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Com o intuito de incentivar os jovem antigomobilistas do nosso Brasil, o Portal Autoclassic disponibiliza, um espaço especial para homenagearmos estes jovens brilhantes que além de participarem ativamente do meio desde cedo contribuem incentivando a preservação da memória antigomobilística do nosso país.

Justamente em fevereiro, mês do seu aniversário (dia 16), temos a honra de homenagear o Jovem Antigomobilista - David Nery. Este jovem carioca, além de acompanhar seu pai em particamente todos os eventos e encontros que acontecem pelo Brasil e até mesmo exterior, é o responsável pelas " tirinhas" da revista " O RADIADOR", uma publicação do Veteran Car Club do Brasil - Rio de Janeiro...

...Conheça um pouco mais sobre este jovem antigomobilista, fantástico profissional e com toda certeza um filho exemplar!


Meu nome é David Nery, nasci no Carnaval de 1980, no bairro de Botafogo, localizado na Cidade Maravilhosa. Não preciso mencionar que minha chegada ao mundo mudou os planos do feriadão que meus pais iriam passar na Região dos Lagos, né? (risos).

Sou formado em Desenho Industrial, com habilitação em Programação Visual pela UFRJ e, atualmente, trabalho como webdesigner em um grande portal de esportes (não vou falar o nome do portal porque eles não estão colocando um centavo de propaganda no Autoclassic) (risos). Ah, sim! Faço as tirinhas do personagem "Zé Bobina" na revista "O Radiador", do Veteran Car Club do Rio de Janeiro.

A minha história no antigomobilismo é bem curiosa. Meu ingresso, de fato, ocorreu através de um Camaro 1971 vermelho de um sócio do Veteran e grande amigo do meu pai, o antigomobilista Sérgio Fortes. Ele não tinha lugar para guardar o carro em seu prédio e pediu para o meu pai tomar conta, já que tínhamos uma vaga sobrando na garagem do edifício onde morávamos. Meu pai saía com o Camaro no segundo domingo do mês para levá-lo às reuniões do Veteran, a pedido do amigo e dono do carro, que aconteciam naquela praça em frente ao Hospital Miguel Couto, na Lagoa, onde hoje fica um CIEP. Isto foi, se não me engano, em 1986 (eu tinha 6 anos de idade, na época).

Minha mãe dizia que desde que eu tinha 1 ano de idade, eu despertava um interesse por carros, ou seja, acho que já nasci "infectado pelo vírus" (risos). Não posso dizer que alguém chegou para mim e me incentivou com a questão de carros. Na verdade, eu comecei a freqüentar as reuniões para acompanhar o meu pai, então, se é para ser incentivado por alguém para iniciar no antigomobilismo, com certeza, essa pessoa foi o meu pai.

David Nery com seu pai, Dilson Pacheco

 
Apesar de participar dos eventos e desenhar as tirinhas para a revista do Veteran Car Club do Rio de Janeiro, não sou sócio do clube oficialmente. Meu pai o é. Mas, o meu ingresso no meio antigomobilista beira muito com o surgimento de um outro clube: o Clube do Bondinho, que é uma reunião informal que uns antigomobilistas cariocas fazem na casa do colecionador Roberto Dieckmann.

Tudo começa no final da década de 70, quando meu pai, que colecionava miniaturas de trem, conhece um outro colecionador de trenzinhos: Sérgio Fortes. Aí, eles se juntaram com outros colecionadores e resolveram montar uma maquete, na casa do Sérgio, para colocar os trens para funcionar. A partir daí, eles se reuníam todas as segundas-feiras à noite para botar os trenzinhos para rodar e bater-papo. Inclusive, estas reuniões, batizadas de Clube do Trenzinho, chegaram a ser matéria da extinta revista "Fatos & Fotos".

Entretanto, lá pra meados dos anos 80, Sérgio começou a se interessar por carros antigos e começou a convidar antimobilistas para participar das reuniões. Com isso, os trenzinhos foram perdendo espaço nas "pautas" para os carros. Vez ou outra, eu ia com meu pai na casa do Sérgio nas reuniões, mas, no fim das contas, sempre terminava fazendo bagunça no quarto do Fábio, filho do Sérgio.

N
o início da década de 90, o Sérgio teve uns problemas pessoais e, por isso, as reuniões foram transferidas para a casa do Roberto Dieckmann e, anos mais tarde, para a antiga sede do Veteran no bairro de Santa Teresa.

O Jovem antigomobilista homenageado com seus amigos do "Clube do Bondinho"


Quando o Wilson Saraiva assumiu a presidência do Veteran, a sede foi transferida para seu local atual, no bairro de Higienópolis e as reuniões voltaram a ser na casa do Dieckmann, onde permanecem até hoje. E o Clube do Trenzinho virou Clube do Bondinho, em homenagem ao cartão postal do bairro que são os famosos bondes de Santa Teresa. Desde a época em que as reuniões eram na casa do Sérgio até hoje, freqüento, junto com meu pai, os animadíssimos encontros de segunda-feira, bate-papos da melhor qualidade regados a muita pizza, muito refrigerante e muitas pérolas proferidas pelos antigomobilistas que marcam presença por lá.

A data do primeiro encontro que fui, especificamente, eu não me lembro. Mas, sei que o primeiro encontro, onde tudo começou, foi com o Camaro 1971 mencionado anteriormente em uma reunião do Veteran na praça em frente ao Hospital Miguel Couto em 1986.

As minhas conquistas no antigomobilismo são, sem dúvida, as amizades e o aprendizado. Não me refiro apenas ao aprendizado técnico, mas também o aprendizado de vida. Uma das coisas mais sensacionais de estar no meio antigomobilista é que você passa a conviver com pessoas com experiências de vida e visões de mundo totalmente diferente das nossas. O convívio com essas pessoas é uma grande escola, você tem uma visão muito mais ampla das coisas e isso é algo que não se aprende na escola ou na faculdade. E, felizmente, desde que passei a freqüentar as reuniões há 23 anos, passei a ter esse tipo de coisa na minha vida e é muito legal.


David Nery com seu amigo e jovem antigomobilista Pierre Armengaud

Nestes anos todos, vi muita coisa, conheci muita gente, fiz amigos como, por exemplo, Pierre Armengaud, Roberto Vilela, ambos já entrevistados na seção "Jovem Antigomobilista", sem contar com o lendário Mahar, que é uma pessoa ímpar. Só quem o conhece, vai entender do que estou falando (risos). Conheci outros vários que já não estão entre nós como o Carlos Candelot, que era uma pessoa que, por baixo daquela resmunguice e aquele jeito difícil, era um cara extraordinário e super fiel aos amigos e ao clube.

Participei de várias reuniões do Veteran em frente ao Hospital Miguel Couto, depois se transferindo para o Aterro em frente ao Restaurante Rio’s, e, finalmente, para a Praça XV, onde está lá até hoje. Vi o nascimento do “Lagoa Oldies”, os encontros de quarta-feira à noite no Parque dos Patins, que depois passou a ser no posto de gasolina do Jockey, foi para o posto no Parque da Catacumba e atualmente está de volta no Parque dos Patins.

Como convivo com antigomobilistas há bastante tempo, aprendi com eles o real valor de um carro antigo e sei o quanto de carinho e atenção um automóvel assim precisa. Portanto, esse tipo de atitude eu vou ter com meu carro antigo. Agora, eu faço questão de o máximo de originalidade possível, já que a intenção do hobby é justamente essa: a preservação da história do automóvel.

Meu sonho no antigomobilismo

 

Sobre a internacionalização do antigomobilismo Brasileiro...

 Qualquer tentativa de integração do antigomobilismo brasileiro com o resto do mundo é válida. Uma das coisas mais bacanas desse meio é a troca de informações e experiências. Quanto mais tivermos isto, melhor. Além do mais, devemos mostrar para o mundo que o nosso país não se resume a Carnaval e Amazônia e que nossa capital não é Buenos Aires (risos). Devemos mostrar que o nosso país também tem uma História Automobilística.

Qual sua maior alegria no antigomobilismo? Acho que a minha maior alegria ainda vai ser o dia em que comprarei meu primeiro carro antigo.

Eu ainda não tenho carro antigo, mas fiquei muito feliz quando meu pai comprou seu primeiro carro antigo: um Puma conversível 1974. Desde que passou a freqüentar as reuniões, ele tinha vontade de ter um carro antigo e conseguiu realizar o sonho, mesmo que tenha sido 20 anos após começar a participar dos eventos. Bom, para não dizer que não possuo carro antigo, tenho um Kadett GSi Conversível, carro que muitos consideram um "futuro clássico". Aliás, a história deste carro é muito interessante: só foram feitas pouco mais de 3.000 unidades de 1992 a 1995 e a GM enviava as carrocerias para o Studio Bertone, na Itália, para serem transformadas em conversíveis e depois elas retornavam ao Brasil para serem finalizadas. Se virmos por este lado, acho que se conservar meu Kadett por mais uns 10 anos, posso considerá-lo como meu primeiro carro antigo.



Alguma situação desagradável  no antigomobilismo... ?

Sim, mas nada que fizesse  pensar em largar o antigomobilismo, pois não teve a ver com o hobby em si, mas foi uma situação em que estava se usando do hobby para se dar bem, no mal sentido da palavra, em cima dos outros. Infelizmente, por mais que seja legal a integração e confraternização entre os apaixonados por carros antigos, sempre tem um que tenta aplicar a famosa "Lei de Gérson" no meio. Que fique bem claro que não estou me referindo aos comerciantes de peças e carros. Muito pelo contrário, acho louvável uma pessoa que consiga transformar o hobby em seu meio de vida. Outra coisa que me deixa triste no meio é a "guerra de egos", a “guerra de vaidades”. Infelizmente, tem alguns colecionadores que têm a necessidade de querer provar que são melhores que os outros de inúmeras formas. Existem pessoas que se usam do hobby para terem os holofotes apontados para si e essa necessidade vazia e superficial, às vezes, os fazem se darem méritos por coisas que sequer estavam envolvidos diretamente. O colecionador muda o próposito do hobby que é a celebração da paixão pelo automóvel e a preservação da história para o ganho de status pessoal. Pessoas que apelam para este tipo de coisa são pobres de espírito e o que posso dizer é que lamento muito por elas.

Família x antigomobilismo

Lá em casa, fica divido: o meu pai apóia, a minha mãe não gosta muito e, para o meu irmão, a coisa é indiferente. Minha namorada acha legal, mas a preferência dela são carros novos (risos).

David Nery com seus pais Dilson e Sonia em Buenos Aires - AutoClasica 2006

Quanto aos veículos nacionais...
 Dos veículos nacionais, eu gosto muito do Puma, do Karmann-Ghia e do SP-2.

O Antigomobilismo nacional teve uma grande conquista que foi a obtenção da placa preta Qual a mensagem para os clubes que emitem placa preta sem o conhecimento da FBVA?

O meu recado é para pedir que estes clubes filiem-se à FBVA. A situação da placa preta hoje vem perdendo sua força justamente por causa disso. Se quisermos que a placa preta volte a ter seu real significado e importância, precisamos fazer a coisa funcionar direito.

Eventos internacionais

 Estive na Autoclasica, na Argentina, em 2006 e 2007, afirmo que vale muito a pena! O perfil do colecionador argentino é bem diferente do nosso. O forte lá são carros europeus da fase pré-Guerra, que são raros por aqui. Vi muitos carros lá que aqui só conhecia de foto. O evento é imperdível! Dizem que o rally das 1000 Milhas Argentinas é muito interessante também, tenho intenção de acompanhá-lo ou, quem sabe, participar.

Gostaria sem dúvida de conhecer os eventos de Pebble Beach. Dizem que são muito bacanas. Também gostaria de participar de um rally de carros antigos na Europa.

David Nery - Foto com Karmann Ghia Dacon em Dezembro de 2000

Eventos nacionais... O que você acha? É difícil formar uma opinião, pois as disparidades entre os eventos nacionais são muito grandes. Não dá pra comparar os eventos de Araxá ou Águas de Lindóia com um evento regional. Apesar disso, é louvável qualquer iniciativa, pois, quanto mais divulgarmos o hobby, quanto mais mostrarmos para as pessoas que, além do hobby, é uma tentativa de se preservar parte de nossa História, melhor. Cada carro antigo tem uma história que reflete o momento político-econômico da época em que foi fabricado, assim como um momento na história da vida de cada ser humano. Podem observar que, em todo evento, você sempre encontrará uma pessoa que olhará para um carro e se lembrará do carro da família na infância ou do sonho de consumo da adolescência, enfim, sempre vai trazer alguma lembrança. É isso que o antigomobilismo representa e é para isso que os eventos servem: para celebrar o hobby e, principalmente, resgatar um pouco da nossa História.

Alguma sugestão para os organizadores? Gostaria que falasse sobre...
Infelizmente, a “guerra de vaidades” é o que mais estraga os eventos em vários fatores. Sendo assim, a sugestão que eu dou é que deixem o ego de lado, tenham humildade e coloquem na cabeça que um dos propósitos principais do evento é a integração e interação entre os colecionadores e a celebração do antigomobilismo.

Algum projeto para o antigomobilismo?  Bom, antes de tudo, juntar dinheiro para comprar o Porsche 911 e o Chevrolet Bel Air conversível 1955 ou 1957 (risos).

David com o fabuloso Bird Clemente


O que David Nery diria  a um jovem ( futuro antigomobilista) que deseja iniciar neste hobby, mas não sabe por onde começar ou investir? Acho que antes de tudo, a pessoa deve se informar, ler bastante coisa, trocar informações com outros colecionadores, freqüentar os encontros, etc. A partir daí, você vai definir que linha pretende seguir. Para colocar mesmo as mãos na massa, sugiro que o jovem procure um veículo que seja de fácil manutenção, alguma coisa na linha Volkswagen ou um Puma, talvez. Depois, aí sim, você pode partir para uma coisa mais complexa, como um carro americano ou europeu.


Uma mensagem...
A mensagem que deixo é que dêem muita dedicação e carinho ao seus automóveis antigos, pois você não está só preservando seu carro, mas sim parte da História da Humanidade e, se quisermos ser um país de futuro, não podemos esquecer de nosso passado. Além disso, sejamos mais humildes.

Musica preferida de David Nery


David Nery - Jovem antigomobilista homenageado

O Portal AutoClassic parabeniza o Jovem Antigomobilista, David Nery por sua dedicação desde cedo ao antigomobilismo.

Desejamos que o seu futuro neste hobby seja  brilhante!

Um forte abraço,

Teresa Gago
Equipe Portal AutoClassic
Rio de Janeiro - Brasil
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