
Regulagem em válvulas? "Xiiii... não me lembro..."
As únicas coisas que Edgard Soares recorda ter feito em sua BMW R60, fabricada en 1961, são a substituição do óleo lubrificante e... "Ter trocado as lonas de freio uns anos atrás."
Edgard não é o primeiro dono desta R60, fabricada em 1961. Ele a comprou de um amigo Peri Igel no fim dos anos 80. "Estava em bom estado e paguei um preço justo."

Trata -se de uma clássica 600 da BMW: pintura preta, motor boxer, dois cilindros opostos. 30 cv, câmbio de quatro marchas, transmissão por cardã, partida por pedal lateral! A suspensão dianteira é peculiar: consiste de uma balança com dois braços telescópicos e amortecedores hidráulicos ajustáveis.

Os freios dianteiro e traseiro são a tambor e o sistema elétrico é de 6 volts com magneto. A bateria tem somente a função de alimentar a iluminação. Edgard resolveu procurar um ersatzeile (side-car, em alemão) para realizar um antigo sonho. Mais especificamente um Steib, de tradicional fábrica alemã que produz modelos originais para motos Zundap, NSU, DKW, Orex, BMW, Jawa, CZ e outras marcas européias. Encontrou a solução com "um espanhol muito ranzinza", que tinha vários side-cars guardados e não usava nem pretendia vender nenhum.

Após muita conversa e bastante lábia, convenceu o teimoso e irredutível galego osso-duro-de-roer a vender-lhe exatamente o Steib TR500, de 1954, porém em ótimo estado.
A instalação do side-car Steib na BMW R60 é simples, porém trabalhosa: o acessório é fixado na moto em três pontos já previstos no quadro. Quando montado, é necessário fazer ajustes para melhorar a dirigibilidade (a terceira roda, por exemplo, deve ficar convergente). Feito isso, basta ligar a parte elétrica - lanterna traseira, luz de freio e farol dianteiro.

Dirigir essa BMW R60 com side-car é relativamente simples, desde que não se esqueça de que esta "dama de preto e sua acompanhante" ocupam mais espaço.
O desempenho - retomadas, frenagens, tomadas de curva e a não-inclinação lateral - muda de acordo com a alteração de peso que passa de 198 para 320 kg. A fábrica recomendada alterar a relação final do cardã de 1:3,21 para 1:3,86. A velocidade máxima de 145 km/h cai para 110 km/h quando o side-car está montado.

UMA PEQUENA HISTÓRIA BMW
A BMW lançou sua primeira motocicleta em 1923: o modelo R32 iniciou, então, uma longa tradição de soluções tecnológicas. A primeira delas foi o motor de cilindros contrapostos, solução que se tornou marca registrada da casa alemã.
Em 1935 surgiu a primeira suspensão dianteira telescópica hidráulica para motos, nos modelos R 12 e R 17, sistema usado até hoje por todos os grandes fabricantes.

A crise econômica que envolveu a Alemanha na 2a Guerra Mundial interrompeu a produção das motocicletas bávaras.
Após o fim do conflito armado, somente em 1948 a BMW voltou a produzir motocicletas. Nos anos 50 a economia alemã começa um período próspero e isso permitiu a fabricação de 47.700 unidades do modelo R25/3, volume considerável.

A década de 60 consagrou de vez a BMW com os modelos R 50 e R 60. Em 1969 o modelo R 69 S conquistou o mercado norte-americano. Nos anos 70 apareceram as primeiras motos carenadas, as R 90S, R 100 e R 100RS.
Na década de 80, a febre do enduro fez surgir o modelo R 80 G/S (G para Gelände (fora de estrada), e S para Strasse (estrada), que venceu várias vezes o Rali Paris-Dacar.

Um modelo K 75RT marcou a fabricação da milionésima moto BMW no dia 18 de março de 1991.
Dois anos mais tarde surgiu a R 1100 RS, modelo esportivo que lançou uma nova geração de motores boxer. A partir de 2000, todos os modelos tornaram-se "ecologicamente corretos" com a adoção de catalisadores.
Fonte: Carone, Júlio. " Uma Dama e sua Companhia". In: Revista Automóveis Antigos.São Paulo, ed. Online editora, ano 1, n°04, p.48, 49.50, 51.
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