Amigos,

Ëstamos de volta com a seção “O Clássico do Mês” e a história escolhida para o mês de julho foi a do antigomobilista  veterano, Max Acrísio Bezerra  que está neste meio há mais de quarenta anos e seu MGA.

Confira sua interessante história.

 

Um Pouco da história do Colecionador

Meu nome é Max Acrísio Jacome de Goes Bezerra. Desde que me entendo por gente, gosto de máquinas. Sejam elas: terrestres, marítimas ou aéreas. Comecei a me interessar por carros antigos,  há pelo menos 40 anos.

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Quando passei no vestibular tive a oportunidade de ganhar um carro. Fiquei procurando por algum tempo um Jaguar, um Jeep ou um MG. Eram os meus sonhos de consumo da época. Acabei achando um MG TD do ano de 1952, que possuo até hoje. Por causa deste MG, através de um amigo que também possuía um, comecei a namorar uma amiga dele e acabei casando-me com ela.

MG TD de 1952

MG TD de 1952

 

Como feliz proprietário de um dos muitos MG TD 1952 que existiam no Rio de Janeiro,  comecei a me enturmar juntamente com um amigo vizinho e grande companheiro de andanças automobilísticas e antigomobilistas, Luiz Augusto Tinoco, com o seleto grupo de aficionados pela gasolina com naftalina ou formol, os membros do Veteran Car Club do Brasil Rio de Janeiro.

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Comecei a frequentar os encontros do VCC, nos 2º domingos do mês em frente ao Hospital Miguel Couto. Estas reuniões aconteciam lá até plantarem um CIEP no meio da praça. Fora este encontro mensal, nos sábados havia a romaria às oficinas para visitar os carros dos amigos sendo restaurados, as idas à São Cristóvão ou aos ferro velhos da Dutra para garimpar uma peça indispensável.

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Na faculdade, junto com Sérgio, Vieira, Eduardo e Luiz Augusto, fizemos uma sociedade e compramos por não sei quantos dinheiros da época, um Jaguar Mk V, 1948. Foi uma experiência socialista: um automóvel e cinco proprietários. Este Jaguar estava em tão bom estado que, uma vez na garagem lá de casa, após uma sessão de mecânica, quis pegar fogo e não conseguiu por falta de material combustível. Simplesmente torrou todo o sistema elétrico. Comecei aí a conhecer o sistema elétrico inglês de Joseph Lucas. Infelizmente o imponente veículo teve que ser demolido para que se fizessem obras lá em casa. Sobraram a caixa de marchas, os instrumentos do painel e os dois bancos da frente que foram transformados em duas excelentes poltronas.

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Em 1976, a firma em que eu trabalhava, mandou-me para trabalhar em um projeto em Curitiba. Lá, através de um membro da equipe do projeto, Ney Guimarães, conheci os membros da confraria antigomobilista de lá e fiz parte do grupo que fundou o VCC do Paraná.

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Além do VCC do Paraná, do qual fiz parte do grupo que o criou, fui sócio do “sofisticadérrimo” MG Club do Brasil em São Paulo.

De minhas andanças fora do Rio de Janeiro, passei uma temporada em Brasília onde tive a oportunidade de conhecer o pessoal do VCC de Brasília. Grande pessoal de quem guardo ótimas recordações.

Max e seu amigo Guilherme Ramos o "G" do Grupo Agmh

Max e seu amigo Guilherme Ramos o “G” do Grupo Agmh

 

Por volta de 1999 ou 2000, dois amigos, Álvaro e Jorginho, me falaram de um excelente Puma GTS 1980 com motor 1800 que estava à venda. Após muito relutar, acabei comprando-o com o firme propósito de guardá-lo para o meu filho que na época tinha 17 anos e iria fazer vestibular. É claro que ele ia passar no vestibular e eu tinha que comprar o Puma.

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Hoje além do Puma (que é do Bernardo) tenho um MG TD inteiro placa MAX 1952, que em 2015/2016 estará  circulando pelas Ruas do Rio de Janeiro, um outro faltando o motor, os instrumentos do painel e mais uma porção de detalhes e o MGA do Rio de Janeiro emplacado com a placa MGA 1960 que foi escolhido como o carro do Mês.

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Em 2002, junto com um colega de trabalho, Antônio Guilherme, que na época era dono de um, Aero Willys de 1964 e uma Brasília 1978 tivemos uma idéia: Vamos fazer um encontro de carros antigos, porém com um diferencial. O foco serão os automóveis nacionais.

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 Foi um sucesso. Reunimos cerca de 150 automóveis nacionais. Nascia aí a AGM H Antigomobilistas. A de Armando, G de Antônio Guilherme, M de Max e H de Hélio. No ano seguinte repetimos a dose e de novo um sucesso. Reunimos cerca de 200 automóveis nacionais.

O Grupo AGMH Antigomobilistas, realizando evento em Caxambu

O Grupo AGMH Antigomobilistas, realizando evento em Caxambu

 

Com a mudança do comando do Museu Militar Conde de Linhares, o novo diretor propôs que a AGMH passasse a organizar um encontro mensal e assim, a partir de março de 2004 iniciou-se tradicional “Encontro do Museu” todo 3º domingo do mês.

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Um pouco Sobre o carro do Mês – MGA de 1960

Tudo começou  na década de 60, quando Um belo dia, meu amigo Luiz Augusto Tinoco Correa de Azevedo, o Tinoco comprou um MGA. O único existente no Rio de Janeiro.

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Como no edifício que ele morava não tinha garagem, e Tinoco não tinha carteira, daí eu gentilmente ofereci a garagem da minha casa para ele guardar o conversível esportivo inglês.

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 Após alguns meses de argumentação, onde o argumento mais forte foi a de que no motor faltavam mais quatro cilindros e o câmbio era manual (ele gosta de Chevrolet’s mid fifty com motor V8 e câmbio automático), comprei o MGA.

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Em tempo! Max e seu amigo de infância,  por não saberem  jogar futebol direito, preferiram se dedicar a  mecânica de carros. Com isso criaram  laços fortíssimos… “Tinoco é o irmão que eu não tive”, comenta, Max. E com isso, lá se vão 39 anos de MGA!

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Na época , Max desarmou o carro para restaurá-lo: tirou a carroceria do chassi, etc e segundo ele, foi mais fácil  fazer a manutenção do MGA do que do seu  Puma GTS…

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Depois de quase 15 anos resolveram pintar o carro. Montaram o MGA e segundo o antigomobilista veterano, foi a primeira vez que seu carro foi pintado.

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Teresa, até hoje este carro não  dá problemas. Vou  trabalhar com ele, participo de RAIDs, eventos, etc…

 Enfim,  Max põe seus clássicos para andar no dia a dia e comenta que seu MGA  não é um “show car” tanto que uma vez ou outra tem acidentes de percurso

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O MGA de MAX tem uma bonita carreira artística. 

Nesses 39 anos ele foi Carros do ator Jose Wilker, na novela, Anos Rebeldes. Apareceu num “clip” no programa – Perdidos na Noite, do Faustão com uma atriz imitando a Madonna e o ator, Nuno leal Maia, como: Dick Tracy.

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Participou de várias mini series, globais e também de filmes internacionais, como  o carro da artiz no clássico da literatura erótica francesa L’histoire de O e da comédia OSS 117 Rio,,, Jean Dujardin foi ganhador do Oscar com este Filme.

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 fato interessante sobre o filme OSS 117 Rio e o Clássico do Mês.

Este filme foi feito no Brasil e eles estavam precisando de um MGA para ser o carro de “Dujardin”. Para a sorte de nosso amigo antigomobilista MAX , seu sobrinho trabalhava na produção do filme e lembrou que seu tio tinha o carro que eles precisavam.

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A produção do filme procurou MAX para alugar o carro, mas, só tinha um pequeno detalhe: o MGA estava encostado há anos, pois as prioridades financeiras de MAX eram outras.

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MAX  concordou em alugar o automóvel, contanto que consertassem o carro.  

Em 2 dias o carro estava funcionando e trabalhando no filme para alegria de MAX que num momento financeiro não muito favorável, viu seu carrinho funcionar novamente.

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Jean Dujardin ganhou o Oscar com o filme O artista e não com OSS117 Rio ne répond plus . Acho que ele e o diretor, Michel Hazanavicius, fizeram esse filme para conseguir dinheiro para rodarem “O artista”

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Uma parte da História da marca MG

A MG NASCEU do mesmo modo que tantas outras marcas: recorrendo à plataforma e elementos mecânicos de outro construtor. Cecil Kimber, apontado como o seu criador, alto responsável das «Morris Garages» – uma distribuidora dos carros da marca Morris em Oxford, Inglaterra -, e grande entusiasta de modelos desportivos, acreditou na existência de um mercado para este segmento. Cecil começou por modificar os modelos da marca inglesa, aumentando-lhes a potência dos motores, rebaixando-lhes a suspensão e montando-lhes carroçarias de aspecto e eficácia mais desportiva.

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A MG fazia parte do grupo BMC, British Motor Corporation, resultado da fusão da Austin Motor Company e a Nuffield Organisation em 1952. Este grupo também produzia os carros das marcas Austin, Morris, Riley Wolseley entre outras. Em 1955 surge o MGA, substituindo a série de modelos Midget composta dos modelos “T”.

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Sempre pequenos, sempre desportivos e sempre apaixonantes, o MGA e posteriores MGB, projetaram definitivamente o nome da MG no universo das marcas desportivas. Sete anos de produção e mais de 100 mil unidades produzidas confirmam o sucesso do MGA.

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A década de 60 e principio dos anos 70 popularizaria, definitivamente, os MG como pequenos desportivos simples mas robustos, acessíveis no preço e surpreendentes nas prestações alcançadas.

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Em 1962 lançou o MGB com estrutura monobloco e em 1965 o MGB GT, versão com teto rígido do MGB. O MGB foi produzido até  outubro de 1980 quando a fabrica em Abingdon-on-Thames fechou. Entre 1967 e 1969 foi lançado o MGC com motor de 6 cilindros. Em 1973 foi lançado o MGB GT V8 com motor Rover de 3,5 litros que foi produzido até 1976.

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por Entre 1982 e 1991, a marca MG sobreviveu sendo usada nos sedãs Austin Metro, Maestro e Montego.

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A marca MG foi ressuscitada novamente em 1992 pelo Grupo Rover com o MG RV8. O totalmente novo MGF começou a ser comercializado em 1995 sendo o primeiro MG real produzido em massa desde que o MGB teve sua produção encerrada.

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Dos últimos comercializados, o que melhor manteve os pergaminhos desta lendária marca de modelos desportivos, foi justamente o TF, evolução do MGF, um descapotável de dois lugares e motor central.

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Na comemoração dos 80 anos na marca chegou ainda a ser apresentado o MG GT CONCEPT, um belíssimo coupé baseado na série TF, de linhas sensuais, elegantes e que apelavam à expressão contemporânea do famoso MGB GT da década de 60.

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Outros protótipos se lhe seguiram, entre eles o X80 e o ainda mais imponente X Power SV baseado no anterior. Recorria a um motor V8 de origem Ford e debitava qualquer coisa como 313 cv, embora existisse a hipótese de um seis litros com 765 cv!

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Com a falência da marca Rover, o nome MG desapareceria do circuito comercial. Embora se mantenha bem viva no coração de muitos entusiastas de modelos clássicos. E nas garagens dos mais afortunados.

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Que show de história!

Max, O Portal AutoClassic te parabeniza por todos esses anos de dedicação ao antigomobilismo e por tudo que significa e realiza em nosso meio.

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Parabéns, muita saúde e proteção divina. Fica aqui nosso agradecimento pela oportunidade de mostrar aos nossos leitores sua história, pelo carinho de sempre e amizade,

Saudações,

Teresa Gago
Portal AutoClassic
Rio de Janeiro – Brasil