Conhecedor, admirador e apaixonado pelo automóvel antigo, estas são algumas das características que descrevem um determinado pioneiro dentro do mundo das relíquias.
Dia sim, dia não, o tempo passou e o hábito de se adquirir, restaurar e manter um carro antigo foi sendo refletido sobre uma nova maneira de libertar emoções talvez oprimidas. Através da curiosidade, ou mesmo vontade, de preservar a história dos antigos, novas idéias e sentimentos surgiram, pensamentos pediam um futuro próspero para o novo movimento que nascia para saber exatamente onde aquilo tudo iriam levá-los.
Assim, esgotados todos os meios possíveis de se gerar uma nova mania, alguns poucos mosqueteiros se juntaram, na segunda metade dos anos 60, e se infectaram mutuamente com toda a ferrugem possível, para dali surgir à paixão verdadeira pelo automóvel antigo.
Colecionadores recebendo o troféu Og Pozoli, ao centro a Prefeita de São Joaquim da Barra e Paulo Guidi, outro colecionador das antigas, que instituiu o troféu.
Se o princípio era o verbo, na história do antigomobilismo brasileiro, o princípio foram 4 sujeitos. 3 paulistas e 1 carioca. Aliás, foi um deles que disse: “como a primeira namorada, o primeiro automóvel antigo não se esquece”, palavras sábias de um grande culpado pela explosão dos carros antigos, o senhor Roberto Lee, que ainda lembrava que a cura para tal infecção não seria encontrada tão cedo.
Outro pioneiro era cunhado de Roberto Lee, Eduardo Matarazzo, um excêntrico mantenedor do mais antigo Museu de automóveis do Brasil ainda em atividade, que hoje discute em família (Junto com Lee) os problemas de restauração lá no céu.
Mas naquele mágico momento um grupo havia se formado, um grupo unido e sempre aberto para novos aficionados a se tornarem membros do mesmo, e tendo certeza de que ali iriam ajudar uns aos outros, compartilhando informações ou ajudando na restauração dos gloriosos veículos.
Pelos caminhos de São Joaquim.
Estes homens seriam diferentes da maioria, mais sociáveis e com uma paciência adquirida após horas em sua oficina improvisada tentando consertar seu antigo com as próprias mãos, e assim, tendo experiência e habilidade com assuntos e objetos, com isso, incentivavam outros a irem para o mesmo caminho, passando seus conhecimentos.
Entre os 4 pioneiros, o Carioca, se não me engano, foi Roberto Carneiro Leão (que também discute carro antigo no andar de cima), mas não tenho certeza e deixo bem claro. E havia também o último paulista do Grupo Mágico, o último integrante ainda vivo dos 4 Cavaleiros do apocalipse. Ou, se preferirem, o último contador de histórias do Quarteto Fantástico. Ou, simplesmente, o Último dos Moicanos.
Colecionador então seriam eles, os que adquiriam os veículos, restauravam e os expunham, seja dando uma volta em um deles ou estacionando-os nos eventos que já aconteciam por ali.
Cadillac 1967 que mostrou sua beleza no dia do encontro.
Aos aprendizes da época (estamos falando em anos 60), entrar neste mundo e querer fazer parte da família que já tinha conquistado o mundo, o colecionador novato teria que saber de suas alegrias e tristezas antes de dizer sim.
O Poeta Roberto Lee registrou em uma memorável carta: “...como uma esposa ou namorada, os veículos também vão precisar de uma atenção especial, compartilhando momentos felizes e também tem uma capacidade incrível de dar mais enguiço do que andar...”.
Mas, e o Último dos Moicanos ? Quem, além dos 3 mosqueteiros já citados merece a coroa e o troféu de Honra ao Mérito em qualquer clube de carro antigo que ele “santificadamente” colocar os pés ?
A representação material de quase meio século de dedicação ao antigomobilismo.
Que atire a primeira pedra quem nunca ouviu falar em Og Pozzoli. O homem que possui mais histórias que o personagem Forrest Gump do filme homônimo vivido por Tom Hanks.
Hoje, quase meio século de antigomobilismo brasileiro, Og Pozzolli não é o que tem mais carros antigos na coleção, nem é o que tem a coleção mais cara ou “a mais rara”, Og Pozzoli conseguiu ir além dos carros antigos, hoje a pessoa Og Pozzoli pode ser vista como o Maior Antigomobilista Brasileiro. Incrível como um nome tão pequeno, de duas letras apenas, OG, pode ter um significado tão grande.
Lembranças saudáveis sempre ficaram na memória de quem esta no meio do antigomobilismo, mas estas lembranças não seriam possíveis se alguns não tivessem começado a sonhar.
Og Pozzoli foi um deles, foi o maior deles. Representa os fundadores da cultura antigomobilista brasileira e quem o conhece pela primeira vez acha que ele é um novato devido ao grande entusiasmo que sempre demonstra onde quer que vá. Por ser simpático, carismático ao falar ou em contar uma história, cativante ao ensinar o que é ser um colecionador e dono do bigode mais conhecido da confraria. Og Pozzoli é o nosso pai, o pai do antigomobilismo brasileiro.
Larissa e Og Pozoli no Brazil Classics Fiat Show 2008.
Aliás, estas palavras são apenas registros de agradecimento, motivado por uma onda tendenciosa de homenagens que irão surgir. Por seu pioneirismo e sua importância para o antigomobilismo, Og Pozzolli é, hoje, nome de troféu.
A pacata cidade paulista de São Joaquim da Barra homenageou no dia 29 de junho, na ocasião do seu 1° Encontro de carros antigos, este que é o pioneiro do movimento cultural de maior impacto explosivo no Brasil. Og deixou de ser um nome pequeno para, eternamente, marcar a história com apenas duas marcantes e inesquecíveis letras. O e G.