O Portal AutoClassic, no mês de novembro tem a honra de homenagear, nada mais nada menos do que o patriarca do antigomobilismo nacional, ele é único, motivo de orgulho para todos nós antigomobilistas Brasileiros...
Conheça um pouco mais sobre a brilhante trajetória, tanto no antigomobilismo quanto na vida do nosso homenageado, OG POZZOLI!!! este grande colecionador de sorriso largo e muita simpatia estampada no rosto ...
- Sobre o Patriarca do antigomobilismo no Brasil
Sou Og Pozzoli, nasci em Itaboraí, no Estado do Rio, em 27/10/1930, Família nordestina (Papai era jornalista e ator de Teatro), nasci em plena Revolução de 1930.
Papai escolheu Itaboraí, porque era uma cidade pequena e pacata, longe das confusões e da turbulência do então Distrito Federal. Não conheço Itaboraí, logo minha família retorna ao nordeste.
Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, são os nossos troncos de Família. Natal é a cidade em que vivi boa parte da minha juventude, por isso me considero Potiguar.
Foi em Natal que tive o meu primeiro automóvel...
- Sobre o primeiro automóvel antigo de OG POZZOLI
Era um Opel, modelo P/4 ano 1937, com uma carroceria esportiva de madeira, estilo “baratinha”, feito em Natal pelo meu amigo Fuad Aby Faraj. Estamos falando do ano de 1952... Apelidado de “Rochedo”, que era uma marca de panelas.
Com este carro, fiz o primeiro Rally de carros antigos de minha vida, em janeiro de 1956, eu chegava a São Paulo, após 17 dias de viagem com o velho Opel, após ter percorrido 3.400 km de estrada, sendo apenas os últimos 400 km em asfalto (via Dutra).
Deixava o Nordeste, para iniciar vida nova em São Paulo, como milhares de nordestinos...
- OG POZZOLI e os desafios da Cidade grande...
Em São Paulo, não pude manter o “Rochedo”, tive que vende-lo, com muita dor no coração, mas era por absoluta necessidade econômica.
Após 2 anos em São Paulo, pude comprar um Lincoln Continental V-12, ano 1948. Era um carro que não tinha valor comercial, um automóvel com 10 anos de uso... Rico não queria porque era um carro de luxo velho, e pobre também não queria porque gastava muita gasolina.

Lincoln Continental V-12, ano 1948
Um ano depois, pude comprar um fusca, carro novo do ano!
Fiquei com pena de vender o Lincoln. No ano seguinte comprei um Ford 1928 (modelo A), era apenas para brincar o carnaval, e deveria vendê-lo depois. Passado o carnaval, tive pena de vender o “Fordinho”, e também fiquei com ele.
Nesta altura, inicio dos anos 60, descobri que tinha espírito de colecionador, e não parei mais.
Com o Lincoln Continental 48, conheci Maria Lúcia, minha esposa em 1962 (Santos).
Este automóvel foi o cupido e a semente da coleção, é um carro pelo qual eu tenho muito carinho e continua conosco.
Tenho 4 filhos, todos paulistas e paulistanos.

Maria Lucia esposa de Og (e) com uma amiga em Evento
Minha Família, sempre me apoiou e colaborou com este hobby, que eu acho ter caráter cultural. Os meus filhos sempre participaram dos Encontros e Rallys, todos cresceram dentro de autos antigos, todos gostam de participar e todos hoje dirigem, também carros antigos.
- Como os clubes de antigos surgiram...
O automóvel antigo atrai automóveis antigos. Na década de 60, exatamente por gostar de andar com carros antigos, conheci Roberto Lee, Eduardo Matarazzo, Ângelo Matinelli Bononni, Wladimir Neves, e outras pessoas que também gostavam de Auto Antigo... Nos aproximamos e nos tornamos um pequeno grupo, que se reunia sempre em nossas casas, a fim de “trocarmos figurinhas”, onde o assunto era sempre em torno da descoberta de velhos automóveis abandonados e esquecidos em fazendas, fábricas e garagem das mansões paulistanas.
Tínhamos a idéia de fundarmos um clube de carros antigos, isto parecia uma esquisitice naquela época, havia receio de sermos olhados como um bando de malucos.
Em 1968, Roberto Lee, que era uma espécie de catalisador de todos, pois tinha amigos no Rio, Paraná e outros Estados do Brasil, em um jantar em minha casa, diz ter um grupo de amigos no Rio, que estariam dispostos a fundar um clube (seriam umas 10 pessoas), havendo no meio um jornalista, Maurício Memória, dos Diários Associados, que se compromete e retransmitir a notícia, em todos os jornais do Brasil.
Fomos então para o Rio, eu e Roberto, onde na casa do Maycon, juntamente com Fernando Carneiro Leão – Paulo Caneca, e outros, fundamos oficialmente o Veteran Car Clube do Brasil, com direitos e obrigações, e as diversas categorias de sócios, o meu número foi o 1 e Roberto Lee foi o número 2 (pela ordem de pagamento espontâneo – sócios remidos).

Og Pozzoli em discurso no Almoço de confraternização do Evento Sul Brasileiro em Ponta Grossa - Novembro 2005
Realmente no dia seguinte, saiu em todos os Jornais do Brasil, que no Rio de Janeiro havia sido fundado um Clube de colecionadores de Automóveis Antigos. Os nosso amigos paulistanos se sentem na obrigação de também fundarem em São Paulo, um Clube de carro Antigos, e assim um mês depois surgiu em São Paulo, o Veteran Car Clube do Brasil, no qual Roberto Lee era o Presidente e eu o seu Vice.
Alguns meses depois, surge em Curitiba-PR, o CAAMP – Clube de Automóveis e Antiguidades mecânicas do Paraná, do qual eu e Roberto Lee, fomos distinguidos como sócios Honorários, iniciou-se então uma confraternização entre os recém criados Clubes, e as Sociedades dedicadas a preservação de carros antigos, que não param de surgir e crescer em todo o Brasil, de norte a sul e leste a oeste.
- Os primeiros Eventos Autos Antigos
Surgiram os concursos de Elegância, os primeiros na Chácara da Ford (São Bernardo do Campo), conseguimos juntar no 1º (aproximadamente 15 automóveis), eu levava 3 carros, Roberto Lee, também 3 carros, e fazíamos a Festa para ser noticia e convocar os amantes dos carros antigos que estavam espalhados, a se agruparem.
Em 1975, com a trágica morte de Roberto Lee (assassinado), assumi a presidência do Veteran Car Club – SP. Organizamos então o primeiro Raid, para comemorar os 50 anos da posse do Presidente do Brasil Washington Luiz (1976), saímos então em caravana cerca de 40 carros antigos (em 1926 – saíram de São Paulo – 40 automóveis – rodando e fazendo a viagem em 2 ½ dias e fomos recebidos no Salão Imperial do Automóvel Clube do Brasil, no mesmo local em que a 50 anos atrás a caravana paulista havia sido recebida, o Gal. Santa Rosa foi o nosso anfitrião, juntamente com o Veteran Car do Rio.
- Quando surgiram os grandes Rallys
Na década de 70 e 80 surgem os grandes Rallys Internacionais, Uruguai, Argentina, Chile, Paraguai e pelo Brasil: Rally do Sol (Natal-RN) – Rally ANHANGUERA (Goiás Velho), Pelos caminhos de Minas (Diamantina).
Monstros sagrados do antigomobilismo no Brasil: OG (d),Nasser(c) e Pacífico Mascarenhas em Evento - Araxá 206
Os encontros Sul Brasileiro e o Encontro Nacional, no qual tive participação ativa, organizei o 1º em São Lourenço, sempre achei que o Estado de Minas, tinha que ser o cenário deste encontro, pois Minas Gerais faz divisa com a Bahia – Goiás – Espírito Santo – Estado do Rio de Janeiro e São Paulo, ou seja, une o País.
A partir do III Encontro em São Lourenço, a cidade ficou pequena para o Evento, partimos então para Poços de Caldas, neste IV Evento, tivemos mais de 140 automóveis, e veio então o consenso de irmos para Araxá, pois a cidade apresentava condições excepcionais para o nosso evento.
Estávamos certos, eu e Caetano Carmignani (SP), Dr. Octávio Rodrigues (MG) e Roberto Nasser (DF), fizemos em Araxá o 1º encontro com as autoridades locais, a preparação e organização deste evento, que se tornou a maior festa do antigo automobilismo da América Latina.
A partir dos encontros iniciais de São Lourenço, surge a idéia da criação da Federação Brasileira de Veículos Antigos – FBVA, Roberto Nasser, jornalista de Brasília é o seu primeiro Presidente, seguindo-se Francisco Asevedo, do Paraná - Og Pozzoli, de São Paulo e José Aurélio, do Rio de Janeiro, o qual vem sendo reeleito nos últimos mandatos.
Com os autos antigos, hoje tenho amigos em todo o Brasil e no Exterior.

OG de pé abraçado ao saudoso ex-presidente da FBVA -Francisco Asevedo e rodeado de amigos antigomobiistas - Evento Sul Brasileiro 2005
- Pra sempre na memória de OG POZZOLI
Os dois eventos mais marcantes do antigomobilismo em minha vida foi o primeiro Rally ao Chile, organizado pelo saudoso Dr. Francisco Asevedo, em 1987; fui e voltei com um CHEVROLET – (Conversível 1941), rodei ida e volta 9.600 km, atravessamos a Cordilheira dos Andes a 4.200 m de altitude com 18 ºC abaixo de zero e chegamos até Valparaíso no Pacífico, éramos mais de 40 veículos, sendo o mais novo com mais de 30 anos.
Outro Rally que marcou muito foi o “Rally do Sol”, com destino a Natal-RN; fui com um Ford (1937 – Cabriolet). Era o ano de 1990, pois eu voltava a minha terra, de onde parti em 1956, sozinho com um Opel - 37, e voltava 34 anos depois com um carro, também, 1937, acompanhado de mais de 56 automóveis antigos.
Foi uma festa inesquecível, o carinho com que Natal, o povo, e o Governo do Estado nos recebeu.
Este é o mundo dos carros antigos, e não é apenas no Brasil.
- O significado de OG POZZOLI para o antigomobilismo no Brasil
Hoje sou sócio honorário de vários clubes de carros antigos do Brasil, recebi o título de Cidadão Paulistano da Câmara Municipal de São Paulo, e de Cidadão Natalense da Câmara Municipal de Natal, quando descobriram que eu não era Potiguar de nascença, acredito que esses títulos, me foram dados pela minha atuação no antigomobilismo.

OG hasteando bandeira - Evento Sul Brasileiro 2005
Hoje dentro do antigomobilismo, me considero como um velho patriarca, que viu a família nascer, crescer e se criar, ou seja, uma grande família espalhada por todo o Brasil, dentro daquele preceito Bíblico – cresceu e multiplicou-se.
Agradeço aos meus velhos amigos do inicio da vida no antigomobilismo, que partiram para o Rally da Eternidade, sem mensagem de chegada, aos companheiros e colegas que preservam os veículos antigos que tanto ajudaram este País, diminuindo distâncias, estreitando os laços, desbravando sertões, nas mãos de caixeiros viajantes (uma profissão que está quase extinta), levando progresso em um Ford – Modelo A – 1928, nas mãos do Marechal Rondon, quando ele levou o telégrafo para o oeste brasileiro.
Acreditem, que esses velhos e antigos veículos, pelo muito eu fizeram por esses Brasis, merecem uma estátua de bronze.

Nosso patriarca OG POZZOLI