Carreteras, carros de corrida com tempero latino por: Vicente Miranda
Rio de Janeiro - Brasil
Carros híbridos, de tradição no automobilismo do Cone Sul, que fizeram surgir grandes ases como Juan Manuel Fangio, utilizados nas disputadas corridas em estradas do Sul do Brasil y em las carreteras argentinas.
No início dos anos 30, movidos pela dos recursos e facilidades existentes na Europa e nos Estados Unidos, os latinos eram obrigados a a adaptar carros de rua, geralmente Fords, Chevrolets e Studebakers recortados e transformados em carros de rodas expostas, para competir com puros-sangues como Alfa Romeo, Bugatti, Auto Union, etc.como se viu no Circuito da Gávea nos anos 30, onde o bravo Irineu Correa escreveu seu nome na história do automobilismo, enfrentando e vencendo com seu Ford adaptado as velocíssimas máquinas européias.
As corridas de estradas na Argentina, destinadas a carros fechados, foram o cenário ideal para o desenvolvimento desses carros derivados de coupés norte-americanos, bastante aliviados em peso, com paralamas recortados, tampas de mala feitas de lona e portas algumas vezes em madeira para aliviar o peso, capôs presos com cinto de couro, equipados com motores preparadíssimos. A única exigência era que o motor fosse do mesmo fabricante da carroceria. E pensar que Fangio e Froilan Gonzáles saíram de carreteras e partiram para a glória nos monopostos no Velho Mundo.
Fangio numa carretera Chevrolet
Pela proximidade geográfica, esse conceito de carro de corrida entrou no nosso país pelo Rio Grande do Sul e gradativamente foi subindo em direção a São Paulo, nem chegando ao Rio de Janeiro que, por sediar o Grand Prix da Gávea, era um cenário para carros do tipo que se chama hoje Formula. Vemos que as carreteras gaúchas aproximavam-se muito em conceito das argentinas, que participavam comumente de corridas em estradas de terra.
À medida que avançamos no tempo, com a construção dos autódromos, as carreteras ficaram mais civilizadas e algumas tornaram-se praticamente protótipos com uma vestimenta retrô, como é o caso do carro de corridas mais carismático do Brasil de todos os tempos, a Chevrolet Corvette no 18 de Camilo Christofaro, vencedora das Mil Milhas Brasileiras de 1966, que chegou a competir contra Ferraris, Alfas e Porsches até o início dos anos 70.
As carreteras tiveram seu apogeu nos anos 50 com a criação das Mil Milhas Brasileiras, quando pilotos gaúchos como Catharino Andreatta, Breno Fornari, Orlando Menegaz, Aristides Bertuol, e paulistas como José Gimenez Lopes, Chico Landi, Camilo Christofaro, dentre tantos, destacaram-se conduzindo seus potentes carros equipados com moderníssimos motor americanos V8 (Chevrolet Corvette e Ford Thunderbird) no Circuito de Interlagos.
Catharino Andreatta e Breno Fornari, vitoriosos em 1956, e o famoso Ford 1940 equipado com motor de Thunderbird, nos dias de hoje, preservado pela família Andreatta.
Chico Landi e José Gimenez
nas Mil milhas de 1957
Vale destaque para uma minúscula carretera Volkswagen, cujo motor era todo enxertado de peças Porsche, que por pouco não vence primeira edição das Mil Milhas, em 1956, pilotada por Christian Heins e Eugênio Martins.
Os anos 60 representaram o canto do cisne das carreteras. No Paraná, registrem-se os nomes de Altair Barranco, Adir Moss e Ângelo Cunha, Altair Barranco, Adir Moss...
E Em São Paulo Caetano Damiani (Chevrolet Corvette no 34), o único que incomodou Camilo,Nelson Marcílio e Ayres Bueno Vidal, Justino de Maio e Vittorio Azzalin (Chevrolet Corvette no 50), vencedores das Mil Milhas de 1965, e a famosa 18 de Camilo Christofaro que, tendo como co-piloto Eduardo Celidônio, chegou em primeiro na edição de 1966.
Justino de Maio e Vittorio Azzalin nas Mil Milhas de 1965
Camilo Christofaro e Eduardo Celidônio nas mil milhas de 1966
Camilo continuou competindo com sua Corvette até o início dos anos 70, com seu carro equipado com enormes rodas e pneus, até dar-lhe a merecida aposentadoria.
Infelizmente, como a grande maioria dos carros de corridas brasileiros, muitos desses carros foram sucateados, porém graças ao esforço do colecionador gaúcho Paulo Trevisan, muitas delas estão preservadas no Museu do Automobilismo Brasileiro .