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Cada vez me convenço mais de que não há espaço nem distância… porquê? Pois é, porque desta vez tenho o prazer de partilhar convosco uma experiência levada a cabo por uma mulher portuguesa que vive em Inglaterra e que nos enviou um texto bem simpático, além de falar dum carro de que eu muito gosto, o Austin Seven. Vamos deixar ser a Tânia Moura Martins a contar a sua história. Por mim, saber que o que escrevo é lido e apreciado em Inglaterra deu-me um prazer muito grande. Não por ser em Inglaterra, mas por ser mais uma forma de levar um pouco de Portugal a portugueses que vivem longe da pátria e da família. Obrigada e bem hajam a Tânia pelo texto e o Miguel Martins pelas fotos. Aos meus amigos brasileiros quero dizer que não visitem Portugal neste momento, pois está muito frio por aqui… Mas o calor humano que vos envio neste forte abraço é sempre o mesmo: IMENSO. Ana Maria Thomä
Prático e sedutor Não percebo muito de automóveis clássicos, mas parece impossível que passados mais de setenta anos, este pequeno carrinho continue a desempenhar as funções para o qual foi inicialmente construído. Guiar à direita pode parecer um bicho de sete cabeças, para quem sempre esteve acostumado a um carro "Normal". Eu acho que um carro clássico inglês tem de ter volante à direita. Falar em modificações para pôr o volante à esquerda, faz tanto sentido como mandar pôr um side car do outro lado da moto. Ou pôr mudanças de pé numa Vespa. Mas eu não percebo nada disto, não liguem.
Do ponto de vista das senhoras, o que mais custa neste Austin é não ter espaço para compras. Os sacos do Hipermercado tem de ser "espalhados" pelo banco de trás, enquanto lá fora já alguém se acercou do pequeno carrinho para puxar conversa. Nada que um Moderno Mini ou BMW consiga fazer. O Austin Seven é um George Clooney em chapa. Um sedutor nato. Sempre que estou a escolher a fruta, eis que alguém se detém a tirar fotos lá fora, empunhando um telemóvel. Estou um pouco descansada, pois possuo um corta-corrente e um dispositivo para imobilizar a alavanca de direcção. Mas ninguém no seu perfeito juiz iria "pedir emprestado" um carro que pode ser perseguido a correr.
O Austin é muito fácil de estacionar, embora origine alguns "sustos" ao curvar. Dizem-me que é por causa da distância entre eixos. A pouca velocidade, permite corrigir a direcção e operar os travões de brinquedo. Ladeira abaixo, convém ir com calminha e engrenado numa mudança baixa. O painel de instrumentos só tem uma luzinha encarnada para a gente se preocupar. É incrível a quantidade de pessoas que passa nos outros carros e olha na minha direcção. Isso enerva um bocado as senhoras a bordo de caríssimos automóveis modernos, que não conseguem a dose de atenção que um clássico proporciona.
Tive algumas reservas em começar a guiar clássicos. Sabem como é que é! Isto são coisas de "Homens". Mas não. Só temos a perder se não chamarmos a nós a fatia a que temos direito destes pedaços de História. Estaremos a fazer algo que nos torna diferentes e exclusivas. A História fala-nos de mulheres que ousaram fazer coisas diferentes. Temos duas hipóteses: Desprezar os clássicos e dizer segunda-feira no trabalho que estivemos em casa a ver novelas, ou podemos dizer que saímos aos comandos de um carro de antes da Guerra. E que curtimos imenso…
Texto por Tânia Moura Martins
Edição - Marcella Gago - Equipe AutoClassic |
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