O Portal AutoClassic no mês de outubro tem a honra de homenagear, este grande antigomobilista de Vitória- Espírito Santo e excepcional profissional da área odontológica.
Este mês, precisamente no dia 2, ele estará completando mais um ano de vida... Conheçam um pouco mais sobre a vida deste veterano – Roberto Miranda - uma pessoa muito querida no meio antigomobilista ...
Quem é Roberto Miranda?
Roberto Miranda, vulgo Roberto José Souza Miranda Carvalho , nascido aos dois de outubro de 1947, na cidade mineira de Manhumirim, localizada na Zona da Mata de Minas, aos pés do Pico da Bandeira cuja atividade principal é a cultura do café.
Meu pai - Roberto Miranda Carvalho , Farmacêutico por profissão e minha mãe, dona Izaura, prendada dona de casa com habilidades manuais invejadas na arte do crochê e do tricot.
Fiz na minha cidade, meu curso Primário e Ginasial como era na época e quando chegou a idade de prosseguir os estudos fui mandado para Juiz de Fora, nos idos de 1963 , onde passei toda a minha juventude, tive meus amigos, as primeiras namoradinhas, os primeiros bailes, os Beatles, Elvis Presley, Roberto Carlos etc. e também admirandos os carros na época chamados de velhos como os Citroens, Austins, Packards, alguns já nem se vê mais pois naqueles tempos já eram difíceis assim como Singer, Morgans entre outros.
Nesta cidade que adotei como minha e que até os atuais dias assim a considero e lá tenho e com os quais ainda convivo com muita freqüência os meus amigos da minha juventude , da época do Colégio Machado Sobrinho e dos passeios na Rua Halfeld após as aulas antes do almoço.
Lá também cursei minha faculdade, me formando em Odontologia em 1971, e onde me casei com Marlene, minha atual esposa em 1973 .
Após ter me formado fui para o Rio de Janeiro onde comecei minha vida profissional na Av. Na. Sa. De Copacabana, nº 728 em janeiro de 1972 e em 1975 me mudei para o nº 680, onde depois de alguns anos fora retornei e divido meu tempo de trabalho entre Rio de Janeiro e Vitória há seis anos,
No Rio, tivemos nossos filhos, três, sendo a mais velha a Roberta , já casada e residindo atualmente em Lisboa onde exerce a profissão de também Dentista com especialidade e mestrado na área da Periodontia e Implantodontia , junto com o marido Gustavo.
A do meio, Sabrina, também é casada e Dentista, especialista em Ortodontia, mora em São Paulo, com o marido Ricardo - engenheiro mas tem toda a sua pós-graduação na área da Informática .

Roberto Miranda com seu caçula em Evento - março de 1993
O caçula , Felipe, ainda estudando mora conosco em Vitória...
Estranho este negócio de Rio e Vitória, mas é assim mesmo... Isso é uma história para um outro capítulo...
Os Autos Antigos na vida de Roberto Miranda
Os automóveis antigos fazem parte de toda a minha vida, pois na minha cidade natal os carros novos os quais me lembro eram todos estes: Chevrolets, Fords, Oldsmobilles, Dodges, Plymouths os mais usados juntos com os Jeeps e Camionetes da citadas marcas mas, foi lá que conheci o meu primeiro Kaiser e que muito me impressionou com aquele pára-brisa que quase era um coração.
À medida que fui crescendo fui me tornando mais íntimos destes automóveis pois sempre fui chegado a uma oficina mecânica e por elas sempre presente ora fazendo perguntas , ora consertando minha bicicleta Monarch com seus pneus balão e freio contra pedal.
Quando garoto vinha sempre ao Rio onde meu Tio Ralph, irmão de minha mãe era comerciante de automóveis e ficava na Garagem Maracanã, uma grande garagem que existia entre o Maracanã e Vila Izabel, e lá então era prato feito, ligar , manobrar todo tipo destas nossas maravilhosas máquinas que hoje guardamos como lembranças vivas de um tempo feliz do mundo, pós-segunda guerra, onde o crescimento a vida farta e cheia de tranqüilidade podia ser aproveitada por todos e também os menos afortunados tinham sua vida bem melhor e mais farta do que a dos tempos modernos.
Foi nessa época que vi surgir a industria nacional e acompanhei sua evolução desde o dia que sentei pela primeira vez dentro de um Aero Willys 1960 e fiquei impressionado com sua maciez e como era bonito e luxuoso.
Nessa época os carros importados eram cada vez maiores e mais luxuosos e também pude desfrutar de alguns passeios com alguns parentes próximos e ricos , que todo mundo tem, e que quando você chegava do interior a passeio era de praxe te levar para dar um passeio pela cidade, conhecer o Corcovado, o Pão de Açúcar e tomar banho de mar na então limpa e calma praia do Flamengo.
Meu primeiro automóvel foi um Citroen 11 L de 1948, conhecido pelo nome de André.

André...
A importância de Roberto Miranda para o Antigomobilismo do Brasil
Quando me mudei do Rio para Vitória, levei na minha bagagem um Chevrolet 1952, Styleline Sedan, que ainda tenho e com ele passeava pela cidade quando tinha tempo pois nossos passeios na maioria das vezes eram de Jeep pois os filhos eram pequenos e os fins de semana na sua maioria eram em Guaraparí e lá com nosso jipinho era bem melhor de se curtir pois não tinha que tirar as areias dos pés quando se vinha da praia , o que dava mais liberdade.... Mas, um dia quando saia do meu consultório para casa fui abordado por uma pessoa que mais tarde se tornaria amigo (faleceu precocemente em acidente bobo dentro da cidade) e me convidou para participar de um grupo que tinha o mesmo gosto pelos carros antigos.
Destas reuniões, surgiram passeios , fomos ao evento de Araxá, o mais famoso então, e como não podia faltar, a idéia de se formar um clube. Estudos daqui, estatutos dali, registros e etc. e sem muita demora estava fundado o Veteran Car Club –Vitória-ES. Do qual fui seu primeiro presidente pela bagatela de oito anos.

Roberto Miranda (e)com amigos em Evento do VCCB-ES
Viajamos a partir daí, sempre um grupo muito animado e barulhento e com nossa alegria fomos conquistando os amigos que hoje temos orgulho de tê-los tanto os mais velhos quanto os mais novos e um sem número de filho de amigos que conhecemos ainda crianças.
As coisas foram evoluindo, fizemos nossos encontros, e também participamos da fundação os moldes em que ela funciona hoje; pois a idéia inicial era um pouco diferente onde o uso dos automóveis era limitado e chegava ao absurdo de para você levar seu carro até a oficina tinha que pedir licença ao departamento de trânsito, viajar então , rodando, nem pensar de tanta burocracia que tinha: idéia de jegue.
Fui designado diretor regional para o Estado do Rio (menos a capital) e para o Espírito Santo por onde participamos de um sem números e eventos pelo interior representando a Federação e transmitindo a legislação que regia o emplacamento com a placa Preta.
Sobre a importação de autos antigos
Acho que o brasileiro de uma forma geral , não tem na sua cultura a preservação e com isto muito carro tanto importado quanto nacional foi cortado e vendido às fundições para reciclagem do aço...
A importação dos automóveis antigos trouxe a oportunidade de quem quiser , importar um automóvel igual ao que seu avô tinha ou um carro diferente com o qual sempre sonhou: acho muito válido.
Também acho que deveríamos arrumar uma forma de importarmos peças de reposição de carros antigos através dos clubes com uma taxação menor mas, sempre por intermédio dos clubes, para que os sócios possam ter um custo um pouco menor principalmente quando da restauração de seu automóvel.

Roberto Miranda e seu Cadillac Limousine 1947
Roberto Miranda X Clubes de Carros Antigos X Eventos Nacionais
Sou sócio do VCC –Vitória-ES, do Clube do Fordinho e do Veteran Car Club do Rio de Janeiro. Escolhi o VCCB-ES e VCCB-RJ para ser sócio pelo clube irmãos que são, quanto ao clube do Fordinho, pela paixão por aquele brinquedinho.
Nos encontros de carros antigos pelo Brasil, sempre participo.. Fora do Brasil já participei de um encontro interessante, de motocicletas Harley e Daytona (USA).
Perfil de Roberto Miranda como colecionador
Perdido... Comecei com uma idéia que virou outra e outra e não sei onde vou parar...
No início a minha preferência era pelos Chevrolets 1952 que pelo seus detalhes de acabamento eu achava mais bonito que os mais antigos.
Tenho minha paixão também pelos nacionais e tenho alguns exemplares mas, deixei de ter alguns bem mais raros por não acreditar que o automóvel nacional fosse crescer tão rápido dentro do contexto dos automóveis antigos.
Sobre os Carros nacionais
Existem diversos modelos que podemos considerar como clássicos e acho que para que assim seja é preciso que tenha desde seu projeto origem brasileira.
Alguns foram feitos em número reduzido como alguns modelos, Gurgel e outros foram feitos aos milhares como a Brasília.
O que posso te dizer é que restaurar um automóvel nacional não é uma tarefa muito fácil... O único automóvel nacional que eu não gosto é do Maverick
O que Falta na coleção de Roberto Miranda
Sou uma pessoa satisfeita com o que tenho, gosto dos meus antigos e os trato bem , talvez quem sabe, para o futuro tenha um Camaro da década de 60 ou um Alfa Romeu 2150 (nacional).
Família Miranda X Antigomobilismo
A família gosta e sempre me apoiou... Marlene, minha esposa, sempre participa dos eventos junto comigo e se bobear, gosta mais deste hobby do que eu.. Quanto aos meus filhos, sempre que podem participam com muito gosto.

Roberto com suas filhas - Roberta e Sabrina
Antigomobilismo na vida de Roberto Miranda
O Antigomobilismo na minha vida é algo muito especial...
Sempre me dediquei muito ao meu trabalho e sempre deixei de fazer muita coisa na vida por ter um compromisso profissional...
Depois que comecei a me dedicar ao antigomobilismo, eu comecei a ter mais lazer, a viajar por muitos lugares onde achava não ser importante ir, e o mais importante, conheci pessoas boas , conquistei grandes amizades...

Uma Dica... Pra vida...
Durante nossas vidas, os momentos não são feitos somente alegrias ou de tristezas, muitas vezes esses momentos se intercalam e isso compete a você impedir que a tristeza se sobreponha a alegria.
Sempre que for preciso devemos procurar tirar por menos ou fazermos ouvido de mercador, para que se possa estar bem em qualquer meio que você freqüente.
Lembre-se que três coisas na vida nunca voltam: a flecha lançada, a palavra proferida e a oportunidade perdida...
Roberto Miranda - Discurso em Juiz de Fora
Conselho de um veterano para os novatos...
Sempre digo a quem está começando neste lazer, que não se deve ir com muita sede ao pote... Procure fazer uma coisa de cada vez, até mesmo para adquirir experiência e conhecimento... pois muitas vezes, mesmo aqueles que já os tem, se metem em situações difíceis de serem resolvidas por lidar com pessoas que não são o que aparentam ser.. Geralmente essas pessoas são envolventes e acabam trazendo aborrecimentos e tristezas ao invés de felicidade e prazer... Portanto, saiba que malandro nunca estrila, tem de ficar ligado...
Planos para o futuro..
Até pela minha idade, os planos para a vida no seu todo, são muitos e o nosso lazer esta englobado.
Estamos numa fase da vida em que precisamos racionalizar muitas coisas, entre elas, o trabalho e o lazer. Portanto, querendo ou não estaremos presentes nos acontecimentos que nos liga a este mundo maravilhoso que nos une...
Muito obrigado.
Roberto Miranda...