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  Homenagem a Elas Antigomobilistas - Junho 2008


Ana Maria Thomä

O Portal AutoClassic, no mês de setembro, orgulhosamente homenageia um dos ícones do Antigomobilismo do sul do Brasil, um dos pioneiros do antigomobilimo Nacional – Conheçam a história do carismático e polêmico veterano, Enzo Monteiro do Nascimento...



M
eu nome é Ana Maria Thomae - nasci no primeiro dia de Verão do ano de 1950, 22 de Junho.

Nasci num bairro bem antigo de Lisboa, em Campolide, junto do aqueduto que tinha fornecido de água toda a cidade. Um local bonito, rodeado de muitas árvores, junto de uma serra. Talvez venha daí o meu amor pela natureza.

A minha família era pobre, os brinquedos eram poucos, mas as crianças da minha idade tiveram o privilégio de poder brincar na rua, na terra, inventar as próprias brincadeiras.

Saltar à corda, jogar à bola, fazer rodas, cantar, enfim, todas essas coisas que nos davam prazer e alimentavam a nossa imaginação.


Com esforço e ajuda da minha família consegui estudar. Contrariando o curso de belas artes que queria fazer, a minha mãe obrigou-me a frequentar um curso comercial.

 

 

 

Por isso, facturas, contas, orçamentos, vendas, enfim, o mundo dos papéis fez parte da minha vida profissional. Escrever também e era a única coisa que me dava prazer, pois sempre adorei escrever. Com doze anos já me correspondia com soldados que lutavam no Ultramar, tentando dar força e coragem.

Casei-me aos dezoito anos (que horror!) e fui mãe aos vinte. Aos vinte e três anos tive o meu segundo filho. Como mãe sentia-me completamente realizada, mas o meu casamento foi muito duro e difícil. Divorciei-me e já passaram quase trinta anos.

Ana Maria com 25 anos de idade em companhia de seus dois filhos: Magda e João Carlos

Vivi sete anos na Alemanha, que foi talvez o melhor período da minha vida.

Ao longo da minha vida, fui mãe presente, trabalhei, cuidei de família, amigos e ainda hoje, o que me dá mais prazer fazer, é onde nada ganho de material, mas que preenche totalmente o meu coração. Ajudo onde sinto que alguém precisa, desde idosos a crianças mal tratadas pelas famílias e sou uma mulher feliz, apesar das “dificuldades” que se vão deparando.

Magda - Filha de Ana Maria quando tinha 1 aninho - Atrás o primeiro carro de Ana Maria - um Vauxhall Viva

 

O começo de tudo...

Depois de viver muitos anos sozinha, conheci uma pessoa ligada ao mundo do antigomobilismo. Para dizer a verdade, eu nem tinha noção de existirem carros “com tanta idade” ainda a circular.

António Gil, o meu querido amigo e companheiro de jornada, é director duma revista de clássicos em Portugal, a Topos & Clássicos. Assim começou a minha ligação aos autos antigos.

O casal Ana Maria e António Gil: Ela faz crônicas antigomobilistas para Revista de clássicos e antigos da qual ele é diretor - TOPOS & CLÁSSICOS.

 

Sobre preconceitos no meio antigomobilístico...

Ao contrário de quase todas as pessoas ligadas ao antigomobilismo que, regra geral participam em dois ou três eventos por ano, eu passo quase todos os meus fins-de-semana sentada num auto antigo.

Corro Portugal de Norte a Sul e convivo com imensa gente de todas as classes sociais. Uma coisa têm em comum, salvo algumas excepções: Auto não é coisa de mulheres. Mas não são só eles a dizê-lo infelizmente, pois também há senhoras que acham isso mesmo.

Mas existe o outro lado, como em todas as coisas. Há as senhoras que agarram num carro com tanta genica como cuidam da casa, ou como trabalham lado a lado com qualquer homem. E eu tenho a honra de conhecer algumas.

Ana Maria em Evento num belo Alfa Romeu

Eu pessoalmente adoro conduzir. Seria uma grande lacuna na minha vida não o poder fazer. Daí, ter surgido a ideia de iniciar uma crónica feminina na Topos & Clássicos, a fim de poder divulgar este mundo que NÃO É SÓ PARA HOMENS.

Agora é engraçado porque existem os que dizem: “Essa é a página cor-de-rosa para as mulheres”, há ainda os que dizem: “Eu nunca leio, mas gostei daquela vez que disse…” (têm vergonha de admitir que lêem), e há os homens maravilhosos que, quando algo surge contra, ou seja, quando alguém fala contra a crónica, eles me escrevem e telefonam dando força: “Ana, eu adoro ler as suas crónicas”, ou “Ana, é a primeira coisa que leio, pois é interessante ver como as mulheres vêem os nossos eventos”, ou ainda a de que mais gosto: “Ana, continue porque a Ana escreve com o coração, falando de carros. Força!”

E isso dá mesmo força.

A presença feminina no meio antigomobilístico

A presença da mulher é muito importante. Não é melhor a mulher acompanhar e partilhar com o marido este hobby, em vez de cada um ficar em seu canto e irem afastando-se cada vez mais? Depois a mulher com sua beleza “empresta” ainda mais beleza à máquina. Não é por acaso que os anúncios de carros são sempre feitos com mulheres, não é verdade? A mulher com o seu lado feminino torna tudo mais suave e é a sua simples presença que marca a diferença.

Anan Maria participando de Rally - Portugal


Sobre o clube antigomobilista

Somos sócios do Triumph Clube de Portugal porque o meu auto clássico é um Triumph e sócios honorários de outros clubes pela forma como o António os apoia.

Seu primeiro evento de Clássicos e Antigos

meu primeiro encontro de clássicos foi muito difícil. Não comecei com um passeio normal, mas com um jantar de gala organizado pelo Clube Alfa Romeo em Lisboa. Eu não conhecia ninguém. Chegámos, todos olhavam para mim (estavam habituados a ver o António sozinho), as minhas pernas tremiam, as senhoras olhavam para mim de lado, desconfiadas, mas felizmente os homens receberam-me de braços abertos, mas foi um começo bastante “nervoso”. Tive uma vontade louca de fugir dali.

O Carro clássico de Ana Maria

O meu carro é um Triumph Spitfire MK 3 de 1971 .

O meu é o auto dos meus sonhos. Eu via o meu Spitfire nos filmes do Elvis Presley e dizia: “Quando eu for grande, vou ter um carro igual a este”. Hoje, eu o tenho.

Carro antigo para mim é uma preciosidade. É algo a ser conservado porque nos leva a um passado que não voltará mais. É algo que nos faculta a possibilidade de ver um pouco como os nossos antepassados se deslocavam. É para manter, para restaurar, para mostrar, mas para circular também.

Ana maria com seu xodó

O auto dos meus sonhos tem um grande problema, eu o comprei (sem experimentar, ihihihih), vi-o como num sonho: “Não acredito, é aquele mesmo. Vou comprá-lo”. Depois, não consigo conduzi-lo pois não chego com os pés à frente. Já tentamos tudo e não dá. Então sofro ali sentada ao lado, com o António conduzindo o MEU carro de sonho. Alguém pode imaginar? Ahahahah! Mas dá prazer na mesma.

Ana Maria no meio antigomobilista...

Eu sempre gostei de automóveis. Antes de tirar a carta, sonhei muitas vezes que estava conduzindo e até “sentia” o carro nas mãos. Quando comecei a acompanhar o António foi acima de tudo para lhe fazer companhia. Já passaram mais de cinco anos e eu continuo a não ter um fim-de-semana para mim, para andar de evento em evento.

Ana Maria Participando de Rally de Clássicos e Antigos

Gosto do contacto com as pessoas, muitas vezes quando alguma senhora diz que não gosta de carros eu tento fazer compreender que o mais importante é acompanhar o marido. Trocar impressões, tentar mostrar aos homens que, na realidade sem nós, tudo seria mais complicado. Já ouvi alguns dizerem que se as mulheres não os acompanhassem eles não poderiam “gozar” os seus carros como o fazem. E isso é bom.

Depois tenho o outro lado, ao escrever a crónica feminina, o meu maior prazer é convencer as senhoras a escreverem elas próprias o que sentiram ao longo do evento. Isso dá-me um prazer enorme, porque torna as pessoas mais participativas e “obriga” a estarem com mais envolvidas.

Ana Maria - Todo final de semana participa de eventos
de carros antigos e clássicos em Portugal

Quer como condutoras, quer como co-pilotas é sempre um prazer conseguir que elas partilhem com os outros o que viveram. Na verdade, tento motivar a que partilhem o carro duas senhoras, pois só assim se considera uma equipa feminina. Dois homens é equipa masculina, homem a conduzir com senhora ao lado é equipa masculina, senhora ao volante com homem ao lado, é só mais um carro e duas senhoras são uma equipa feminina.

Eu sinto no meu coração uma grande alegria no contacto com as pessoas. Não há dúvida nenhuma que este tipo de actividade me dá essa grande possibilidade.

É fantástico, não acham?

 

Sonhos...

Gostava de ver um Rally só com senhoras ao volante. Um Rally onde as senhoras imperassem. Onde elas é que conduzissem em vez de serem sempre conduzidas. Um dia vou conseguir isso, porque mulher não serve para decoração, não acham?

MG TF1954 participando do Rally de Clássicos realizado pelo CPAA Clube Português de Automóveis Antigos - Norte de Portugal

 

Alegrias...

14 – Eu tive uma alegria enorme ligada a uma bela homenagem que o Clube AlfaNord fez ao António. Foi o reconhecimento de tanto amor que ele dedica a esta tarefa que é divulgar e promover os clássicos, como a Teresa Gago faz com o portal AutoClassic.

O rosto dele quando se apercebeu, não tem explicação. Foi muito lindo e fiquei muito orgulhosa. Chorei e tudo. (Sou chorona, as alegrias comovem-me também).

Situações difíceis... Já passou por alguma?

Em relação às pessoas nunca aconteceu nada desagradável. Em relação ao carro, ficar no meio da neve no Norte de Portugal, com um pneu furado, garanto que não é bom, mas claro faz parte da vida.

Você e seu marido são antigomobilistas. Conta pra gente como é isso? É gratificante? Vale a pena você como mulher fazer parte deste hobby?

Nossos fins-de-semana são passados na realidade “sobre rodas”. Como poderíamos estar juntos e felizes se estivéssemos separados três dias por semana? Que relação resistiria a isso? É muito bom poder partilhar também seu trabalho, pois para ele é trabalho e um pouco hobby.

Ana Maria participando de Rally de clássicos com seu Triumph Spitfire MK 3-1971 - CPAA Clube Português de Automóveis Antigos - Norte de Portugal

 

Sobre os veículos antigos portugueses...

Lamentavelmente não existem carros fabricados em Portugal além de poucos exemplares particulares, como o caso do Sado, que já se deu a conhecer no portal.

O seu veículo antigo preferido no Brasil

No Brasil há vários carros de que eu gosto, mas o Puma é um deles.

Ana, você conhece eventos de clássicos no mundo inteiro, fale para os brasileiros qual evento te impressionou mais?

Conheço Evento Na França, Espenaha e Alemanha, o que mais gostei foi BREMEN CLASSIC MOTORSHOW. visitar uma feira de clássicos é entrar num mundo especial. Ver oito ou mais pavilhões cheios de carros, lindos, cuidados como se tivessem acabado de sair de fábrica é uma coisa fantástica.

Ana Maria e António Gil participando de Rally na Ilha da Madeira - Portugal Nossos amigos prestam homenagem ao Portal AutoClassic -Brasil

O melhor evento de Portugal

Em Portugal existem alguns eventos de que eu gosto bastante. Quando me fala em melhor, eu penso em forma de receber, percurso (nossos eventos não são estáticos) mas acima de tudo organização e aí tenho de falar num evento que se realiza no mês de Junho no Sul de Portugal o “ALGARVE CLASSIC CARS”.

O ano passado juntou 170 maravilhas de 4 rodas. Isso significa que no jantar de gala estavam 500 pessoas. É um bom trabalho feito por uma boa equipa.

Algum evento  internacional que você tenha  vontade de conhecer?

Gostava de ir a um evento à Argentina - AutoClásica. Ver como é e a diferença entre os eventos que conheço.

Sobre o Brasil... Fale de sua experiência quando veio conhecer um evento brasileiro?

Ana Maria no Encontro Paulista em 2005 - Águas de Lindóia - Brasil

A minha primeira viagem ao Brasil foi para o evento de Águas de Lindóia. Ter um clube feminino, o SFAA a organizar um evento, foi realmente uma coisa muito rara para mim. Ver a Edenise correndo dum lado para o outro colocando tudo na devida ordem, foi um bom exemplo do que uma mulher é capaz.

Ter actividades para homens e senhoras falta em Portugal. Claro que, em eventos onde os carros estão sempre a circular, é difícil organizar uma coisa assim, por outro lado, isso faria certamente que mais senhoras começassem a gostar de acompanhar os maridos.

O que você achou dos eventos brasileiros?

Eu achei que no Brasil há mais convívio entre os participantes porque estão parados o tempo todo. Pode-se conversar, trocar ideias sobre carros, peças e outras coisas. Gostei muito de ter visitado o encontro no Museu organizado pelo AGMH e, uma vez mais, com este tipo de eventos as pessoas podem comunicar e é muito bom.

Existe algum evento no Brasil em especial que você queira conhecer?

Gostaria de visitar Araxá, as fotos do portal AutoClassic são tão elucidativas. E ouvi falar tão bem do evento de Sete de Setembro este ano em Teresópolis que minha vontade de visitar é enorme também. Quem sabe um dia?

O que você mais gosta  neste mundo do antigomobilismo?

Importante para mim acima de tudo é que, através dos clássicos, as pessoas podem encontrar-se e confraternizar. O amor aos carros torna isso possível. Poder trocar impressões sobre algo que nos dá prazer e não faz mal à saúde, antes pelo contrário, ocupa a mente e ajuda o corpo a estar ocupado.

E permite passar através de gerações….

 

Uma mensagem

Uma vez uma senhora escreveu um artigo para a crónica feminina, que intitulou de “A minha rival”. Um artigo bem simpático e claro, a rival era o carro antigo. Mas eles gozam juntos esse prazer. É bom.

Eu, ao comentar esse artigo escrevi: “Melhor a vossa rival ter quatro rodas do que duas pernas”.

Pela forma carinhosa como fui recebida no Brasil e pelos amigos fantásticos que aí tenho, só poderia terminar com um belo desejo para todos e que é da autoria de

 Carlos Drummond de Andrade

Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram
.

Um beijo bem carinhoso a todo o Brasil.

Paz e muito amor.

Ana Maria Thomä

 

 

 


 

Um forte abraço,

Teresa Gago
Equipe Portal AutoClassic
Rio de Janeiro - Brasil
xx(21)3150-3666

  
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