chamadas de "armas secretas" pelos soldados americanos - na Segunda Guerra Mundial, elas serviam de alívio para os pracinhas que arriscavam a vida nos campos de batalha.



Atitude pin-up
O conceito das garotas pin-up era bastante claro: eram sensuais e ao mesmo tempo inocentes. A verdadeira pin-up jamais poderia ser vulgar ou oferecida, apenas convidativa. Asseguradas pelos traços sofisticados vindos da art-nouveau, elas vestiam peças de roupa que deixavam sutilmente à mostra suntuosas pernas e definidas cinturas. Era o bastante para alimentar a fantasia dos marmanjos.

 

Das ilustrações de papel, as pin-ups logo ganharam vida ao serem encarnadas por atrizes como Betty Grable e Marilyn Monroe, ou fotografadas por modelos voluptuosas como Bettie Page, também chamada de "rainha das curvas". Vestidas de coristas, marinheiras, enfermeiras e outros uniformes-fetiches, que por vezes incluíam muito couro e tiras, as pin-ups de carne e osso fizeram tremendo sucesso em revistas como a americana Esquire e filmes como o "Pin Up Girl", de H. Bruce Humberstone, estrelado por Grable. Elas também garantiram a apreciação de uma beleza e de um corpo feminino possível a outras mulheres, além do reconhecimento mundial do estilo pin-up de encarar a sexualidade com naturalidade e bom humor.



E se a partir dos anos 70, a indústria do sexo passou a desmanchar a aura misteriosa dessas mulheres, graças a filmes pornográficos e revistas de nu feminino, o erotismo não-explícito encontra lugar no século 21. Rock, glamour e internet agora se misturam na vida das pin-ups modernas.

 

Texto: Pamela Cristina Leme

 


Edição - Marcella Gago - Equipe AutoClassic
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