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  Ford Modelo T - Tin Lizzie "Lata Barata"

Os colecionadores de automóveis antigos (quando falo “antigos” significa mais de 40 anos, pois no meu entender carros da década de 60 e 70 ainda são jovens), sempre apreciam os estilos de carruagem pelo seu acabamento e capricho nas confecções. É óbvio que estes colecionadores tudo fazem para ter um Modelo T, que muito se aproxima daqueles veículos.

Em visita ao meu amigo Zanetti, no município de Nova Friburgo em maio de 1977, foi relatada uma história de que havia um carro detido pelo delegado local e o mesmo se encontrava em um depósito da Polícia.

Tratava-se de um Ford Modelo T 1926. Procuramos nos aproximar de pessoas que melhores informações transmitissem e encontramos o proprietário do carro. A primeira informação é que em um desfile em Nova Friburgo, conduzindo a Dercy Gonçalves, o carro desprendia grande quantidade de fumaça, prejudicando os espectadores, provocando tosse e até lágrimas. Consta que foi colocado um tubo junto ao carburador que pingava gotas de óleo provocando aquele fenômeno.

Dessa forma, o Delegado mandou recolher o carro ao depósito e expediu uma multa. O proprietário Sr. Haroldo Luiz Garbez ao ser procurado por nós foi incisivo. Não pagarei a multa e a Polícia que fique com o carro. A partir deste momento comecei a ter entendimentos com a Secretaria de Segurança e conseguimos liquidara multa que atingia os anos de 1971 a 1975. Com todas as despesas chegamos a Cr$400,00 (quatrocentos cruzeiros).

Retornamos ao Sr.Haroldo e ele informou que o carro estaria à nossa disposição e que aceitaria o preço de Cr$2.500,00 (dois mil e quinhentos cruzeiros) o que concordei desde que descontasse o valor da multa. O assunto foi resolvido, porém é bom relatar o estado do carro. A aparência era terrível, o carro vermelho e laranja, sem a parte traseira e com ferros grosseiros fazendo a estrutura da capota, em um genuíno estado de ferrugem.

Não esmoreci. Com a ajuda do Carlos, meu filho, conseguimos trazê-la para São Cristóvão e cobrimos o carro com tinta preta, a fim de preservá-la contra a proliferação da oxidação. O carro ficou sem ser tocado pelo menos 15 anos. Começamos a restauração arranjando um lanterneiro que apesar de pouca experiência com carros antigos, foi gradativamente dando formas1 na lataria, reconstituindo por fotografia toda sua aparência. Surge então o problema da complementação, pois o mesmo poderia ser caminhonete ou carro de passeio.

Aparece um amigo, Afonso, também aficcionado em carros antigos que embora seja um empresário, fabricante de rodas de magnésio, se propõe a nos ajudar, face considerar-se expert em Fiber Glass. Com a grande ajuda do meu filho Carlos, foram feitos os desenhos e os moldes em alumínio, formando a traseira do carro cuja aparência começou a se transformar melhor, com o aspecto de Roadster. Chegando o momento da montagem, passamos a revisar diferencial e hastes de freios.

Aparece um imprevisto, ou melhor, mais um. São as rodas. O carro chegou com rodas raiadas de arame e os cubos não aceitam as rodas originais. Saímos nós em busca de rodas raiadas de madeira e os respectivos cubos de que necessitávamos.Fui ao município de Resende, onde tenho um amigo colecionador, Dr.Ornelas, dentista, que possui um Modelo T e, na grande ansiedade de encontrar algo que interessasse, começamos a procurar em sua sucata.

Em determinado momento encontramos um diferencial completo com rodas de raios de madeira conforme o previsto e ele na mesma hora me presenteou. Tratava-se de um diferencial de Modelo T 1924.Imediatamente o trouxemos para o Rio e aproveitamos cubos e rodas guardando o diferencial. Montada a traseira, passamos a cuidar dos tirantes de freio.

Estamos na dependência de arrasar os rolamentos para rodas dianteiras, que já possuímos. Porém, com a promessa do meu amigo Carlos Gimenes, também colecionador de carros antigos, talvez possamos consegui-los.Continuamos até o momento em que estamos escrevendo esta história, encontrando vários complicadores e muitas dificuldades para encerrar o assunto Modelo T.

Rodas dianteiras, término da mala em fibra, Motor e CX, pintura e estofamento.Fazem parte da história dos restauradores todas essas dificuldades, mas vamos queimando etapa por etapa. Uma delas, que sempre considerei dificílima, seria a regularização do carro, pois os últimos documentos datavam de 1966.

Foi vencido graças à apresentação que nos foi feita ao chefe do DETRAN e após farta documentação o carro foi registrado e emplacado possuindo hoje sua vida legal completa.

 

Bibliografia: VILHENA, Carlos Nunes. De volta ao passado. 1 ed. Rio de Janeiro: C. Nunes Vilhena, 1995.

 

 

 


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