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Homenagem ao Jovem Antigomobilista - Novembro 2007 |
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Além de lindíssima é inteligente tem um coração maravilhoso e para completar é uma jovem antigomobilista de mão cheia, tanto que é presidente do GATAC – Garotos de Tempo Auto Clube. Por este motivo e muitos outros l o Portal AutoClassic com muito orgulho no mês de novembro, homenageia a jovem Joyce Ohswald .
Conheça a história, com certeza você vai se encantar com esta Jovem antigomobilista de ouro!

Olá! Meu nome é Joyce Ohswald, tenho 23 anos e sou de Campinas-SP. Sou uma entusiasta dos veículos antigos e posso dizer que a genética teve grande peso nesse meu gosto! Mas para entender o caminho pelo qual cheguei ao chamado antigomobilismo, preciso começar contando uma outra história.
Antes mesmo de eu nascer, houve uma conversa entre meu avô e meu pai; ambos conversavam sobre carros e meu avô esboçou um saudosismo especial por um Ford Phaeton 1936 que ele tivera quando meu pai ainda era criança. Percebendo que meu avô realmente sentia algo especial por aquele carro, veio a primeira proposta “indecente”: que ambos procurassem por um Ford 1936 exatamente igual àquele.
A princípio, meu avô achou uma loucura interessante; no entanto, achar tal veículo em bom estado de conservação seria uma proeza (e dificuldade) e tanto! Mas parece que meu pai já tinha a idéia fervilhando há algum tempo, pois ele sugeriu que procurassem pelo carro no melhor estado de conservação possível e o restaurassem, segundo a impecabilidade alemã do meu avô. A loucura adquiriu, então, um gosto ainda mais especial e irresistível, e ambos saíram à caça daquele sonho.

Joyce é a menorzinha com seu primo Murilo, e sua irmã Lillian. Criançada fazendo festa no chassi do Ford 1929
Após o achado do Ford Phaeton 1936 e a continuação da peregrinação por peças e informações sobre o carro, meu pai e meu avô acharam também um solitário Ford Roadster 1929 recostado à sombra de uma árvore. Naquele momento, surgiu o sentimento de solidariedade e simpatia para com aquele “bom velhinho”, que foi parar na oficina do meu avô, também no ano de 1980.
Quatro anos depois, eu nasci e como você pode imaginar, já tínhamos dois carros perfeitos...para se iniciar uma restauração primorosa! Sendo assim, nasci e cresci em meio a chassis, latarias, motores, galões de gasolina de aviação e testes de rodagem a cada etapa concluída da restauração – longos anos, inclusive pela dificuldade de se adquirir peças naquela época (hoje as coisas são bem mais práticas) e pelo perfeccionismo do meu avô e do meu pai!

Nossa jovem antigomobilista, Joyce Ohswald com apenas 3 anos de idade no capô do belo Camaro 74
Era uma alegria visitar meus avós: eu e minhas duas irmãs vibrávamos ao ver aqueles “brinquedões” sendo montados e a gente fazia parte de tudo aquilo! São vários registros fotográficos da criançada junto aos carros quando eram apenas chassi e motor. E há outras histórias no meio do caminho...
Quando eu tinha 3 anos de idade, meu pai decidiu vender a Puma conversível que tínhamos e eu e minhas irmãs combinamos de deixar registrada nossa tristeza em nos desfazermos daquela belezinha. Na última foto de recordação do carro, dá pra ver três cabecinhas loiras no “banco de trás” fazendo bico para a câmera fotográfica. Mas logo essa tristeza toda passou, quando meu pai chegou lá em casa, dias depois, com um belo Camaro 1974 vermelho! Fui a primeira a sair na foto, sentada sobre o capô, com um sorrisão de contentamento. Esse carro também deixou saudade...e enquanto isso, restaurávamos os Fords.

Joyce com seu pai antigomobilista - Marcos Paulo Ohswald Junior.
Em paralelo, minha mãe, também entusiasta dos carros antigos, foi estudando e desenvolvendo com grande criatividade a importância grandiosa e inerente ao antigomobilismo: mais que obras-primas da engenharia e da (r)evolução industrial, os veículos antigos são fotografias cinéticas das lembranças humanas ao longo do tempo. Basta você olhar uma vez para uma dessas preciosidades e, olhando, observar e imaginar o que aquele veículo representou para sua época...que pessoas andavam nele...como se comportavam...Foi assim que minha mãe iniciou um estudo sobre moda e comportamento de época, reforçando os detalhes da década dos nossos Fords. E lá íamos eu e minhas irmãs, junto com minha mãe, vasculhando em livrarias a literatura necessária, enquanto meu pai e meu avô vasculhavam detalhes dos carros em manuais e livros. E cada descoberta era apresentada e intercambiada entre as duas “frentes de trabalho”.
Logo que os carros ficaram restaurados à perfeição, no início da década de 90, passamos a ser identificados nos eventos como a família Ohswald, que se vestia a caráter, pois adequávamos nosso figurino e nossos modos de acordo com o carro com o qual participávamos da exposição.
Austin Healey Sprite Bugeye 1960 o xodó e sonho de consumo da nossa homenageada
Por isso, para mim, o antigomobilismo é mais que o carro em si: é a sua beleza, seu design, seu desempenho, mas também sua representatividade para a época em que foi concebido e as memórias que passam a ser intrínsecas a ele! Por exemplo, no desfile em comemoração aos 450 anos da cidade de São Paulo, fui dirigindo o Corcel 1971 vermelho cardeal – desde 0km da família e o primeiro carro em que aprendi a dirigir – e cobri meus cabelos com um lenço, para não embaraçá-los ao vento e, obviamente, para dar um charme retrô àquele desfile. No momento de estacionar, fui abordada por uma mulher que, comovida, veio me parabenizar, pois eu estava lhe propiciando um resgate de belas lembranças: foi num Corcel igualzinho àquele que seu marido a levava para passear pela cidade nos tempos de namoro...e até o lenço endossou (e adoçou) a recordação. Ouvir depoimentos como esse tem um valor inestimável para mim!
É verdade que a origem do antigomobilismo é essencialmente masculino, mas nos estudos de época que fazíamos em casa, sempre encontrávamos histórias sobre mulheres que se destacavam no assunto. Por exemplo, foi graças à esposa de Karl Benz que seu veículo obteve reconhecimento do público, pois ela se “atreveu” a fazer uma viagem de um dia com o veículo de motor monocilíndrico desenvolvido pelo marido.
Acredito que mais que o preconceito por ser mulher, existe a surpresa de ver pessoas de pouca idade realmente interessadas no assunto. É evidente que muito tem chamado a atenção da participação de mulheres nos eventos de automóveis antigos nos últimos tempos, mas acredito que o papel feminino não deve ser restrito a tornar o mundo e os carros cor-de-rosa, literalmente.

Joyce com suas irmãs Vanessa e Lillian e com sua mãe Elsie.
Hoje acredito ser mais válido discutir a postura e o papel do antigomobilismo como preservação da história da humanidade do que instaurar a participação da mulher no hobby através daquele clichê barato da mulher espalhafatosa ou da “mulher-macho” – é terrível escrever assim, mas é fato que essas impressões ainda existem. Olhar para o hobby sob essa perspectiva é muito limitante.
Muito provavelmente por influência dessa genética ferruginosa, hoje trabalho em consultoria especializada no setor automotivo e tenho a grande felicidade de conhecer novos entusiastas do antigomobilismo, aprender ainda mais sobre carros e encontrar mais do que o preconceito: a surpresa pelo inesperado! E é justamente esse gostinho que se tem ao ter um carro antigo: há um quê de surpreendente! E isso vale a pena! No antigomobilismo, fazemos amigos, independente da diferença de idade, e aprendemos a apreciar as máquinas e os passeios fantásticos que elas nos propiciam: desde um passeio elegante a la belle époque numa Bugatti conversível até a superlotação de 16 adultos em uma Kombi ambulância!

Joyce Ohswald - Presidente do GATAC, com membros do clube em dia de provas - Aguas de Lindóia 2006
Em 1998, com o apoio da Federação Brasileira de Veículos Antigos e a Sociedade Feminina de Automóveis Antigos, surgiu o GATAC – Garotos de Tempo Auto Clube. A iniciativa partiu de um pequeno grupo de adolescentes muito amigos que sempre participavam dos grandes eventos nacionais e nosso intuito era propagar esse sentimento especial pelos veículos antigos para os filhos de outros colecionadores. Foi assim que passamos a colaborar em grandes eventos, realizando o famoso Baile de Garagem, um resgate dos bailinhos dos anos 50, e gincanas e rallies de regularidade. No entanto, apesar do empenho de muitos, com mais ou menos sócios, o clube sempre foi, na verdade, formado pelo mesmo núcleo inicial – os mesmos adolescentes do início com o apoio e participação de muitos pais colecionadores. 
E falando nisso, se por um lado a expansão do número de clubes voltados para o hobby tem aumentado a cada ano, passou também a surgir um certo desapontamento quanto aos desentendimentos constantes entre clubes e associações por conflitos de interesses e disputas por datas para realização de exposições. Minha tristeza é que vejo que esse clima de disputa entre clubes só tem enfraquecido e abalado a estrutura de muitos eventos; posso dizer como uma “veterana jovem” no ramo que por mais que as exposições tenham crescido em números efetivos de participantes, também cresceu o desconhecimento e até falta de respeito e consideração por pessoas que tiveram e tem um papel importantíssimo para a consolidação do hobby em nosso país – questionar o nome de Roberto Lee por denominar um dos prêmios máximos do antigomobilismo foi apenas uma das constatações que pude fazer nos últimos tempos.
Seria injusto citar apenas um ou outro nome, mas peço licença e gostaria de frisar a importância que os saudosos amigos José Aurélio Affonso e Everardo Cosme tiveram para a força do GATAC. Foram pessoas que sempre apoiaram a participação de toda a família no hobby, e vinham dando grandes colaborações e apoio especial nos últimos anos para a participação das crianças, adolescentes e jovens. Infelizmente não contamos mais com eles no plano físico, mas seu engajamento está presente diariamente na memória daqueles que os conheceram.
Minha maior conquista – e também desafio – foi presidir o GATAC desde 2002, contando com o apoio de muitos colecionadores e colecionadoras. Atualmente, tem sido difícil conciliar a vida profissional intensa com as funções da presidência do clube, o que o deixou em um estado latente de atuação. Passamos, então, a preferir atuar nos eventos já existentes, participando e marcando presença, divulgando-os às pessoas interessadas, em vez de disputarmos datas para realizar encontros em paralelo.
Pude aprender muito em todos esses anos de presidência e o mais importante: mais do que pelo clube, os amigos e os entusiastas do hobby continuam se encontrando nos eventos e isso é muito gratificante e maravilhoso! Seja através da bandeira de um clube ou pessoalmente, acredito na importância que cada colecionador tem de disseminar o hobby, sua importância e a história do antigomobilismo no Brasil entre outras pessoas interessadas. Assim, trazemos novos colecionadores para o hobby, mas os trazemos com massa crítica e respeito uns pelos outros, e acredito que esse seja o objetivo das confraternizações entre máquinas e seres humanos.

Tenho dificuldades em eleger apenas um veículo antigo como favorito, mas posso dizer que de modo geral, os esportivos mexem comigo! Tanto que estou superempolgada com a última visita que fiz ao funileiro: a mais recente aquisição lá de casa, um Triumph Spitfire 1968, acaba de passar para a próxima etapa de pintura e montagem e está cada vez mais próximo de ficar pronto, todo original! Mal posso esperar para rememorar os tempos revolucionários da década de 60!
Para concluir, tenho grandes amigos que conheci através do hobby. São amizades que transcendem idade e marca do veículo, mas que tem em comum o gosto pelo raro, pelo surpreendente. Transcendem o tempo, assim como as preciosidades que guardamos com tanto carinho em nossas garagens. E é isso que alimenta, de fato, o antigomobilismo!

A jovem antigomobilista homenageada - Joyce Ohswald
O Portal AutoClassic parabeniza a grande jovem antigomobilista Joyce Ohswald por sua determinação, dedicação e amor ao antigomobilismo.
Um forte abraço,
Teresa Gago
Portal AutoClassic
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