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Homenagem ao Antigomobilista - Agosto 2007 |
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O Portal AutoClassic orgulhosamenteno mês de agosto, homenageia um Jovem guerreiro antigomobilista que desde muito cedo, ainda quando usava fraldas já frequentava os eventos de veículos antigos....
Conheça um pouco sobre a fantástica história deste jovem antigomobilista de ouro.. Você vai se emocionar com nosso amigo, João Paulo Simonetti!
Quem é João Paulo Simonetti?
A priori, apresentar-me-ei: João Simonetti, filho do finado colecionador Paulo Simonetti, um dos 5 fundadores do CAAT (Clube de Autos Antigos de Taubaté). Nasci no ano de 1982 e, desde pequeno, acompanhei meu pai na curtição dos carros (meio que foi uma coação tácita imposta por ele para dar continuidade a tal vício - mas enfim...).
Vejo uma discrepância daqueles anos 80 para a época atual: outrora, Chevrolets dos anos 50, Impalas, DKWs e outros eram automóveis de uso corrente por parte de alguns. Os carros ditos antigos, seriam, a grosso modo, os Fordinhos, Chevrolets dos anos 30 e outros, mas não tinham devido conhecimento e não recebiam tanto valor. Porém, em casa, era habitual para mim todas essas espécies que frequentavam a garagem e, outrossim, o galpão da casa da minha avó/loja do meu pai.
Não obstante, quando aprendi a ler, abruptamente deixava de lado a turma da mônica e me interessava a ler e folhear a saudosa publicação "autos antigos"(em momento oportuno volto a citá-la). Acabei me acostumando com esses autos e, sem perceber, fui adiquirindo uma tremenda paixão por eles; Eram diferentes de Monza Classic, Caravan, Comodoro, Diplomata, e outros carros novos para época, os quais tivemos em casa. Talvez, creio eu, que me identificava com eles pela carinha simpática que tinham. Diferente - claro - dos meus coleguinhas da época, quê citavam os carrões dos pais e sempre queriam brinquedos que espelhassem o "novo", enquanto eu gostava de falar de Fordinhos e ficava louco quando via um carrinho de ferro com feições antigas!

Desde cedo... João sempre amou veículos Antigos
Momentos felizes...
Por ventura, hoje me divirto ao lembrar de algumas brincadeiras dessa época de infância, ainda no primário. Quem nunca brincou de "Stop"? - na qual havia uma planilha a ser completada com nomes de cidades, cores, frutas e, claro, automóveis. Como disse acima, era um leitor mirim da "Autos Antigos" e, de tanto ler nomes e marcas diferentes, sempre fui zombado e dado como "inventor" de nomes de carros durante esta brincadeira - Até choro de rir quando lembro do Isotta Fraschini: não seria normal uma criança de 8 anos citar o benedito, mas meu pai contava que havia um MOTOR de Isotta Fraschini funcionando como cortador de cana em uma fazenda em Caçapava...
Falando em meu pai, creio que foi o meu cicerone nesse meio. Era comum ele usar carros antigos no dia-dia e, assim, ia me buscar na escola de Fordinhos, com a Jardineira, Vanguard, Mercedinha e com outros carros dele. Logo, já aos 8 ou 9 anos, já sabia ligar todos os carros, já identificava marcas/modelos pelos anos e, infelizmente, não tinha noção que eu era um moleque anormal (risos). Creio que a MAIOR riqueza do antigomobista ou dos entusiasta (meu caso) é o conhecimento e as boas lembranças da infância ou de qualquer período na vida do contato entre o homem (criança, no meu caso) e a máquina. Isto não tem preço e dinheiro no mundo pode comprar! Grandes memórias eu guardo de meus 3 ou 4 anos, quando, após o almoço de domingo, saíamos para passear de - adivinhem? - carro antigo. Lembro-me de visitas ao Museu do sr. Roberto Lee (Citado mais uma vez em memória), a ferro-velhos caçar peças ou, comumente, ver as "tranqueiras" jogadas em fazendas e fundos de quintal que meu pai descobria. Em uma dessas visitas, lembro-me de uma verdadeira pilha de Fordinhos em uma fazenda de um colecionador de Guaratingueta!
Não sei se é sonho ou ilusão, mas, aos 4 anos, não tinha pleno discernimento para saber se eram apenas Fordinhos ou se havia um Grahan Paige, um Buick, um Dodge-Brother, enfim, carros de uma classe superior aos populares Chevrolet-Ford-Plymouth. É um dos mistérios que ainda não resolvi, mas um dia compro um Deloren* e viajo no tempo para desvendar (risos).

O carro preferido de João Simonetti que pertenceu ao seu pai Paulo Simonetti
Novas descobertas x viajando por este Brasil afora
Passado este período inicial de meu gosto, comecei a ter novas descobertas. E, felizmente, elas vieram logo. No final dos anos 80, surgiram alguns clubes novos no sul de minas gerais (itajubá e Pouso Alegre), e realizavam ótimos passeios. Meu pai, assim como o resto do CAAT, decidiu fazer visita, e íamos todos em famílias passear com os carros.
A primeira viagem, foi para Itajubá. Fomos na Standard Vanguard 1950, como última opção: a Chrysler Dodge 1946 estava com problema de freio (é, desde aquela época!), a Mercedes 1950 estava no funileiro (um meliante roubou uma bicicleta e chocou-se, na fuga, de cabeça no porta mala da mercedes - ela afundou, ele ainda conseguiu fugir...) e carros do tipo Fordinhos e a Jardineira não eram adequados para viajar com mulher e crianças. Porém a Vanguard, apesar de ser um carro ZERADO (em termos atuais: de concurso), totalmente original, tinha um revés: meu pai, logo que o adquiriu na Jardineira Veículos, teve uma surpresa com a documentação, mas era a única opção para viagem.
Bom, por quê não? Fomos. Sem placas, um simpático e agradável policial rodoviário nos parou. E veio a máxima: "Documentos do sr. e do veículo". Meu pai, imediatamente, sacou-os. E o senhor guarda, respondeu-vos: "Oh, Chrysler Dodge 1946! Parabéns pelo carro, pode seguir viagem!"... Desde então, fomos todos os anos para Itajubá e, posteriormente, Pouso Alegre e Santa Rita do Sapucaí. Lá, conheci belíssimos carros, como o Ford Cabriolet 1940 do sr. Fernando e o Kissel Town Sedan 1926 de um sr. de Sete Lagoas.

Chrysler Dodge 1946
Mas tudo isto mudou quando, enfim, fui a encontros do Chevrolet Clube do Brasil e do Veteran Car Club. Se um moleque de 8 anos vibra quando vence uma partida de Video Game, eu vibrava a cada carro que indetificava das revistas. Até então, adorava ver a cara dos carros à venda na sessão classificados da "Autos Antigos". Em especial, lembro-me das caras de sono dos Oldsmobiles, dos sorrisos dos Corvettes 50's e da monstruosidade das Cadillacs, carros que não eram comuns por aqui, mas que foram magníficos quando pude vê-los de perto. Da mesma "Autos Antigos", lembro-me da belíssima Mercedes-Benz 1951 cabriolet, branca, dos anúncios do sr. Malcoln - Eu perguntava ao meu pai porquê a nossa não era tão bonita ... (risos).
Até que um dia, algo mudou meu conceito sobre autos antigos: o encontro de São Lourenço (outrora e agora realizado em Araxá)! Tudo bem ver Chevrolets, Fords, Cadillacs 50's, mas, quando me deparei com um Lincoln Limousine Cabriolet 1937, Isotta Fraschini (enfim conheci o mito do cortador de cana!), Ferrari antiga, Bugatti... Jesus... aquilo pra mim era melhor do quê qualquer visita à fábrica da Nintedo (fabricante de videogames)! Nessa época eu já era mais retardado: foi por volta dos meus 12 anos, mesma época que ganhei minha primeira viagem pra disney e gritava a cada carro antigo que via pelos parques. Por aprender inglês, já era detentor de várias revistas "collectile Automobile", publicadas em inglês, mas que eu fazia questão de comprar e estudar mais inglês para ler e entender tudo.

João Simonetti ainda muito menino em Evento de veículos antigos
Minha mãe pensava: "já basta o pai, agora mais um? Este é pior!"... Além de revista, eu tinha 3 VHS que assistia até decorar: "História em movimento", algo assim, que narrava a "história do automóvel", exibido pela TV Cultura de SP, em 1988. Aquelas VHS (malditos sejam os bolores que as me levaram! hamm...), eram tão cultuadas por mim quanto os programas do Bozo, Jaspion e outros desenhos que as crianças normais de minha idade davam bola. A cena final desse programa mostrava, em um jardim de um castelo, vários carros rodando um chafariz, tais como Mercedes 300SL Gull Wing, 300 "Andenauer" e Caracciolla SSk, Rolls Royce, etc. (espaço publicitário do JP: se alguem tiver isto, por favorrr me venda uma cópia e faça uma criança de 25 anos feliz! ).
Bom, creio que já babaram no teclado de tanto sono, mas ainda não contei minha adolescência! Bem, foi ali que aprendi a guiar!!! :)
O primeiro carro que guiei...
O primeiro carro que guiei pra frente e pra trás foi nosso Ford Coupe 1947. Coitado: dei um tranco nela que tirou o sono do meu pai... Logo após, ele comprou, do nosso amigo Sr. Andrade, um Jeep militar 1948, fabricado pela Willys. Fácil e simples, comecei, por volta dos 15 anos, a passear com ele pelas redondezas de nosso sítio. O engraçado, mais uma vez, era por conta das mentirinhas que meus colegas de primeiro grau contavam. Na época, Tempra e Vectra eram os "hour-concours" e, pra mim, o divertido era guiar um Gordini branco recém trazido pra coleção! Todos citavam que guiaram Tempra e Vectra dos pais, e eu, por vez, ficava feliz em pôr na garagem aquelas banheiras sem valor e, claro, o "leite-glória".

Gordini o famoso: leite Glória - Que desmancha sem bater...
Com a chegada da adolescência, ainda assim, tive um grande contato, mas fui perdendo-os aos poucos, por conta de namoradinhas, baladas, festinhas, etc. Isto fez com quê me afastasse um pouco do meio. Mesmo depois de tirar carta, poucas vezes tive tempo de curtir com meu pai, que tinha negócios em outra cidade, na qual ficavam os carros, e eu preferia curtir por aqui com os amigos e garotas, mas nunca me desliguei e sempre xeretava na internet à procura de carros, spotters guide e informações técnicas de modelos diferentes, quando acabei construindo uma imensa biblioteca virtual.
Momentos nada fáceis...
Infelizmente, não é só de alegrias que vivemos. Meu pai veio a adoecer e nos deixou em 21 de abril de 2003. Durante aqueles 2 últimos anos, em decorrência da doença, acabamos vendendo carros. Porém, senti que ele deixou os carros em minha mãos aos poucos, para ver se realmente valeria a pena eu continuar com o hobby. Durante um aniversário do CAAT, após muito tempo ausente dos passeios, e com meu pai em vida, ele me fez lavar a Dodge 1946 e Chevy 1928 e me deixou ir sozinho ao passeio. Até lembro de perguntas a mim do tipo: "Po, comprou o carro do paulo?", pois não me reconheceram após crescer tanto. Creio que me senti bem recebido pelo pessoal do clube e, como posso dizer, senti que eles ficaram felizes pelo filho do Paulo estar ali, mesmo com meu pai não ter ido por conta dos negócios, representando a família.

Também, percebi que aquele ato de meu pai não foi só para deixar a custódia de carros comigo: mas foi para me inserir no meio, passando algo que é muito importante no antigomobilismo: a amizade entre aqueles que se juntaram um dia para buscar a preservação de algo, quê aos olhos de muitos, não passava de sucatas sem valor.
Após o falecimento do meu pai, senti que a herança não passou de montes de ferro guardados na garagem. Assim como, sei que, quando eu, ano passado, subi a serra de Campos com a Dodge 1946, ele estava ali comigo, no caminho que tantas vezes ele fez com a Dodge, comigo no banco do carona, pra irmos ao sítio. Talvez eu não tenha percebido no momento, mas guiar o carro favorito para o lugar favorito de meu pai, seja a maior realização que ele esperava lá de cima. E eu cumpri :)

O pai de João Simonetti - o saudoso antigomobilista, Paulo Simonetti
Seguindo com o antigomobilismo em frente...!
Hoje, apesar de não ter apoio da minha mãe que vive me enchendo por conta de carro antigo, e de ter muita dificuldade em manter sozinho, ainda que estou recém terminado da faculdade e jogado na boca do mercado de trabalho, acredito que tenho muito chão pela frente para passar essa paixão aos futuros filhos! E aprendi mais uma coisa: o melhor ato de um entusiasta ou colecionador, acima de manter a história viva, é construir uma nova história. Não importa se é um Volkswagen 1961 primeira série ou uma belíssima Belair 1956 conversível. O importante é o fato agregado a esta elementar, ou seja: a construção da história entre a pessoa e o carro, mesmo que, hoje, ele tenha um outro dono.

João Paulo Simonetti
Creio quê os bons momentos passados e curtidos com determinado carro, valem mais do quê a grana paga ou recebida por ele. Essa história criada e vivida, que amanhã será contada com os olhos cheios, é aquilo que mantém vivo o antigomobilismo.
Todos somos iguais nesse meio: mantemos a história do automóvel viva. Mas somos diferentes em nossas próprias histórias, por isto, seja de pai para filho ou de infância para velhice atual, aquilo que passa e marca o fundo do coração sempre será lembrado com orgulho!!!
Por fim, gostaria de mandar um abraço aos amigos que meu pai me deixou, no meio do antigomobilismo! Também agradeço a eles pelas "aulas" que me deram e pelas sempre bem-vindas ajudas que me dão. Não gosto de cometer gafes e esquecer alguem, mas aprendi muito e sempre fui muito bem recebido pelo Sr. Geraldo Miné, Sr. Andrade, Dr. Eugênio, Botossi, Wlad e a todos outros que sempre me ensinam algo novo e me ajudam naquilo que preciso! São pessoas bacaníssimas e, destarte, merecem aqui uma sucinta - mas sincera - citação e agradecimentos meus!

João Paulo Simonetti
Ps. Preferi não citar carros favoritos ou meu perfil como colecionador, pois o mais bacana, como acredito, é passar aqui uma mensagem com fito ligado ao imaterial, daquilo que criamos e se torna infungível por nossas memórias.
Não é apenas citar os carros que já foram criados e são fungíveis ao bolso de quem os compra e aos olhos daqueles que os vêem. E dou todo meu incentivo à molecada e aos jovens que ai estão! Se teus bolsos são grandes ou pequenos, não importa: sempre exaspere o conteúdo dos teus corações!
Coração de antigomobilista é igual coração de mãe: sempre cabe mais um amor! Abrazzo!!!
O Portal AutoClassic parabeniza o grande jovem antigomobilista João Paulo Simonetti por sua dedicação ao antigomobilismo do Brasilll
Força, João Paulo, o antigomobilismo deste país precisa de jovem com sua garra, força e integridade.. Parabéns pelo seu trabalho... Vai em frente!!!
Um forte abraço,
Teresa Gago
Portal AutoClassic
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