“A competição está aberta para todos os tipos de veículos, desde que não sejam perigosos, sejam facilmente controlados pelo motorista e não custem muito para correr!”

Provavelmente nenhuma outra competição automobilística teve regulamento tão livre quanto a corrida Paris-Rouen, realizada num domingo, 22 de julho de 1894.

 

Os intusiastas do automobilismo aproveitaram-se desta falta de restrições, apresentando-se nos escritórios do Petit Journal; onde eram feitas as inscrições, com os mais variados e fantásticos meios de locomoção. Algumas pessoas vinham se escrever trazendo apenas um desenho no bolso, uma vez que as eliminatórias só seriam realizadas dois meses depois.

 

Pelas noticias referentes à competição pode-se ver que o último dia de inscrição apareceram veículos movidos “pela gravidade” e, em particular “pelo peso de seus passageiros”(Rousset, Leval e Mansart); veículos com propulsão “hidráulica” (Berthaud, Barriquand); veículos a ar comprimido (V.Popp, G.Peraire, Plantard, Roge-Andrillon); carros movidos “por alavancas”; os que utilizavam propulsão “automática”; outros que eram dirigidos por um sistema de “pêndulos” ; veículo a “pedal”; a “gás comprimido”; “elétricos”; “semi elétricos” e veículos movidos por uma “combinação de líquidos”.

 

Naturalmente, a maioria desses estranbhos veículos nem sequer apareceu na corrida preliminar realizada no dia 18 de julho, em Neuilly. O pequeno numero dos que ficaram 26, entre 102 inscritos. Foi reduzido posteriormente para 17 concorrentes, quando tiveram de passar por um novo processo de eliminaçãorealizado em 22 de julho, em cinco diferentes estradas nos subúrbios de Paris. Mais tarde, foram eliminadas mais quatro veículos, mas em virtude de sucessivos arranjos apresentaram-se 21 carros para a corrida definitiva.

 

O programa da corrida, e isto também foi o único na história das disputas automobilísticas, previa uma pausa de uma hora para o almoço em nantes, exatamente na metade do percurso.

 

O sinal de partida foi dado as 8 horas da manhã e imediatamente o pesado e poderoso trator a vapor do marquês de Dion assumiu a liderança.ele vinha seguido por Peugeot e Panhard, cuja rivalidade direta fornecia o real interesse da corrida, organizada pelo jornal parisiense devido as freqüentes discussões entre os defensores destas duas companhias. As desistências começaram cedo: muitos veículos a vapor ficaram superaquecidos, o que é comum neste tipo de carro quando a pressão se eleva acima dos limites.

 

Muitas desistências foram causadas por defeitos mecânicos provacados pelo mau estado das estradas. Outros competidores continuaram após os primeiros enguiços, grasças ao entusiasmo da colaboração dos espectadores.

Os resultados, considerando que os critérios de classificação eram muito diferentes dos atuais, são relativamente sem importância. O principal dessa corrida foi o grande interesse manifestado pela população.

CHEGA EM TRIUNFO

Os pioneiros, exausto mas orgulhosos, com suas faces cobertas de pó e óleo, esguços de óleo em todas as direções e sem interrupção eram uma características de todos os cachorros daquela época, foram recebidos em triunfo e carregados nos ombros de seus admiradores.

 

As “equipes” de Peugeot e Panhard, igualmente vencedores, celebraram o sucesso com a tradicional champanha. Deve ser dito que o vencedor oficial foi um Peugeot, dirigido por Lemaître, a quem coube o atraente primeiro prêmio de cinco mil francos, estabelecido pelo Petit Journal.

 

Na verdade, o primeiro a cruzar a linha de chegada foi o carro De Dion, mas o júri decidiu desclassificá-lo em vista das exigências de economia e facilidade de sireção estabalecidas no regulamento da competição.

Os juizes não podem ser acusados: este monstro pesava 812Kg, de água e combustível, exigia duas pessoas, motorista e foguista para manter-se em movimento.

Fonte: História do Automóvel

Atenciosamente,

Teresa Gago
Equipe AutoClassic
Rio de Janeiro – Brasil

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