As históricas e desbravadoras pioneiras do automobilismo


Devemos tirar o chapéu para essas incríveis mulheres que participaram de corridas automobilisticas da história. Acelerando em velocidade máxima, as mulheres souberam  mostrar suas habilidades com, inteligência e força para conseguirem um espaço no meio dos homens da época, considerados muito machistas que por sinal achavam uma afronta dividir pista com mulheres.

Abaixo um vídeo com fotos do livro: FAST LADIES – female racing drivers. Confira!

Violette Morris

A história de Violette Morris por mais que se tente imaginar, é algo surpreendente, simplesmente inacreditável. Sobrinha do general francês Gouraud, Violette Morris, foi  uma atleta naturalmente talentosa e forte que se sobressaiu nos esportes. Ela foi uma boxeadora que competia regularmente contra os homens e vencia.


Foi uma atleta admirável – se sobressaiu  nos esportes

Morris também se tornou campeã de ciclismo, depois começou a se dedicar as corridas de moto e carro. Ela estava tão empenhada nas corridas automobilísticas que (acredite!!!) passou por um processo cirúrgico, fez uma mastectomia dupla, ou seja, uma cirurgia de remoção completa das mamas, para que se sentisse mais confortável e competir sem qualquer empecilhos, já que os carros eram apertados, e voltou a competir em 1920. (uauwow!)


Morris fez uma mastectomia dupla para competir mais confortável…

Durante a Segunda Guerra Mundial, quando a França foi ocupada pelos nazistas na década de 40, Morris se juntou a Gestapo de Paris. Tornou-se oficial  nazista e trabalhou com a “rue Lauriston”… Em 1944, enquanto viajava em sua viatura militar  com seus companheiros, da Normandia de volta para Paris, teve seu veículo bombardeado. Todos que estavam na viatura tiverm morte mediata.

Viollete Morris, definitivamente viveu a vida ao máximo, sem medo de lutar.


Morris tornou-se oficial nazista e acabou morrendo em sua
viatura militar por conta de um borbardeio em 1944

Abaixo um vídeo que mostra um pouco da vida de Viollet Morris. Confira!

Helle Nice

Em 1929, após sofrer uma lesão no joelho esquiando, ela foi obrigada a deixar os palcos e sua dança.  Suas  sapatilhas foram trocadas pelas luvas de couro. Sempre obstinada, Helle Nice comprou um carro e rumou para o Grand Prix Omega Féminin, onde  participou do circuito Monthlhery (Paris) em 1929, a corrida para mulheres mais prestigiada na França.  Helle Nice  ganhou  o Grand Prix Féminin e  destaque na imprensa. Essa precoce vitória a fez conquistar o título de piloto-profissional,  seu magnífico Bugatti e o apelido de “A Rainha da Velocidade” –  ”The Queen of Speed.”

Helle Nice vitória no Grand Prix 1929 Féminin garantiu -lhe um Bugatti
e elegante o apelido ” The Speed Queen. ”

Em 1936, Hellé Nice esteve no Brasil para correr o Grande Prêmio de São Paulo. Estava em segundo lugar, atrás do campeão brasileiro Manuel de Teffé, quando (não se sabe bem se foi por causa de um soldado atravessando a pista ou de um objeto jogado) perdeu o controle do seu bólido a 160 km/h. O carro voou sobre a platéia, matou quatro e deixou dezenas de feridos. Hellé Nice caiu sobre um soldado, que morreu com o impacto. Ela mesma foi considerada morta, mas acordou depois de três dias em coma, o que causou grande comoção na imprensa brasileira.

Traumatizada, Hellé-Nice, uma das pioneiras dos Grandes Prêmios, nunca mais participou de competições oficiais. Ela faleceu em 1984 de causas naturais.

Selecionamos este vídeo que conta um pouco a história de Hellé Nice. Confira!

Kay Petre

Foi uma vertiginosa desafiadora de costumes. A primeira mulher piloto a rasgar fronteiras de fama. E sedução. Kay Petre nasceu no Canadá em 1903. Seu marido, aviador britânico, comprou-lhe, como prenda de anos, um Wolseley Hornet Sport. Pequenina, de cabelos pretos e enrolados, sempre imaculadamente vestida com casaco de seda azul-marinho, lançou-se às corridas de automóveis.

Um espanto. Em 1934, no circuito de Brooklands, em Surrey, atingiu 199 km/h ao volante de um Bugatti — nunca senhora alguma atingira tal rapidez. O seu exemplo já contagiara outras aventureiras e por isso alguns meses depois Elsie Wisdom, em Riley, apoderou-se do recorde, foi a primeira a mais de 200 à hora. Kay decidiu, então, pedir emprestado a um amigo um Delage de 10,5 litros e marcou uma volta a 207 km/h.

Em  1935 lançou-se um duelo entre Kay Petre e Glenda Stewart, que rendeu grande publicidade a Brooklands. A competição era tão perigosa que, para minimizar riscos, se optou por corridas individuais. Petre chegou aos 215 à hora, Stewart, num Derby-Miller, atingiu 218! Os juízes, alarmados, proibiram quaisquer outras tentativas. Depois disso, em Delage, com o assento e os pedais adaptados, Kay venceu várias corridas, algumas delas com os melhores pilotos do mundo.

Um acidente quase fatal, atingida pelo bólido de um outro piloto, que a hospitalizou por vários  meses. Quando de lá saiu a primeira coisa que quis foi voltar à competição. O marido pediu-lhe apenas que fosse para as “provas de montanha, menos perigosas”. Aceitou e voltou a brilhar, morrendo em 1994, com 91 anos. 

Saudações,

Teresa Gago
Portal AutoClassic
Rio de Janeiro – Brasil

Fontes pesquisadas: Women who rocked the motor racing world, The AUTOSPORT Bulletin Board, Wikipédia, NYTimes.com, Histórias da Formula 1, sportcars.tv
Fotos: Diversas

Enviar Comentário

  1. Parabéns, espero que este seja o primeiro da série, o segundo pode falar das “meninas” que competem hoje!
    Um abarço,

    Walfredo

    http://www.antigosdeitaipu.com.br

  2. 27 de agosto de 2010

    Teresa,
    parabens por mais esta fantástica reportagem. Só mesmo você para nos brindar com mais esta história.

    Becsom

    • 27 de agosto de 2010

      Becsom…

      Muito obrigada pelas palavras, mas suas matérias são fatásticas… Aliás.. acabamos de colocar uma sensacional no ar..

      Forte abraço agradecido,

      Teresa Gago
      Portal AutoClassic
      Rio de Janeiro – Brasil

  3. 27 de agosto de 2010

    Teresa
    Parabéns pela iniciativa. Já escrevi 3 posts sobre mulheres ao volante e é um mundo muito, interessante. Mas neste quero fazer 2 observações:

    a-) Quanto a Bugatti Queen – Hellé Nice. Ela não ficou tão traumatizada assim com o acidente sofrido em São Paulo. Ela se retirou das pistas por outro motivo. Ela veio ao Brasil escapando da recessão econômica na Europa. Em 36 ela já pilotava a Alfa Romeo 8C Monza. Recebeu uma “grana cabeluda”, por assim dizer do Governo Brasileiro da época para efeitos indenizatórios. Ela correu para bater record com o famoso The Matford-Yacco chamado por suas pilotos de Claire (ela corria em Monthéry de 19 a 28 de maio de 37 com Odette Siko, Claire Descolas, Fernande Roux e Simone des Forest). foram 30 mil km na média de 140.88kph – ela ia mal porque tinha aminésia, por causa do acidente no Brasil. É… mas em 38 pilotou um DKW no Chamonix Rallye para o Barão Huschke von Hastein (aquele que pilotava uma BMW sob propaganda Nazista). Em 6/8/39 ela ganha a última corrida com um Renault Juvaquatre da família (Rally Comminges) – 3 semanas antes da Segunda Grande Guerra. Depois da guerra procurou a sua amiga Anne Ltiter, para participar do Rallye de Monte Carlo de 49 com um 4CV Reanult (ela queria entrar no mundo do rallye, pois, só as mulheres tidas como nobres haviam participado dos grandes rallyes europeus). Na noite de abertura de gala do rallye de Monte, sua amiga Anne Itier, Yvonne Simon, Germaine Rouault, tendo como porta-voz o AS das pistas Louis Chiron, acusaram-na de ser agente da Gestapo (havia rumores de sua ligação com o oficial macrabo da SS Friedrich Leopold vo Richthofen e de sua ligação do Mussolini por causa da ligação dela com a alta cúpula da Alfa). Isso sim a tirou das pistas. Nada foi provado e ela morreu esquálida em Nce em 84.
    The Bugatti Queen – de Miranda Seymour, ed. Pocket Book, London, 2004

    b) A Violette Morris chamada de a Hiena da Gestapo, era um homem no corpo de uma mulher – essa história da retirada dos seios para pilotar melhor era lenda. Se vestia de homem e se comportava como homem. A tal retirada dos seios, aconteceu porque foi barrada nos jogos olimpicos de 28 (fumava 3 maços de cigarros americanos por dia e havia por parte das mulheres, uma pressão grande para retirá-la do time). Em 27 dormia no dormitório dos homens do time de futebol, além de outras peripécias (jogou 200 partidas de futebol e chegou a ganhar por 3 vezes a Bola de Ouro). A justificativa para retirada dos seios foi para participar do time chamado Amazons, que tinham super-fast cars, mas o desejo “dela” era ser homem. A Federação francesa tirou a sua licença depois disso e ela ganhou na Justiça. Ela foi recrutada por sua coragem (de se portar assim), pelo SD Nazi (serviço de segurança nazista). Em 36 foi convidada VIP de Hitler nos Jogos Olimpicos de Berlin (havia muitos homens disfarçados de mulheres competindo pelos nazistas e muitas homosexuais, agindo do outro lado). Passou vários segredos para os nazistas como o layout da Linha Maginot, listas de telefones importantes da resistência, planos do novo tanque Reanult-Somua, e por ai vai. Gostava de ter o mesmo corte de cabelo do Hitler. Morreu metralhada no volante de seu supercharged 15 e não por bombardeio.
    Vilette Morris, la hyène de la Gestapo – de Raymond Ruffin, ed. Le Charche Midi, 2004, Paris.

    Luis Cezar

    • 27 de agosto de 2010

      Mestre, LC… Vc é espetacular!
      Muito bom… Fiquei ainda mais impressionada (ou será chocada?!)com a Viollete Morris.. Que coisa, menino!
      Quando comecei a pesquisar sobre estas mulheres, não deu vontade de parar, mais queria saber… Loucura! Loucura!

      Outra coisa que estou impressionada… As as fontes de pesquisa da Internet… Vem muita enrolação, hein! Como saber onde as infomações são corretas?!?!?

      Muitíssimo obriga por estas informações..

      Em tempo! Quais os outros posts sobre mulheres vc tem… Coloca aqui, LC!!!

      Beijo gigante,

      Teresa Gago
      Portal AutoClassic
      Rio de Janeiro – Brsil

  4. 27 de agosto de 2010

    Teresa
    Vou refundir e preparar um para o Portal. Claro que tenho minhas preferidas… umas mais lindinhas, outras menos, mas todas ótimas pilotos.
    Fontes na net são terríveis – até mesmo a Fundação Helle Nice tem problemas com isso, ainda mais com fatos obscuros. Me perguntaram depois da minha observação neste Portal acima: havia muitas homosexuais no “grid”? Não, poucas… e poucos gays (o mais famoso era o Principe Bira). Mas tem histórias fantásticas.
    Luis Cezar

    • 27 de agosto de 2010

      LC… Uauwow!!!

      Nossa… vc é o “wikipédia” em pessoa… !QUe coisa boa isso! Antigomobilistas novatos, essa garotada que está vindo aí agora e até mesmo muitos veteranos, tem muito a aprender com vc…

      Adorei saber destas histórias que vc mencionou, vou pesquisar “pra variar”…

      Beijo gigante!

      Teresa Gago

      Portal AutoClassic
      Rio de Janeiro – Brasil

  5. alexandre
    20 de setembro de 2010

    Teresa,

    Que maravilha , essa iniciativa é mesmo de tirar o chapéu , e o artigo do Luiz Cesar muito bem escrito , costumo ler as coluna que ele edita , na minha opinião pouca gente sabe escrever automobilismo assim , mas vc tomar a iniciativa de escrever esse texto excepcional , realmente não é qualquer um não , no comments.

    Um abraço.

    Alexandre.

  6. Cleucio Lantimant
    8 de março de 2012

    Teresa.

    Parabéns pelo Dia Internacional das Mulheres.
    Parabéns pela iniciatva e parabéns ao Luiis Cezar pelas reportagens, ilustrando-nos.

    Forte abraço e parabéns também ao Bereck pela dinâmica e batalhadora esposa que lhe acompanha, proporcionando-nos com seu belo trabalho, tudo de bom no Antigomobilismo.

    Cleucio Lantimant.

  7. Cleucio Lantimant
    8 de março de 2012

    Teresa.

    Parabéns pelo Dia Internacional das Mulheres.
    Parabéns pela iniciatva e parabéns ao Luiis Cezar pelas reportagens, ilustrando-nos.

    Forte abraço e parabéns também ao Bereck pela dinâmica e batalhadora esposa que lhe acompanha, proporcionando-nos com seu belo trabalho, tudo de bom no Antigomobilismo.

    Cleucio Lantimant.

  8. Mana querida
    Faz hoje já alguns anos que comecei a escrever para o teu/nosso portal. O último tempo tem sido difícil para mim, você sabe, mas prometo redimir-me e voltar aos bons velhos tempos, continuando a escrever a minha coluna.
    Não poderia deixar passar este dia sem te dizer que és das mulheres que mais amo, admiro e respeito. A tua força, a tua gentileza, o teu amor por aquilo que fazes foi o que me levou a visitar o Brasil para participar desse encontro também organizado por uma grande mulher, a Edenise Carratu, que é “Águas de Lindoia”.
    Momentos que jamais esquecerei e que te colocaram para sempre no meu coração, minha amada.
    Parabéns a ti, à tua filha maravilhosa que tão bem se tem portado como a grande mulher que também é e a nós por termos a honra de vos ter connosco, sempre prontas a partilhar este mundo fantástico do antigomobilismo.
    Obrigada em nome de todos os que temos o prazer de vos ler e de sentir o vosso entusiasmo.
    Beijo para todas as mulheres brasileiras, deste lado do oceano… tão longe… tão perto… Muito amor!

Deixe uma resposta