
O Museu do Automóvel em Brasília - DF
Ocorridas nas décadas de 1950-60, a interiorização do desenvolvimento,a construção de Brasília e a fabricação de automóveis nacionais constituem os três pilares da etapa mais crucial da moderna história brasileira.
O automóvel – e suas variáveis, caminhões, ônibus, tratores – foi um dos maiores agentes desta mudança, exigindo e permitindo o desenvolvimento tecnológico que mudou o país em apenas uma década. Nesta história, o carro nacional, surgido de modelos superados, com marcas em busca de sobrevivência em outros mercados, cumpriu verdadeira saga. Adaptou-se às difíceis condições de sobrevivência; à rede viária deficiente e sem pavimentação; ao combustível ruim; aos mecânicos de pouco conhecimento formal. Absorveu dificuldades, desenvolveu tecnologia; usou as corridas para impor-se como resistente e ágil; criou soluções mecânicas, estéticas e mercadológicas, que ao final transformaram a versão brasileira em produto muito superior aos estrangeiros que lhe serviram de base.
Modelos de uso mais agradável, mais fortes, mais velozes, muito mais resistentes. E com soluções de desenvolvimento estético que assinalaram uma carreira própria e caracterizadora. São ícones da história do automóvel e do desenvolvimento brasileiro. Tem base em veículos, componentes, soluções técnicas, carros inteiros, vitórias em corrida, recordes mundiais, tecnologia. São acompanhados por histórias, eventos, literatura técnica, trabalhos acadêmicos, jornais, colunas e revistas especializadas. A primeira e mais romântica década da história do carro nacional, possui exemplos claros desta superioridade, em exclusividades nacionais:
. o alemão DKW, como Vemag, foi recordista em vitórias em corridas, obteve a maior potência obtida para este motor em todo o mundo. Gerou um protótipo, o Carcará, que assinalou 212 km/h recorde de velocidade;
. o Simca Tufão foi muito superior ao Chambord francês, com a liberdade tecnológica de levar as válvulas do bloco para o cabeçote na versão EmiSul;
. o Aero-Willys brasileiro permitiu-se estilo muito superior, motor mais forte, câmbio sincronizado em 4 marchas, a construção de uma limousine , o Executivo, e de um esportivo, o Capeta;
. o Fissore, projeto comprado a esta empresa italiana, lançado em 1 962, foi o melhor exemplo. Adiantou tendência de estilo: cintura baixa, colunas delgadas e grande área envidraçada, que só apareceria nos Mercedes-Benz e BMWs de 1 968.
Nesta história rica há, ainda, dois mitos. O Projeto Uirapuru, pela Brasinca, um esportivo com projeto e linhas até hoje festejados, e o GT Malzoni, inicialmente sobre mecânica Vemag, depois base para a feitura do Puma VW.

Brasinca GT4200 - Uirapuru, ainda atualizado 40 anos após
Atualmente os automóveis brasileiros tem reconhecimento mundial como detentores de insuperada tecnologia de construção resistente e baixo preço. São exportados, referenciados por sua durabilidade, portam tecnologia exclusivamente local, como os motores 1.0 mais potentes do mundo; as soluções Flex-Fuel; o uso de turbos e compressores em motores de baixa cilindrada.

Os nacionais de hoje. Tecnologia própria, produto de exportação
O Museu do Automóvel , iniciativa da Fundação Memória do Transporte, entidade privada sem fins lucrativos, reconhecida de Utilidade Pública Federal, foi implantado em Brasília para preservar estes veículos, documentos, história e conquistas da indústria automobilística no Brasil – o que significa preservar a memória da criação da Companhia Siderúrgica Nacional, da Petrobrás, da Fábrica Nacional de Motores, e da indústria de auto peças, marcos da industrialização no país. Supre uma lacuna.
No contexto brasileiro atual, a criação de um Museu como o do Automóvel, na Capital Federal tem que espelhar, necessária e independentemente da limitação de meios, tantos os avanços tecnológicos alcançados nas últimas décadas quanto questões culturais, sociais e ambientais que hoje integram a agenda pública do país: educação, capacitação para o mercado, conduta ecológica, responsabilidade social, dentre outras.

O Museu do Automóvel em seu endereço nobre, o Eixo Monumental
O Museu, segundo seu Curador, o consultor e jornalista Roberto Nasser, tem postura clara: ir à sociedade para mostrar-lhe como o automóvel, em especial o carro brasileiro, não é um meio de transporte superado economicamente pelo peso dos anos. Ao contrário, é o ente que liga por fatos, lembranças e histórias, a história pessoal de cada um. É o elemento principal de um cenário, em torno do qual podem-se perceber os valores da época de sua fabricação: o momento social, pelo gosto e pela moda; o direcionamento econômico do país; o patamar tecnológico. Por isto, enfatiza, “ – o Museu não é um depósito de carros aprisionados por falta de espaço.” Para o Curador, “ - Não são itens dispersos. Ao contrário, formam a cultura automobilística, integram a cultura contemporânea“.
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Década de '60: elevada auto estima, pelo primeiro Campeonato Mundial de Futebol, a Bossa-Nova, a construção de Brasília, o crescimento do país ditava moda arejada e colorida – como os Simca '60.
A operação do Museu baseia-se em exposições em torno de um tema, e a história que o envolve com carros nacionais. Cinco por ano. |
A operação do Museu baseia-se em exposições em torno de um tema, e a história que o envolve com carros nacionais. Cinco por ano.
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“ Carros que Fizeram Brasília “ .
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Exposição de inauguração, a epopéia
da construção da Capital e os veículos
que dela participaram |
A vertente educacional e de capacitação do Museu do Automóvel tem três núcleos:
- atualização de profissionais de reparação automobilística, apresentação de novas tecnologias, e um posto-escola para formar mão de obra para os 310 postos de re-abastecimento que operam na Grande Brasília;
- outro, troca de experiências entre profissionais da área e estudantes;
- o último, troca internacional com museus e associações, de informações sobre legislação e de convívio entre autoridades e antigomobilistas .
O maior projeto é a construção de réplica do Quadricycle , o primeiro feito por Henry Ford. Com autorização e cessão de desenhos pela matriz Ford Motor Company; apoio da filial brasileira; através de convênio firmado entre a Fundação e o SENAI/DF, o projeto é exercício educacional aos alunos da entidade, aplicando métodos modernos, computação, simulações, como se fosse a construção de um veículo atual, embora seguindo a tosca receita original de Ford.
Do Quadricycle existem no mundo apenas dois exemplares: o autêntico e uma réplica, no Henry Ford Museum, em Detroit, EUA.
Quadricycle |
No varejo, o Museu oferece cursos para ensinar a jovens sem definição profissional a lavar e polir veículos corretamente. Os cursos, graciosos, apresentam processo, produtos e técnicas básicas, e capacitam os alunos a prover sua sobrevivência prestando um bom serviço. Em patamar diferente, o Museu trouxe a Brasília o designer e construtor Toni Bianco, que proferiu aula para os alunos do IDA – Instituto de Artes da Universidade de Brasília – sobre construção de veículos. |
aula de lavar e polir veículos ... ... e o designer Bianco ensina alunos da UnB
Operacionalmente o Museu do Automóvel em Brasília expõe sua vocação social: utiliza apenas papel reciclado e reciclável, e na restauração dos veículos de seu acervo, emprega materiais não ofensivos ao meio-ambiente.
Em ponto maior, mantém acordo com a Secretaria COMPARQUES. É a única entidade privada a captar baterias automobilísticas e pneus para descarte ecologicamente correto.
Como direcionamento social o Museu reservou as sextas-feiras para visitas de público da Melhor Idade, cadeirantes, internos da Rede Sarah, e de estudantes

Visita de estudantes - Dia de festa.
Para o governo federal, o Museu é a referência formal para veículos antigos. À cidade, pólo de atração cultural, histórica e turística. A colecionadores, poderoso auxiliar para localização de informações, partes e serviços. Para antigomobilístas, promove reuniões de colecionadores, e de aficionados por marcas específica
Encontro de Alfas
A área expositiva do Museu tem 1.000 m2, abrigando de 25 a 30 veículos em espaço confortável à visualização de detalhes. Conta também com a maior biblioteca especializada no país, aproximadamente 5.000 fontes de consulta, que auxiliam antigomobilistas, escritores, historiadores, jornalistas especializados e autoridades governamentais em dúvidas sobre marcas, modelos, produção e especificações de veículos.
Cedido por seu Curador, o acervo foi recentemente ampliado por doações dos jornalistas especializados Waldyr Figueiredo, JR Mahar e José Luiz Vieira, além de agregar a biblioteca do piloto e construtor brasiliense Ênio Garcia, presenteada pelo Grupo Gasol de distribuição de petróleo.
Biblioteca, a maior e aberta ao público
A infra-estrutura, a localização privilegiada, o foco específico nos veículos nacionais, o situar-se em Brasília, a especialidade profissional do Curador, e as facilidades, fazem do Museu local para eventos de diferentes portes: dos encontros e mesas-redondas para a discussão dos temas atuais da indústria automobilística; aos lançamentos regionais de modelos e versões; reuniões empresariais; exibição de produtos; palestras e demandas da comunidade.
O Museu do Automóvel também recebe veículos importados para contar suas histórias, e o acervo das exposições temáticas é fomentado por automóveis de colecionadores de Brasília e de outros estados.
Simca Tufão '64, do Museu de Tiradentes, MG, cedido ao Museu do Automóvel
Museu do Automóvel
SGON Quadra 1, número 205
70.610-610 – Brasília, DF
funcionamento: 3as. a domingos, das 11h às 18h
tel. (61) 3225.3000 fax (61) 3225.5511
dúvidas, idéias, doações, críticas e sugestões, escreva para o Curador curador@museudoautomovel.org.br
O Museu do Automóvel reúne a essência da implantação da indústria automobilística nacional:
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| Aero-Willys 1 962 – absolutamente original e com apenas 6.000 km; |
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| Brasinca GT 4200 1 965 – o mais avançado dos nacionais, em 76 unidades; |
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| Fórmula 3 Willys Gávea 1 965 – exemplar único. Projeto Toni Bianco, no Departamento de Competições da Willys-Overland para Wilson Fittipaldi Jr na Temporada Sul Americana de 1 966; |
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| Lumimari Malzoni GT 1 966 – versão luxo, o avô do Puma. Feitos +- 40; |
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| DKW Vemag Fissore 1 966 – o Brasil ditando tendências; |
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| FNM Onça 2.000 1 967 – nacional por Rino Malzoni. Melhor dos três restantes; |
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| Willys Itamaraty Executivo 1 967 – única limousine nacional, em 23 unidades |
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| Rural Willys IFS Luxo 1 967 – suspensão dianteira independente por balanças, e transmissão com 4 marchas, exclusividades nacionais; |
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| FNM 2.000 versão TIMB 1 968 – raro e caro. Ou caro e raro ? Restaram 2; |
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| Chrysler Esplanada GTX 1 968 – 10 unidades, única conhecida deste ano; |
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| VW SP 2 1 973 – exemplar absolutamente original; |
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| Alfa Romeo 2.300 1 974 – motor no.1, chassis no.15. Primeira unidade vendida; |
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| Ford Landau 1 982 – a última unidade utilizada por Presidente da República; |
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| Ford modelo T 1 919 – o conhecido Ford-de-Bigodes em rara versão Sportsman , da Indústria Luiz Grassi & Irmão, a primeira montadora brasileira. |
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| Ford modelo T 1 926 – com motor preparado para corridas, com tecnologia e peças de época. Montado no Brasil. |
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Amílcar CGS 1 924 – cicle-car francês empregado em corridas. Carroceria em madeira, leve, de boa engenharia, era chamado “Bugatti-de-pobre” .