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  Homenagem ao Jovem Antigomobilista - Junho 2007

O Portal AutoClassic homenageia um Jovem que apesar da pouca idade, hoje é considerado um dos maiores além de mais respeitados antigomobilistas deste país..

Este Jovem saiu do zero em matéria de carros antigos, mas por saber  exatamente o que quer e  através de sua força de vontade,  fibra, garra, coragem e persistência  deixou de ser um “antigomobilista excluído” para chegar magnificamente a diretoria regional da FBVA – Federação Brasileira de Veículos Antigos..

Só de mencionarmos o  nome dele já relacionamos logo a veículos antigos... É um jovem antigomobilista de ouro que a meu ver é ÚNICO...  

Ele é Tiago Songa, que foi merecidamente escolhido para ser homenageado neste espaço no mês de junho...

Conheçam um pouco mais sobre a vida antigomobilística de Tiago Songa...

 


" Antes de qualquer coisa, me respondam: “Já sonharam em serem homenageados ?”

            Se pudermos entender que homenagens são formas de agradecimento a pessoas que, de certa forma, marcaram bem sua presença enquanto vivas, fica fácil homenagear alguém com 60 anos ou mais. A maioria das homenagens são dedicadas a pessoas que já morreram (as homenagens “pos morten”) e, eu me reservo a dizer que estas são, em certos casos, injustas com o homenageado. Vejam, a pessoa leva toda uma vida voltada a um belo trabalho que a sociedade só reconhece depois que não dá mais para agradecer. Ou seja, o mundo ainda espera que pessoa, mesmo já as vésperas do ocaso, sempre possa produzir.

Nesta ótica, acredito que uma homenagem feita para uma pessoa ainda viva é um ótimo momento de dizer “obrigado por tudo” e, sendo assim, muito mais valioso para quem a recebe.


            E isso, o site Autoclassic sabe fazer bem.

Aí, chega o Encontro de Águas de Lindóia e vem a Teresa Gago na noite de premiação e me diz: “Fizemos uma enquête e querem você como Jovem antigomobilista homenageado em nosso site”.

            Não poderiam ter feito isso, de forma alguma !!!

            Primeiro porque me pegaram de surpresa (eu não esperava isso tão cedo), depois porque eu fui escolhido por outras pessoas, ou seja, não foi nenhum empurrão de amigo que me escolheu por que me devia favores.

            Aí... Sabem como é... A gente se comove !!!

            Sabem, eu acabei de fazer 30 anos. Para mim é uma novidade ser um homenageado por ser um antigomobilista “de resultados”, pois, eu nem carro antigo eu tenho !!!!

            Eu não fiz nada para merecer isso !!!

            Eu apenas fui um garoto francano (Franca – SP) que, ainda no alto dos seus 16 anos, sonhava com uma “pick-up antiga, com os pára-lamas pra fora, enquanto me divertia com os antigos ferros de brasa que ganhara de minhas finadas avós." Sabem como é, eu gostava mas não entendia nada de carros antigos e nem conhecia ninguém que gostava dessas coisas.

            Minha família ? Ninguém gostava. Dinheiro para iniciar um hobby ? Não me lembro de ter tido.

            Mas o mais importante eu tinha de sobra, a vontade...

            Em 1996 (eu mandava brasa nos meus 19 anos) conheci alguns “mais velhos” que gostavam de carros antigos mas não se atualizavam muito com as novidades do ramo (sabem como é, hoje até o antigomobilismo sofre processos de atualização) e comecei a gostar “na prática” dessa nova religião.

            Meus amigos “obviamente” me gozavam, afinal eu tinha cabelos compridos, alguns piercings espalhados pelo corpo, uma tatuagem que “sai dois dedos para fora das costas” e vivia de bermudas. Quem iria me dar algum crédito, ainda mais com os meus novos amigos “mais velhos”.

Em 1997, eu já freqüentava a única oficina da cidade que concertava carros antigos, mesmo assim só se via alguns Galaxies, Mavericks e outras novidades dos anos 70. O problema não era a falta de oportunidade para estar no meio, o problema era a falta de cultura antigomobilística, nessa época, um ou outro colecionador aparecia na cidade, não havia clubes de carros antigos  na região, nessa época. Eu, então, nem bicicleta eu tinha.

            Mas eu tinha uma coisa muito valiosa, a vontade...


Esse aqui vai dar, no futuro, outra história !!!!

Mesmo assim, com estes poucos entusiastas, organizaram uma excursão para o encontro de Lindóia em 1997. Este foi o meu primeiro contato com o antigomobilismo de verdade.

Na época, eu trabalhava como vendedor em uma livraria e, em janeiro de 1998 eu tirei um mês de férias para aprender a trabalhar com funilaria (ou lanternagem, ou chaparia) com um antigo artesão da cidade. Minha vontade era de aprender a fazer algo que fosse útil a esse tal de antigomobilismo que eu tanto gostava. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde não haveria mais gente para fazer esse serviço. Era a hora de encontrar o meu lugar ao sol, era hora de ser útil para o meu hobby, era a hora de ficar famoso, de ter respeito e de ser reconhecido. Tudo que mais quer um jovem de 20 anos.

Confesso, em um mês de aprendizado, não aprendi nada !!!!  Aliás, aprendi o mais importante: A continuar tentando...

Aos olhos dos “mais velhos” eu ainda era um rapaz cabeludo, bermudão, tatuagem, brinco, sabem como é, um “fora da turma”, pra piorar nem carro antigo eu tinha, para eles eu era um pobre desqualificado.

            Mas, não posso esquecer dela, eu tinha a vontade...

            Eu ainda queria ser alguém. Mesmo que em um ambiente onde eu era totalmente um peixe fora d’agua.

            Ainda em 1998 eu ganhei um livro de um vizinho que me disse: Poxa, você gosta de carros antigos, né ? “Meu pai (Sr. Geraldo, de São Paulo) pediu para eu lhe presentear com este livro”.


Essa foto é de 1997. A Ford F-1 já me denunciava: "Ferrugem no sangue"

 

            O tal livro tem uma fundamental importância na minha vida, se chamava “O século do Automóvel no Brasil” e tem sua importância por várias razões:

  • Aprendi que o livro me proporciona uma riqueza que o dinheiro não compra, a cultura.
  • Com cultura, eu poderia saber um pouco de tudo e ser sempre consultado sobre alguma coisa, ou algum item original ou não.
  • Como o brasileiro é um preguiçoso intelectual, seria fácil eu me destacar nessa área.

            Enfim, o bendito livro se tornou o primeiro de uma biblioteca de mais de 150 obras escritas em português e cerca de 2.000 revistas. Minha biblioteca quando estiver bem formada, terá o nome do pai do meu vizinho (isso já é uma homenagem !!!!)

            Mas o livro não para por aí, a história do livro versa sobre os 40 anos da em presa que mandou publicá-lo, ou seja, a Brasinca. Na viagem por suas páginas eu descobri um carro que seria meu objeto de desejo e procura incansável por cerca de 6 anos. O Uirapuru (mas isso é outra história).

            Pois bem, meu primeiro patrimônio foi um livro, poderia ter sido um carro, como acontece com a maioria, mas acho que não era para ser assim comigo.

            Ainda em 1998 eu voltei a Lindóia, fui de carona com um amigo e conheci a Revista Collector’s (uma publicação de 11 volumes que saiu na época). Na revista, li uma matéria sobre um clube de jovens colecionadores formados por filhos de colecionadores. Pensei, vou participar !!! Telefonemas e fax (lá da livraria onde eu trabalhava) foram em vão (credo, é tão ruim ser desconhecido, pensei, será que se eu fosse filho de algum colecionador rico eles me responderiam ?) Mas, eu já me contentava com essas coisas, afinal, eu ? um cara cabeludo que nem carro antigo tinha !!!!


Songa na brincadeira com os amigos

            Ah, esqueci de contar, em agosto de 1997 e juntei tudo o que eu havia economizado trabalhando por dois anos na livraria e comprei uma F-100, 1961, sem caçamba, com motor de Landau, diferencial de Dodge e um monte de outras adaptações que me fez aprender como é bom fazer a primeira burrada na vida. Mas eu já me considerava um “Og Pozzoli” da vida

            Em junho de 1998 eu ouvi rumores sobre a fundação do Clube do Automóvel de Franca, corri lá na oficina onde o pessoal se reunia e perguntei: É verdade ? Eu posso ir ?


            A resposta foi clara: “Será um coisa simples e formal, basicamente uma reunião entre três pessoas para ver alguns papeis” – Conclusão: Não fui.

            No outro dia (05 de junho de 1998) sai um artigo no jornal da cidade: “...Fundado o Clube do Automóvel Antigo de Franca com um coquetel para cerca de 40 pessoas onde assinaram como sócios fundadores os senhores...”

            Meus caros leitores deste depoimento, eu lhes digo, fiquei com vontade de jogar uma bomba lá, afinal, não me deixaram ir !!! Contaram uma lorota e me tiraram de idéia.

            Mas, eu não poderia exigir muito, quem era eu ? Um dono de que ? da nada !!! aliás, de uma F-100 toda “fudida”. !!! Eu não tinha lugar ali !!! Eu não tinha nada !!!

            Aliás, eu ainda tinha... A vontade...

            No primeiro evento do clube, o local era o Habib’s, todo mundo feliz. Eu cheguei cedo para ajudar a organizar e, dispensaram minha ajuda, um amigo meu (o Gabriel) que era dono de um Fusca 66 foi no encontro a meu pedido, lá eu o convidei para entrar no clube de sócio e o levei até o Presidente do clube (naquela ocasião) e disse: “Fulano, esse aqui é o Gabriel e ele quer ser sócio” Estou até hoje esperando a atenção dele. Nem me olhou !!! O Gabriel, para diminuir minha vergonha, me respondeu: “Ele não deve ter ouvido”.

            Falem a verdade, se leram até aqui, já não dá vontade de desistir ?

            Quando o clube Faixa Branca, de Ribeirão Preto, organizou seu primeiro encontro de carros antigos, em 1999, eu e meu irmão Lucas fomos de carona com um vizinho que rumava para São Paulo e nos deixou em Ribeirão. No evento, várias pessoas de Franca, várias pessoas do Clube do carro antigo. Hora de voltar, fomos procurar carona (não tínhamos carro, nem antigo, nem moderno) e não conseguimos, mesmo com carros vazios, não conseguimos voltar. Anos mais tarde fui descobrir que não nos deram carona porque eu e meu irmão (apesar de já nos conhecerem) tínhamos um jeitão de malandro, bermudão e coisa e tal. Voltamos de carona com um mecânico de um colecionador que viu nossa situação.

            Nesse dia eu fiquei com vergonha pelo meu irmão ter visto aquilo, sabem, para minha família eu sempre falei bem do tal carro antigo e aquela situação era só eu quem conhecia, minha família, não.

            Não foi atoa que a primeira diretoria do Clube durou seis meses. Uma carta que recebi convocava novas eleições. Pensei: Agora é minha chance. Tentei formar uma chapa, mas não conhecia ninguém e nem o clube sabia quem era sócio ou não, liguei para um monte de gente e não consegui muita coisa. Tempos depois recebo uma carta da “nova diretoria” onde, além de não lembrarem de mim (pois viram a minha disposição em tentar montar uma chapa) ainda havia um diretor que não quis formar uma chapa comigo alegando que “era dor de cabeça mexer com clube”.

            Mas, fazer o que, é como se chama o livro do Paulo Coelho: “Nas margens do Rio Piedra e sentei e ....“   Talvez não era para ser aquele momento.

            Havia uma pessoa no clube que gostava muito de mim, alias, ela enxergava o que eu tinha de sobra, essa pessoa sabia enxergar o que eu ralava para encontrar um “espacinho” neste seleto grupo de “colecionadores”. Um senhor com mais de 60 anos, que possuía uma “baratinha” 1928 com motor de Opala que, apesar de agredir os olhos dos conservadores, era com ela que íamos para todos os lados, ele no volante, eu de carona e a estrada como companheira. Ele me deu a primeira oportunidade de eu me sentir um antigomobilista de verdade. Tratava-me, e ainda trata, como um filho.

            Seu nome: Roberto Martins Franco – O “Seu Roberto”

            Em março de 2000 me veio a idéia de divulgar o sucesso do primeiro encontro do carro antigo de Franca, que havia sido realizado em novembro de 1999, pensei que a melhor forma de divulgar o primeiro encontro e já chamar os amigos para o segundo era fazer um jornal.

            Comuniquei a diretoria do clube na época e pedi um nome, o Tesoureiro do clube na ocasião, conhecido como Cajá-Manga, comentou: “porque não colocar o nome do jornal com o modelo do troféu que o clube deu aos expositores do primeiro encontro ?”

            Assim nasceu, em março de 2000, a A BIELA.

            Fiz o jornal sozinho (ninguém tinha paciência e tempo para colaborar) e, quando começamos a distribuir em outros encontros...
                        ...a tal da vontade que eu insistia em não perder, começou a gerar frutos...

            Ainda na primeira edição (uma merreca de um jornal de seis páginas) o Presidente da FBVA me telefona (sei lá como isso foi para na mão dele) e diz: “Oi Songa, meu nome é José Aurélio, sou Presidente da FBVA e estou te ligando para lhe dar os parabéns”.

            Naquele momento eu vi que o santo de casa não fazia milagres...

            Naquele mesmo mês, fui a um encontro em Bebedouro-SP e distribui o jornal por lá, em alguns minutos veio uma pessoa me procurando dizendo que era Presidente e um clube de jovens filhos de colecionadores e que gostaria que eu auxiliasse o clube a fazer um jornal informativo para o mesmo. (Incrível como são as coisas) Ainda lembro que, na época, eu indaguei, “sei quem você é, é do Clube que eu li na revista e que eu tentei ser sócio e não fui correspondido !!!!!” 

            De lá pra cá, eu não preciso contar muita coisa, mas basicamente, eu fui convidado para ser Diretor do Clube Faixa Branca de Ribeirão Preto e, posteriormente, “ganhei no colo” a Presidência do Clube de Franca (ironia, não é ? O mesmo clube que me barrou na sua fundação, me entrega, quatro anos depois, “de mão beijada”, a Presidência do Clube).

            Atualmente, ocupo cargo de Diretor Regional da Federação Brasileira de Veículos Antigos.

            Este texto mostra bem que eu não estou sendo homenageado para poder mostrar a todos o que eu fiz pelo carro antigo, mas sim para mostrar o quanto eu tentei fazer.

            Amigos, eu só tenho que agradecer por essa homenagem, gostariam que aprendessem mais a tentar, pois, tudo que é difícil ser feito, se for muito tentado, vai ficando fácil, não porque a dificuldade da coisa vai mudando, mas porque nossa capacidade de tentar aumenta.

            Mas, para ter todo esse reconhecimento de ser um “Homenageado” gostaria de lembrá-los que para chegar até aqui, sendo um jovem antigomobilista homenageado, não é preciso nem ter carro antigo (porque isso eu não tenho), basta apenas ter vontade de estar aqui...            ...esse é o segredo.

            Um abraço a todos e, Teresa, obrigado pela homenagem...

Tiago Songa

            Ah, quando eu deixei a Presidência do clube de Franca, institui um troféu para ser dado ao sócio que mais “vestisse a camisa” do antigomobilismo francano. O nome do troféu? Lembra do “velhinho” que me tratava como filho ? então: Troféu Roberto Franco – UMA JUSTA HOMENAGEM

 

Tiago Songa e o belíssimo Cord 812- 1937 - AutoClásica 2006

 
 
 
 

O Portal AutoClassic parabeniza, Tiago Songa por ser este fantástico jovem antigomobilista que é... Você é uma lição de força de vontade... Não tem de agradecer por ser homenageado... Nós, antigomobilistas brasileiros é que nos sentimos envaidecidos por existir em nosso país um jovem guerreiro de fibra como você, que lutou e luta pelo nosso hobby com toda dedicação...

Temos certeza que você ainda vai nos dar mais e muitas alegrias... Parabéns por este trabalho bonito, apaixonado e significativo que vem desenvolvendo durante estes anos nos Clubes de Autos Antigos e FBVA e continue sendo esta pessoa campeã que é ... No mais.. Vida longa aos seus projetos e a você, Tiago Songa... Sucesso!!!

 

Um forte abraço,

Teresa Gago
Equipe Portal AutoClassic
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Musica preferida de Tiago Songa