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O Portal Autoclassic, no mês de Maio, tem a honra de homenagear um dos maiores Jovens antigomobilistas do Brasil... Desde muito menino ele  traz em seu peito  uma enorme paixão  pelos clássicos e antigos, paixão essa que a cada  momento mágico que vive no antigomobilismo,  só aumenta..  Ele é - Atos Fagundes!

Este   jovem antigomobilista, dono de muita perseverança, fibra, raça é responsável pelas  revistas de clássicos mais famosas do Brasil: Classic Show e "A Biela"...

Preparem a pipoquinha e puxe uma cadeira, pois Atos Fagundes tem muita história interessante para nos contar.


Meu nome é Atos Fagundes nasci na cidade de Ijui no noroeste do estado do Rio Grande do Sul no dia 15 de dezembro em um ano qualquer rsrsr. Sou um dos diretores da Fagundes Editora LTDA que produz a Revista Classic Show (da qual sou um dos editores) e recentemente a Revista A Biela. 



Meu interesse pelo Hobby nasceu comigo, está no sangue e pode se dizer que sou um “antigomobilista de nascença", como vários outros que conheço. Desde pequeno com meus 2 ou 3 anos já gostava dos carros diferentes que via pela rua na época.

No inicio dos anos 80 em especial aqui no interior do estado haviam muitos veículos antigos dos anos 50 e 60 rodando. Meu pai, Wilmar Hormercher Fagundes é um apaixonado por automóveis que trocava de carro como quem trocava de roupa.... Para se ter uma idéia até os meus 4 anos depois de um Corcel 2 portas 1973 (o 1º automóvel da familia) devem ter passado por nossa garagem uns 10 carros diferentes entre Fusca, Brasília, Opala e outros Corcel.

Atos Fagundes a direita e o seu sócio (Hoje) Lucas a esquerda sob o Corcel de seu pai. o primeiro carro da familia....


Era meu pai que me ensinava o nome daqueles carros que eu via passar pela ruas e com meus 3 anos já sabia o nome de todos os automóveis mais tradicionais como Simca Chambord, Aero Willys, Galaxie, Gordine, Vemaguete etc....Nessa época quando eu começava a chorar por um motivo ou outro a única coisa que me acalmava era quando minha mãe (Lourdes) me colocava dentro do carro do meu pai para fazer de conta que estava pilotando. Quando eu via um ferro velho então... eu entrava em desespero, até que me levassem para ver de perto.

Quando eu tinha uns 4 anos meu pai tinha um Corcel 1976 branco e quando passávamos em frente a um ferro velho minha mãe me agarrava pelo braço bem firme no banco de trás, pois quem já andou de Corcel sabe que é um dos únicos carros da época em que as janelas traseiras abriam totalmente..certamente o medo de minha mãe é que eu ebrisse a janela e pulasse pra fora do carro...Meus brinquedos eram carros, minhas brincadeiras sempre envolviam carros e uma das que eu mais gostava era fechar os olhos adivinhar pelo barulho do motor o carro que estava passando na rua...isso naquela época que cada um tinha seu barulho característico, hoje...são quase todos iguais e há uma quantidade de modelos gigantesca.

O primeiro automóvel de Atos Fagundes

Outro motivo de alegria era na hora de comprar pão, pois minha escolha do estabelecimento recaia justamente sobre um antigo armazem bem tradicional cujo dono tinha uma Vemeguete marrom estacionada na garagem. Enquanto meus pais faziam as compras lá estava eu hipnotizado pela Vemag.

Como Atos Fagundes começou sua coleção..

 Nos anos 90 meu pai abriu uma loja de automóveis e como era de se esperar comecei a trabalhar com ele. Várias vezes por mês íamos à capital Porto Alegre comprar veículos com preço mais em conta para vender em nossa região. Nessas viagens eu comecei a notar um carro estranho meio escondido no jardim de uma casa na beira estrada. Certo dia paramos para averiguar. Tratava-se de um Opel Olympia 1951, todo original, e que para minha alegria...estava a venda.

Decidi que aquela raridadezinha tinha que ser minha...porem não tinha todo o dinheiro naquele momento. Levou algumas semanas para juntar o valor até chegou o grande dia! Saímos cedo e rodamos uns 300 Quilômetros até chegarmos na casa onde estava o Opel mas quando chegamos o impossível havia acontecido...o carro tinha sido vendido no dia anterior! Não é preciso dizer que fiquei com vontade de....bom...nem é bom comentar. Isso foi “um balde de água fria” pra mim e realmente fiquei muito bravo. Mas o que eu não sabia é que isso seria a melhor coisa que poderia me ocorrer pois no desespero de encontrar outro carro para a compra sai por varias partes do estado e conheci pessoas fantásticas, fiz grandes amigos e entrei de verdade no meio antigomobilista.

Em 1996 conheci o Sr Mário, um colecionador de Porto Alegre que estava se desfazendo de parte de sua coleção e havia anunciado em um Jornal da capital. Chegando no galpão onde estavam cerca de 80 carros para restaurar para minha enorme surpresa eu avistei em um canto um Opel Olympia 1951!!!Nem olhei para os Cadillac, Buick e Mustang ao lado e fui direto ao “Opelzinho”. Vendo minha empolgação com o velho Opel que nem motor tinha e para minha maior surpresa o Sr. Mario me presenteou com o carro...nem acreditei que ganhei um carro de presente, fiquei muito emocionado e até hoje sou muito grato.

Opel Olympia 1951 - O Primeiro veículo antigo de Atos Fagundes

Como ainda tinha dinheiro disponível ainda comprei um Ford Prefect 1951 e um Opel 1964 do Sr. Mario na mesma semana...não me perguntem por que não comprei um Buick ou um Mustang...eu estava na fase dos carros exóticos. Todos esses carros depois foram vendidos já que na época não encontrei uma empresa que fizesse uma restauração contento...o que hoje tenho a alegria de ter a disposição.  

Clubes de Veículos antigos..

Como resido a 400 Quilômetros de Porto Alegre e em nossa região não há muitos clubes de automóveis antigos, isso fez com que por vários anos eu tenha evitado em me associar devido a impossibilidade de participar ativamente. Porem com as viagens constantes para fazer as reportagens da Classic Show me aproximei mais de várias associações do meio. Oficialmente sou sócio do Veteran Car Club de Novo Hamburgo-RS, mas tenho um carinho especial por vários outros clubes como: SCAA (Sociedade Caxiense de Automóveis Antigos), Fusca Clube do Rio de Janeiro, CAAMP de Curitiba, Veteran Car Clube de Porto Alegre, São Marcos,Minas Gerais, Florianópolis e Curitiba onde tenho vários amigos.         

Sobre o Primeiro Encontro...

Meu primeiro Encontro de Veículos antigos foi em 1997, mas não levei carro. Eu não me lembro o mês, mas eu havia tirado a minha carteira de habilitação naquela semana...e para comemorar convidei dois primos e fomos a um evento na cidade de Bagé RS há uns 500 Km de Ijui.

Atos Fagundes com amigos no Uruguay... Fazendo uma
"importação forçada"

Saímos de madrugada pegamos tanta chuva que era quase possível rodar... Mas valeu a pena pois ali conheci o Sr. Rafael Tambasco um profundo conhecedor de automóveis com quem aprendi ainda mais sobre o assunto que tanto gostava (e gosto). Foi o Sr. Rafael que me levou a primeira vez ao Uruguai, país que adoro tanto.

Sem saber ele estava colaborando para o nascimento da Revista...já que as fotos que tirei nessa viagem foram utilizadas na edição numero 01.

O Perfil de Atos Fagundes como colecionador de veículos antigos

Bom nesse aspecto sou categórico, pois gosto pessoalmente de originalidade extrema. Meu maior prazer e creio que de boa maioria dos antigomobilistas é a busca pela restauração original, a procura pela peça certa que se encaixe como uma luva no local em que deveria estar. Pra mim seguir as características originais de um catalogo da marca em uma restauração é como seguir um mapa do tesouro que só será encontrado se este for seguido passo a passo.

Isso é história e cultura. Sei apreciar um Hot Rod bem feito, e fico bem entusiasmado vendo as criações que tem saído da mente dos Brasileiros nos últimos anos em especial de Curitiba e São Paulo. Em Lindóia desse ano tivemos uma boa idéia da qualidade de nossos Hot Rods que não perdem em nenhum aspecto para os feitos nos EUA. O que não gosto mesmo são os “meio-termos” ou seja não é Hot, Street, e nem original, são carros com um toque pessoal exagerado do dono, que  sequer podem participar de uma premiação seja como Hot ou Original e...nem mesmo podem ser fotografados para uma revista. No final ficam marginalizados no meio. 

LTD 1979 sendo restaurado...
Restauração para Atos Fagundes tem de ser original

Tentei pensar em um bom exemplo disso e me veio na cabeça um Maverick Super Luxo 1975 personalizado como um GT. Até ai tudo bem, pois se bem feito o efeito estético é muito bom, o problema é quando pegam um Super Luxo 1975 transformam em um GT com o capô e faixas decorativas do 1977 grade do 77 com emblema central e sinaleiras traseiras do 1975, bancos elétricos de “Tempra”e parachoques envolventes der algum outro carro atual, é uma mistura muito grande sem levar em conta nenhuma tendência ou estilo.....carro assim pra mim é um Frankestein.

Já vi carros fantásticos com uma restauração muito boa mas que pecavam no acabamento de gosto duvidoso. Um carro antigo por si só já é uma obra de arte, as modificações em minha opinião não podem ser exageradas, os cromados por exemplo, devem ser valorizados e não pintados da cor do carro, note que hoje eles estão de volta a moda, veja a profusão de cromados do Ford Fusion, Citroen C4 Pallas, e o próprio Fiat Siena novo...eles estão se inspirando em alguma coisa não é? Mas veja tudo isso é uma opinião pessoal, pois cada um faz o que quer com o seu carro, o importante na verdade é estar feliz com o seu antigo.

Quanto aos meus carros, sou de fases. Já tive a fase dos micro-carros, dos nacionais esportivados, dos anos 50 e até encontrar o meu perfil certo devaneei muito. Sou apaixonado pelos automóveis norte americanos dos anos 70, gosto e carros grandes tanto para uso diário como para coleção. Beneficiado pela portaria 370 que permite a importação de automóveis antigos com mais de 30 anos trouxe dos EUA um Cadillac Eldorado 1973 e um Mercury Marquis 1969 conversível (ambos até esse momento estão no porto de Santos aguardando a liberação).

O Mercury Maquis 1969 de Atos Fagundes,
quando pronto ficará igual a este.

Tenho ainda em minha coleção um LTD 1979 que foi capa da edição 38 da Classic Show, um Maverick GT 1978 e uma Belina Luxo 1970 daquelas com a lateral externa revestida em Jacarandá.  Já fui chamado de “bobo” por isso mas tenho uma grande preocupação em preservar  os importados norte americanos dos anos 90, de marcas como Chevrolet , Buick,Ford, Lincoln, Saturn etc..que entraram no pais em pequenas quantidades, e dos quais pouco se sabe. Esses, juntos com os automóveis nacionais dos anos 90 serão os antigos de amanha e nos últimos anos tenho tido a possibilidade de adquirir alguns para meu acervo como Jeep Grand Cherokee 1993, Ford Crown Victoria Police Interceptor 1992, e Ford Taurus LX 1995. Quem guarda hoje....tem amanha.         

O preferido de Atos Fagundes...

Como já disse, sou de fases...no momento meu Xodó é um carro que ainda não faz parte de minha pequena coleção, é um Jaguar E Type Coupé 2+2 1969. Embora não seja muito chegado a carros ingleses gosto muito do desenho dessa carroceria, pra mim é a melhor combinação de estilo e aerodinâmica.  Outro carro que posso considerar meu Xodó e que espero que logo faça parte de meu acervo é um carro um pouco incomum. A Station Wagon Mercury Colony Park 1970, uma enorme perua norte americana que me lembra muito minha infância quando assistia a Sessão da Tarde e via esses automóveis nos filmes...uma pena que geralmente acabavam destruídas em algum acidente....   

O veículo antigo preferido de Atos Fagundes

 

Sobre as conquistas antigomobilísitcas de Atos...

Sem duvida as maiores conquistas que tive foram as amizades, essas não tem preço. Tenho amigos em varias partes do mundo, de donos de cadeias de Shoppings Centers a Taxistas todos envolvidos em uma só paixão, e só uma família como o antigomobilismo é que possibilita isso. Uma grande conquista profissional foi ter unido ainda mais essa família através da Classic Show, que se transformou uma ponte entre vários grupos de antigomobilistas que eram como ilhas isoladas nos anos 90. A Revista aliada também a popularização do antigomobilismoa pela internet tem dado um grande impulso ao setor que até o ano de 2000 apenas engatinhava.     

O sonho de Atos Fagundes no antigomobilismo 

Tenho muitos sonhos no antigomobilismo , mas entre eles há um que quero realizar em breve: viajar aos EUA, comprar um conversível dos anos 70, daqueles bem “usados” com as marcas do tempo e rodar com minha esposa Fabiana por toda a Route 66 de Los Angeles a Chicago... E depois é claro exportar o carro para o Brasil. Falando isso outro grande sonho meu é um que compartilho com todos os antigomobilistas: que as importações de automóveis antigos se popularizem ainda mais no meio possibilitando um incremento ainda maior em nossa frota de raridades...

Atos Fagundes pilotando um Cadillac Eldorado 1956

No momento não estou restaurando nenhum carro..mas logo pretendo colocar mais um “na linha de montágem" .

Alegrias no hobby...

Mais uma vez volto as importações...minha maior alegria foi a possibilidade de importarmos carros antigos do mundo todo.

Família no hobby

Graças a Deus eu tenho a maior sorte do mundo em ter uma esposa que também adora automóveis antigos, enquanto muitos antigomobilistas tem que ter o “galpão secreto”para guardar seus carros, minha esposa é uma grande apoiadora do hobby e minha companheira de ferros velhos. Meus pais também não ficam de fora, minha mãe inclusive trabalha em nossa empresa.   

Veículos Nacionais...  

Opa! Tai um assunto que eu gosto. Em relação a carros nacionais tenho uma queda especial pela linha Ford, (Maverick, Landau, Corcel) talvez tenha herdado isso de meu pai que teve cerca de 30 carros da marca até hoje. Um dos carros de minha pequena coleção que tem a história mais curiosa é justamente um nacional.

A Belina Luxo 1970. Nos anos 80 eu encontrei em um velho livro escolar de meus pais um desenho de uma estranha Belina com as laterais escurecidas. Devido a impressão precária não dava para se ter uma idéia exata do que seria, mas recortei aquele desenho e colei em um caderno em que colava imagens de automóveis(todo antigomobilista de nascensa teve um). Fiquei bem curioso sobre aquele carro e perguntava para meus tios sobre a existência alguma Belina com laterais revestidas ou pintadas de uma cor diferente porem, ninguém sabia de nada.

Belina 1970 - semi desmontada... Essa tem história,
logo ela entra para a restauração!

Em 1989 vim, a descobrir através de uma revista antiga que era uma versão especial do carro, muito rara que vinha com um adesivo vinilico imitando jacarandá por toda a lateral externa e traseira, bem ao estilo das station-wagons americanas. A partir daí sonhava em encontrar um carro como esse, mas imaginava que seria uma tarefa difícil dado a baixa produção.

Em 2001 já bem, conhecido na região como um apreciador de automóveis antigos, muitas pessoas me ligavam para fazer a avaliação de algum veiculo que tinham a venda, e certo dia uma ligações que recebi me chamou a atenção. Um jovem de minha cidade me ligou dizendo que tinha uma Belina que havia herdado de seu pai falecido e pediu minha opinião sobre transformar o carro em um Hot Rod. Lhe falei que uma Belina não combinava muito com o estilo Hot e ele me deu razão dizendo: “Você tem razão, acho melhor eu vender, mas será que alguém vai querer este carro, pois ele é muito feio, tem até umas fórmicas de cozinha grudadas na lata e..” O interropí abruptamente: “Fórmicas de Cozinha??” “Sim, um revestimento que parece madeira nas laterais muito feios!” Disse ele.

Eu vislumbrando uma vaga possibilidade de ser uma “certa Belina” completei: “Sim, realmente essas Belinas são terrivelmente feias..mas me de o endereço de sua casa que vou ai ver de perto, quem sabe posso saber alguém que queira”. Mais que depressa fui conferir e tive uma dupla surpresa pois não só era uma Belina Luxo 1970 com as laterais em jacarandá como estava parada há vários anos a 5 quadras de minha empresa. Não é preciso dizer que comprei a “Belina de Cozinha”na hora...na verdade não deu 30 minutos entre a ligação e o carro estar em minha garagem. O carro ainda aguarda restauração pois outros que vieram depois...furaram a fila.  

Atos Fagundes sente saudades do seu Maverick 1976

Sobre Eventos internacionais...

A Autoclasica Argentina pra mim é um espetáculo a parte e mostra bem o gosto diferenciado dos argentinos pelos automóveis.

Esse é um dos poucos eventos estáticos desse país, já que para nossos hermanos os mais tradicionais são os rallyes e raids onde carros como Rolls Royce, Lancia e Bugatti são colocados em todos os terrenos.

Sobre os eventos de carros antigos no mundo...

Se fosse citar os 10 melhores eventos do mundo com certeza o de Águas de Lindóia, Araxa e a Autoclasica Argentina estariam entre eles, mas creio que o melhor em qualidade seja Pebble Beach realizado na Califórnia e o maior o de Hershey realizado na Pennsylvania. Todos esses eventos que devem estar no calendário de um antigomobilista...pelo menos uma vez na vida.  

Regionalização de Eventos..

Esse é um assunto bem delicado que prefiro nem comentar muito mas...vou arriscar dar uma opinião. Creio que o mais importante é definir uma data que não seja conflitante com outros eventos em uma mesma região. Quando um evento é realizado simultaneamente em São Paulo e outro no Rio Grande do Sul por serem estados distantes não vejo maiores problemas, a não ser que conflitem com um evento de hambito nacional, pois isso dispersa os antigomobilistas e literalmente os deixa...com dois corações.

Sobre a famosa revista de clássicos e antigos - Classic Show

Decepções e alegrias...

Essa é uma longa história. Para falar sobre a Revista Classic Show precisaria de páginas e mais páginas. Resumindo: Íniciamos em 1999 em uma garagem com 3 computadores, 1 maquina fotográfica emprestada de minha mãe, um carro emprestado de meu pai outro do pai de meu sócio Lucas  Fagundes, muita coragem e vontade de vencer.

Clique na imagem para acessar o site da
revista Classic Show

Hoje graças a Deus e a essa família chamada de “antigomobilismo” temos uma editora bem estruturada com uma grande equipe especializada e colaboradores espalhados pelo mundo todo.  Mas nem tudo foram alegrias nesses 8 anos de revista, no início enfrentamos muito preconceito em relação a nossa idade.

Minha maior decepção no antigomobilismo foi lá no inicio de tudo quando ainda estávamos na 2ºedição.  Nessa época mantínhamos uma amizade “telefônica” muito grande com uma ilustre figura de nossa industria automobilística. Esse amigo se tornou um grande colaborador de nossa revista e mantínhamos longas e prazerosas conversas, via telefone.

Quando participamos em 2000 pela primeira vez do Encontro Paulista de Águas de Lindóia foi a chance de conhecer de perto muita gente que até então só conhecíamos via telefone. Quando este ilustre senhor chegou ao nosso estande e encontrou apenas dois meninos com seus 19,20 anos, perguntou: “Onde está o Sr Atos Fagundes? Gostaria de conhece-lo pessoalmente”. Prontamente lhe respondi apertando a sua mão: “Está falando com ele, muito prazer! ”O ilustre senhor pelo qual mantínhamos tanta admiração nos olhou dos pés a cabeça, deu um “até mais” e esse foi seu ultimo contato. Ficou obvio para nós que se tratava de nossa idade, e como esse vários outros “amigos” nos abandonaram.

Atos Fagundes reunido com amigos antigomobilistas

Hoje muitos nos perguntam como uma Revista feita no interior do estado do RS por pessoas tão jovens pode alçar vôo tão alto? Eu sempre digo que não importa o grau de escolaridade, nem a idade, tampouco o local que você esteja, pois o amor pelo que se faz, os amigos com quem podemos contar e a dedicação com que se trabalha é que fala mais alto...essa é a receita de nosso sucesso.                                             

Um conselho para quem inicia no hobby

Bom em primeiro lugar deve se optar por uma compra que esteja dentro das possibilidades financeiras. Se for um carro por restaurar isso é ainda mais importante, pois a escolha do modelo pode definir se você vai gastar muito ou pouco na restauração. Entre os nacionais uma boa dica para quem quer começar são os carros da linha Galaxie, no geral por cerca de R$ 14,000 pode se encontrar um veiculo em bom estado, mesmo precisando de reparos, os VW como Variant e Fusca também são uma boa opção pois tem manutenção barata e fácil obtenção de peças. Seja o carro que for lembre-se, cuide bem dele, mantenha o mais original possível sempre fazendo as manutenções corretas pois assim ele vai durar mais e ao longo do tempo vai agregar valor e se tornar até um, bom investimento.

Uma linda mensagem de Atos Fagundes para todos os antigomobilistas do Brasil...

Ser um antigomobilista de verdade é brigar pela causa, é pular do sofa quando ver algum carro antigo em um comercial de Banco ou de Celular, nem que seja só um pedacinho que seu amigo nunca vê, é abrir a porta do carro com cuidado para curtir aquele cheirinho de “carro velho”, mas também é fechar a porta com mais cuidado ainda, pra ouvir aquele barulhinho de porta de geladeira, é ficar feliz quando o carro quebra, só pra ter o prazer de arrumar de novo, é viajar ao Uruguay e ficar com dor no pescoço de tanto olhar para os lados, é visitar ferros velhos sem nem mesmo precisar de peças, é terminar uma restauração e dizer que nunca mais fará isso de novo..mas dali três meses iniciar uma outra, é gostar de gasolina, seja no tanque do carro ou impregnada na roupa nova, é comprar peças por correio sem nem mesmo conhecer quem está vendendo, é ler a Classic Show de trás pra frente só pra ver os classificados primeiro, é ter na ponta da lingua palávras como Clássico, Raridade e único no Brasil, é projetar a garagem antes da casa....

Na verdade ser antigomobilista, é tudo de bom!   
      
(Atos Fagundes)

O Portal AutoClassic parabeniza, Atos Fagundes pelo extraordinário trabalho que realiza em nosso meio... Saúde e muita proteção divina "pra ti"... Desejamos todo sucesso do qual você é merecedor, muita sorte e que seu futuro no meio antigomobilista seja ainda mais brilhante.

Um forte abraço,

Teresa Gago
Equipe Portal AutoClassic
Rio de Janeiro - Brasil
(21)3325-1235

(21)3150-3666

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